
SEMPRE TE AMEI
Capítulo 2
O despertador toca e tento me mover para desliga-lo, mas tem um corpo pesado demais enroscado no meu, que impede de me mover. Eduardo se quer se abala com o som irritante do despertador. É sempre assim quando dorme aqui. O empurro e ele rola pro outro lado da cama. Me estico toda e desligo o despertador. São 5:30h da manhã e tenho certeza que a bela adormecida ao meu lado não vai acordar agora. Me levanto e antes de sair da cama, olho o corpo todo dele, me deliciando com a visão. Ele é tão lindo e perfeito... Suspiro e saio da cama, indo para um banho me acalmar um pouco.
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Termino meu banho e me enrolo no roupão. Saio do banheiro e Eduardo ainda esta do mesmo jeitinho que deixei. Vou para o meu armário e separo uma calça social preta, uma calcinha, um sutiã, uma sapatilha e uma blusinha básica. Agarrada as minhas coisas, vou andando para o banheiro. Uma ideia absurda passa pela minha cabeça. Se me trocar aqui e ele acordar e me ver nua, talvez, pode ser, que se apaixone. Coloco minhas coisas sobre a cama e pego o meu creme. Timidamente tiro a toalha e a coloco na cama, também. Começo a me arrepender da merda que pensei. Quando vou pensar em pegar a toalha de novo ele se mexe, fazendo meu corpo paralisar. Eduardo apenas vira de lado e suspira. Seja forte! Se faça de sensual. Abro o creme e olhando para ele, o viro sobre a minha mão.
- Merda!
Sussurro ao ver o creme mole cair em excesso e tento colocar de volta no pote.
- Inferno!
É creme demais na minha mão. Pior é que ele se quer acordou e não posso me lambuzar de forma sexy. Preciso de alguma forma acorda-lo. Começo uma tosse estranha e nada dele acordar. Vou derrubando as coisas a minha volta no chão.
- Zoiuda, me deixa dormir.
Resmunga e cobre a cabeça com o meu travesseiro. Reviro os olhos, pois nem olhou para mim. Passo todo o creme em meu corpo, mas é tanto que fico toda melada. Estou irritada, incomodada e me sentindo uma idiota. Passo a toalha pra tirar o excesso do creme e me visto mais rápido que posso. Saio do quarto e vou pra cozinha fazer café.
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Termino de colocar o café na bandeja, junto com as panquecas e o bacon. Hora de acordar meu amor platônico. Vou para o quarto segurando firme a bandeja. Entro em meu quarto e me sento na cama, ao seu lado.
- Bocão...
O chamo e só resmunga.
- Acorda pra comer.
Eduardo abre apenas um olho para me ver.
- Que horas são?
- A mesma hora que sempre te acordo quando preciso ir trabalhar e você dorme bêbado em casa.
- Você é muito metódica.
- Você é muito sem rumo.
Sorri e fecha os olhos.
- Fez o café de sempre?
Tento não rir.
- Sim... Café, panquecas e bacon.
Abre um olho de novo e olha a bandeja.
- Coloquei muita calda.
Seu sorriso lindo surge e ele vai se sentando, gemendo muito. Coloco em seu colo a bandeja e pego minha xícara de café.
- Você precisa parar de vir bêbado pra minha casa.
- Por que? Durmo bem, ganho café na cama e ainda fico com a minha melhor amiga.
- Você é muito cara de pau.
- Gosto de ficar com você, zoiuda.
Se curva e me da um beijo no rosto, se afastando pra comer em seguida.
- Você trabalha demais, nunca sai pra curtir e vive enfiada em casa.
Diz cortando a panqueca.
- A única forma de te ver e ficar com você é assim, nas madrugadas.
- Isso foi fofo, mas sabemos que não é o único motivo. Vem pra cá para fugir das loucas mulheres da sua vida.
