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Capa do romance Sentimentos Mascarados

Sentimentos Mascarados

Intrigado pelo mistério da máscara, ele se aproxima com um toque que confunde os sentidos. Entre o desprezo das palavras e a intensidade do desejo, ela se perde em sensações contraditórias enquanto ele domina seu espaço. Dois mundos distintos colidem em um jogo de submissão e poder. Em meio a um relacionamento caótico e repleto de tensão, resta a dúvida: essa conexão profunda resultará em um amor verdadeiro ou em um ódio incurável entre os dois?
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Capítulo 3

Girando a maçaneta da porta, eu respirei fundo antes de estampar meu sorriso sedutor de sempre no rosto. Entrei e fechei a porta atrás de mim. Eu então levantei minha cabeça para encarar o homem que eu deveria entreter. Eu congelei.

Caramba!

O homem sentado na minha frente era muito atraente. Ele estava usando um terno preto. Seus cabelos negros bagunçados o faziam parecer um garoto mau, mas seus olhos cinzas tinham algo reconfortante neles. Ele estava olhando para mim sem demonstrar qualquer emoção. Eu tinha certeza que, se passasse meus dedos em seu maxilar, provavelmente me cortaria com o quão afiado era. Meus olhos percorreram o corpo dele. Eu pude notar tatuagens em suas mãos, que eram encobertas pelas mangas de seu terno.

"Você já acabou de me encarar dos pés à cabeça?" Ele perguntou, parecendo estar entediado. Pisquei várias vezes e depois me concentrei no rosto dele. Ele estava com os braços cruzados sobre o peito.

"Na verdade, não", eu respondi com sinceridade e andei em direção a ele. Eu podia ouvir a música suave tocando ao fundo.

"Vamos acabar logo com isso," ele falou, como se aquilo fosse uma tortura para ele. Eu estava parada em frente a ele, me sentindo inesperadamente intimidada por este homem. Ele era a própria definição da palavra atraente.

"Qualquer outro homem pularia de felicidade com a ideia de ter uma mulher dançando seminua para ele," eu observei, fazendo com que ele levantasse a cabeça para olhar para mim. Não. Ele não estava olhando para mim. Ele estava me encarando intensamente.

"Eu não vou pular de felicidade com a ideia de uma prostituta dançar em cima de mim", ele disse com um brilho maldoso no olhar. Ele estava tentando me ofender. Eu sabia disso. O ódio que eu sentia por este homem começou a crescer dentro de mim. Dei de ombros e continuei com a minha coreografia. Eu estava tentando parecer sedutora, mas aquilo era realmente complicado quando o homem parado a sua frente não ofereceu qualquer reação.

"Nem todos têm dinheiro como você", eu sussurrei, me inclinando bem perto de seu ouvido. "Eu odeio esse trabalho tanto quanto odeio você", afirmei ao me sentar em seu colo e continuar a dançar. Ele pareceu surpreso com aquelas palavras.

"Então por que continua fazendo isso?" Ele questionou, gesticulando em direção ao meu corpo sobre o dele. Levantei e abri suas pernas, antes de me posicionar entre elas.

"Eu fui paga para fazer isso." Eu fui até o chão e me levantei novamente devagar, empinando a bunda. Como se ela já não estivesse à mostra.

"É óbvio que você faria qualquer coisa por dinheiro", ele zombou, dando uma risada sem humor. Parei de dançar e o encarei.

"É claro que eu faria qualquer coisa se não tivesse opção", eu me defendi. Ele riu com escárnio, ligeiramente me afastando de cima dele. Que babaca.

"Então talvez você devesse começar a vender esse seu corpo", ele cuspiu. "Porque, obviamente, você não é boa o suficiente", ele acrescentou, apontando para a sua calça. Eu já estava de saco cheio deste idiota arrogante. Eu devo admitir: aquela última parte feriu um pouco o meu ego.

"Ou talvez você seja o problema", eu retruquei, puxando o elástico de cabelo que estava no meu pulso e prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo. Eu estava me controlando para não dar um tapa neste rosto atraente. "Quem sabe você deveria ir a um clube de strip masculino? Talvez você se sinta mais à vontade lá." Eu o provoquei antes de me virar para ir embora. Porém, quando eu estava prestes a girar a maçaneta da porta, fui puxada para trás pelo braço. Eu me virei para encará-lo e cerrei os dentes.