Abre um enorme sorriso e enfia um enorme pedaço de panqueca em sua boca. Mastiga sem problemas e começo a rir. Por isso dei o apelido de bocão. Enfia pedaços enormes de comida na boca e mastiga como se fossem pequenas. Sem contar que vivia roubando minha comida.
- Qual a graça?
Pergunta de boca cheia.
- Sua enorme boca.
- Não faz ideia do que essa boca faz...
Queria tanto saber... sentir... provar... Dou um belo gole no meu café para afastar o desejo.
- Não vai comer nada?
- Sabe que não tenho fome de manhã.
Olho meu relógio e já são 6:30h.
- Precisamos ir trabalhar.
- Você precisa.
Diz irônico e pisca em seguida.
- Cretino!
Jogo uma almofada nele.
- Nem todo mundo é filho do dono da empresa, que entra meio dia no trabalho, fingi que trabalha e sai as 17h pra gandaia.
- Vem trabalhar comigo. Vai poder ter essa mesma mordomia.
- Não, obrigada! Gosto de me sentir importante e de fazer parte de um sistema empresarial perfeito.
- Quem disse que meu sistema empresarial não é perfeito?
- Pode ser perfeito pra você, não pra mim.
Vou até o Eduardo e beijo sua cabeça.
- Deixe a chave na portaria quando sair.
- Sim, senhora.!
E vai pra sua casa tomar banho. Nada de usar minhas coisas.
- Deixei roupa aqui há dois dias atrás, você lavou?
Olho pra ele irritada, que sorri.
- Sei que lavou. Vou tomar banho aqui e ir pra empresa.
- Seu apartamento fica na cobertura desse prédio. Para de ser preguiçoso e vai pra sua casa.
Eduardo enfia um enorme pedaço de bacon na boca e mastiga me ignorando.
- Tchau!
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Entro na minha sala e jogo minhas coisas sobre a minha mesa.
- Já vi que hoje vai ser um dia de merda!
Bruna diz entrando na minha sala. Bufo e me jogo na cadeira.
- Não sei mais o que fazer?
Digo exausta e perdida. Bruna sabe da minha paixão por Eduardo.
- Por que não fala pra ele o que sente?
- Se tivesse certeza que ele me vê mais do que sua melhor amiga, diria que o amo.
Respiro fundo e olho para Bruna.
- Mas ele não sente nada por mim. Se quer me vê como mulher.
- Você não é o tipo de mulher que ele olha.
Fala com uma cara de que não devia ter dito.
- Como assim?
- Você usa sempre uma calça social preta larga e uma blusinha básica horrível. Nunca passa uma maquiagem ou usa salto. Nunca te vi de vestido ou saia.
- Não gosto dessas coisas. Isso só esconde as pessoas.
- Isso te valoriza.
- Gosto de como sou. Não vou me fantasiar para conquistar o Eduardo.
- Marcela, você é linda! Mesmo sem nada disso os homens te olham.
- Quem me olha?
- Thiago, Rafael e Inácio...
- Para de tentar me animar.
- Não estou tentando te animar. Eles realmente olham pra você de um jeito mais intenso.
Deito sobre a minha mesa e esbravejo mil coisas.
- Quero o Eduardo!
Digo com a boca abafada na mesa.
- Então fale com ele.
- Não quero perder nossa amizade. Se não sentir nada por mim, vamos perder tudo o que temos.
- Então o conquiste.
- Não quero me transformar nessas peitudas plastificadas que ele sai, só pra me olhar.
Digo tirando minha cabeça da mesa e olhando pra ela.
- Desisto de você...
Bruna diz batendo os pés e sai da minha sala irritada.
- Desistir...
Sussurro a palavra algumas vezes.
- Talvez seja isso...
Olho para o porta retrato duplo meu e de Eduardo sobre a minha mesa. De um lado uma foto nossa bebês e do outro, uma que tiramos ano passado em meu aniversário. Em nome da nossa amizade, talvez eu deva desistir desse amor. Acho que chegou a hora de largar esse amor que me acompanha há anos. Esta na hora de encontrar um novo amor.
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