"Você está insinuando que eu sou gay?" Ele perguntou, seus dentes também cerrados. Revirei os olhos e decidi não responder. Quando eu estava prestes a fazer um movimento para novamente tentar sair do local, ele me puxou em sua direção e me empurrou contra a porta. Eu podia sentir a sua respiração em meu rosto. Tentei não estremecer. Não de desgosto, mas de prazer. Não me pergunte por que ele estava fazendo eu me sentir daquele jeito. Este babaca atraente e arrogante tinha um certo efeito sobre mim.

"Saia", eu exigi de olhos fechados, não querendo deixar claro o quanto ele estava me deixando excitada. Ele segurou meu queixo e me forçou a olhar para ele.

"Abra os olhos", ele exigiu. Eu os abri e dei de cara com seus olhos cinzentos determinados. "Eu não sou gay, querida", ele disse devagar, sua voz ficando mais rouca enquanto falava.

"Eu preciso ir embora", eu gaguejei, tentando me libertar dele. Ele prendeu minhas mãos acima da cabeça e me deu um sorriso malicioso. Não. Aquilo não era um sorriso brincalhão, e sim um sorriso perigoso. De repente, ele enfiou o rosto no meu cangote e respirou fundo. Eu estremeci, sentindo minha pele se arrepiar.

"Por que essa máscara?" Ele perguntou. Fiquei quieta enquanto ele movia sua mão até o meu cabelo. Ele desmanchou o rabo de cavalo e deixou o elástico de cabelo cair no chão.

"Por que você está me tocando? Eu sou apenas uma prostituta, não sou?" Eu perguntei enquanto olhava no fundo de seus olhos. Ele me encarou e não me respondeu. Ele não tinha acabado de me chamar de prostituta? Ele voltou a enterrar o rosto em meu pescoço e soprou levemente meu rosto. Aquilo foi bom. Bom demais. Quando seus lábios fizeram contato com a minha pele, eu mordi meus lábios para segurar um gemido. Eu pude sentir suas mãos soltando os meus pulsos. Minhas mãos pousaram em seus ombros. Meus olhos estavam fechados enquanto eu tentava me concentrar na forma como ele estava me fazendo sentir. O que diabos ele estava fazendo comigo?

Senti uma onda de prazer percorrer meu corpo quando ele abriu a boca e deu um chupão na minha pele. O gemido que eu estava tentando segurar acabou escapando. Assim que ele me ouviu gemer, ele grunhiu e se afastou. Eu pensei que ele estava se afastando de mim, mas em vez disso, eu senti seus lábios nos meus. Ele colocou as mãos em volta da minha cintura e me carregou. Minhas pernas o envolveram e uma de suas mãos segurou meu pescoço, enquanto a outra apoiava meu peso. Minhas mãos estavam ao redor de seu pescoço, querendo mais dele. Ele gentilmente beliscou minha pele, me fazendo ofegar. Ele se aproveitou daquilo e deslizou a língua em minha boca. Eu podia sentir o calor entre as minhas pernas. Ele grunhiu quando eu mordi seus lábios, o que me fez sorrir enquanto o beijava. Eu podia sentir algo me cutucando próximo às minhas pernas e, ao perceber do que se tratava, um sorriso malicioso apareceu no meu rosto. Eu me afastei dele e desci de volta ao chão.

"Eu não sou gay", ele afirmou. Ah, então ele estava querendo provar isso para mim? Eu sorri e apontei para a sua calça.

"Não, você não é", eu concordei. "Parece que eu fiz meu trabalho direitinho", eu disse, notando o volume em sua calça. Com isso, eu peguei meu elástico de cabelo e rapidamente saí do local. Fechei a porta e me encostei na parede.

Que diabos tinha acabado de acontecer?

Minhas mãos logo foram até meus lábios, percebendo o quanto estavam inchados. Droga. Tinha sido um beijo incrível. Aquele homem era insuportável, irritante e impossível de entender. Mesmo assim, algo nele havia me intrigado. Voltei para o camarim tentando tirar aquele beijo de minha mente. Assim que entrei, notei Jerry, Dean e Rose sentados no sofá. Dean levantou-se rapidamente ao me ver entrar.

"E então?" Ele perguntou, me encarando cheio de expectativa. Eu abri um sorriso para ele e dei de ombros. "Ele reagiu?" Ele perguntou, me fazendo revirar os olhos. "Continue revirando os olhos, talvez você encontre um cérebro aí atrás," ele murmurou, me fazendo engasgar. Eu dei um tapa em seu braço de brincadeira, o que lhe fez rir.

"Por que os seus lábios estão inchados?" Rose perguntou e Dean se sobressaltou na mesma hora

"Puta merda! Ele beijou você?" Ele perguntou sem conseguir acreditar. Eu concordei com a cabeça. "O quê?! Como? Por quê?!" Ele fez uma pergunta atrás da outra, o choque estampado em seu rosto.

"Ele me beijou apenas para me provar que ele não era gay", eu expliquei para eles, ao me sentar ao lado de Rose, que ainda estava encarando meus lábios.

"Quê?" Dean perguntou confuso.

"Talvez eu tenha chamado ele de gay?" Eu disse com um sorrisinho tímido. Os olhos de Dean se arregalaram e logo depois ele começou a gargalhar.

"Eu queria estar lá para ver!" Ele disse, com a mão na barriga. "Ele não foi rude?" Ele então perguntou enquanto enxugava as lágrimas. O que havia de tão engraçado naquilo?

"Ele é um completo babaca", eu fui sincera. Ele concordou com a cabeça e deu de ombros. "Ele me chamou de prostituta e disse que eu não era boa o suficiente", eu continuei.

"Ele ficou de pau duro?" Rose perguntou do meu lado. Eu acenei positivamente com a cabeça, e havia um sorriso orgulhoso em meu rosto enquanto eu pegava a minha mochila.

"Eu sabia que eu estava certo sobre você", Dean declarou com orgulho. Eu ri e gesticulei para que ele e Jerry saíssem do local.

"Eu preciso me trocar", eu informei. Dean acenou com a cabeça enquanto Jerry apenas foi embora.

"Você pode me dar o seu número? Caso eu precise dos seus serviços novamente?" Dean perguntou, fazendo com que eu encarasse seu rosto de boneco Ken. Eu tinha acabado de perceber que Dean e seu irmão eram realmente o oposto um do outro.

"Não vou te dar o meu número. Essa foi a primeira e última dança privada que dei", eu lhe informei, cruzando meus braços contra o peito. "Sendo assim, você já pode ir embora", eu disse. Dean seria um amigo incrível de se conviver no dia a dia, mas eu não podia arriscar dizer a ele meu nome verdadeiro.

"Ah, por favor", ele choramingou. "Você é muito engraçada e eu gostaria de te encontrar fora daqui! Só como amigos!" Ele disse, me olhando com sinceridade. "A Rose já me deu o número dela", ele acrescentou, apontando para ela.

"Bem, eu moro com ela. Então se você precisar de mim, ligue para ela", eu disse. Eu não precisava de ninguém me seguindo ou dando conta da minha vida. Acho que minha vida já era complicada o suficiente sem isso.

"Eu juro, apenas como amigos. Eu já sou comprometido", ele me informou com orgulho. Meus olhos se arregalaram e eu o encarei.

"Então o que você está fazendo aqui?" Eu perguntei em descrença.

"Eu vou me casar em duas semanas. Meus amigos me trouxeram aqui para a minha despedida de solteiro", ele contou, revirando os olhos. Eu balancei a cabeça, entendendo a situação, mas ainda assim me recusei a dar a ele meu número. Quero dizer, será que a noiva dele não iria se sentir mal ao ver o número de strippers no telefone dele?

"Agora saia", eu praticamente implorei, "Eu estou cansada e só quero me trocar e voltar para casa", disse. Dean suspirou e acenou com a cabeça enquanto fechava a porta.

"Ele é muito engraçado", Rose apontou enquanto eu comecei trocar de roupa, colocando as minhas leggings e meu moletom.

"Sim, ele é mesmo", eu concordei. "Ele parecia ser muito imaturo para um cara que vai se casar..." Eu dei uma risadinha. Rose riu e concordou com a cabeça.

"Falando em casamento... Você vai ao casamento da sua irmã?" Rose perguntou. O ambiente ficou completamente silencioso enquanto eu refletia sobre aquilo.

"Eu amo a minha irmã, mas sinceramente não quero ver meus pais." Eu lhe disse, enquanto guardava minhas coisas na bolsa. Peguei as chaves do carro e Rose se levantou do sofá e me seguiu para fora da boate, pela porta dos fundos para que ninguém pudesse me reconhecer quando eu tirasse a máscara.

"Alena vai ficar magoada se você não for", Rose comentou.

"Eu sei disso. É por isso que ainda estou pensando no que vou fazer." Eu murmurei enquanto chegávamos ao meu carro.

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