
SEMPRE TE AMEI
Capítulo 3
Termino de verificar a ultima planilha dos gastos relacionados à publicidade da empresa. Olho meu relógio e já são 19h. Hora de ir pra casa, tomar um banho, jantar e assistir minhas séries até dormir. E provavelmente ser acordada na madrugada pelo homem que amo, completamente bêbado e lindo. Merda de vida! Talvez não devesse abrir a porta. Deixa-lo do lado de fora seria o primeiro passo para esse amor morrer. Recolho minhas coisas e saio da minha sala. Vejo Bruna e Rafael conversando perto do elevador.
- Marcela!
Rafael diz todo sorridente e me lembro do que Bruna falou dele gostar de mim.
- Rafael!
Respondo da forma mais simples possível. Não o quero achando que correspondo qualquer sentimento. Me aproximo e reparo nele todo. Não! Impossível termos algo. Ele não tem o cabelo lindo como do Eduardo. Nem o olhar sedutor e o sorriso delicioso do homem que não sai da minha cabeça. Sei que preciso esquecê-lo achando alguém, mas Rafael não será essa pessoa. Também preciso entender que nenhum homem será como meu Bocão.
- Estamos combinando de ir no bar. Quer ir junto?
Ele pergunta e Bruna ri.
- Sabe que Marcela não sai.
A risada dela me irrita.
- Quero!
Digo firme, mesmo sabendo que vai dar merda e vou me arrepender.
- Sério?!
Estreito meus olhos para Bruna que parece chocada.
- Sim. Estou precisando tirar uma coisa da cabeça e ir ao bar pode ser uma boa.
Ela entende a dica e sorri.
- Uma ótima ideia.
- Então vamos!
Bruna segura minha mão.
- Rafael vai indo que logo te encontramos lá.
Ele vai embora no elevador e fico sem entender nada.
- O que foi?
- Você não vai assim...
Aponta para as minhas roupas.
- Assim como?
Olho para mim, um pouco perdida.
- Pelo amor de Deus! Acha que isso vai atrair algum homem, além do nerd do Rafael?
- Gosto dessa roupa!
- Mas essa roupa não gosta de você. Deve gostar de alguma senhora de 80 anos.
Ri da minha cara mais uma vez.
- O que quer que eu use? Uma saia que mostre minha calcinha e um decote valorizando os seios que não tenho?
Digo irritada demais com ela.
- Não vou vender meu corpo pra homem nenhum.
- Não estou dizendo para vender seu corpo, mas sim valoriza-lo. Você é linda e tem um belo corpo. Devia se arrumar pra você e se amar. A sensação que tenho é que se veste assim por trauma ou por punição.
- Gosto das minhas roupas.
- Então seu problema é péssimo gosto mesmo.
Aperta o botão do elevador e as portas se abrem.
- Vou dar um jeito nisso.
- Jeito?
Me arrasta pra dentro do elevador com um sorriso estranho.
- Vamos para a minha casa nos arrumar.
- Mas vai ficar tarde pra ir ao bar. Queria voltar pra casa antes das 22h. Vai passar minha série preferida.
- Vou fingir demência com você. Cala a boca e me deixa te ajudar.
************
Quase duas horas depois estamos prontas. Bruna esta com um vestido vermelho quenga, até os joelhos, frente única. Batom da mesma cor e sapatos pretos. Me neguei a parecer uma quenga também e pareço apenas uma vassoura de luto, maquiada. Estou com um vestido preto até os joelhos, com um leve decote na frente e um rabo de cavalo. Bruna disse para valorizar meu pescoço de girafa e estou aqui com ele todo aparecendo. Me neguei também a passar batom. Essa merda gruda nos dentes quando falo. Mas estou com dois espanadores na cara e cada vez que pisco eles espanam o ar.
- Preciso mesmo desses cílios. Demorou em torno de um minuto pra piscar de tão pesados que são. Pareço até que estou drogada de tão lento que pisco.
- Para de graça! Esta linda!
Me olho no espelho e não me reconheço. Isso me deixa um pouco incomodada. Parece que não sou eu.
- Vamos!
Bruna me puxa pela mão e quase caio de cara no chão, por causa dos saltos enormes que me fez usar.
- Não me puxa! Deixa que vou andando nas pernas de pau sozinha.
Bruna ri mais uma vez de mim.
- Tenta ser rápida ou só chegaremos amanhã no bar.
****************
Chegamos à frente ao bar, respiro fundo e entro lentamente com Bruna. Começo a me adaptar com os saltos. Entramos e o som da música já perturba meus ouvidos. Tento não fazer cara de irritação e abro um sorriso forçado.
- Não sorria assim, parece que esta doendo algo.
- E esta! Meus pés, meus olhos, minha lombar e meu orgulho.
Respondo e Bruna revira os olhos. Paro de andar quando vejo Eduardo. Ele esta ao lado de uma loira peituda, claramente jogando seu charme. Quero chorar, me dar um soco por ter vindo. Meus olhos se enchem de lágrimas e se unem aos cílios do caramba que me cegam. Não posso nem sair do lugar pra ir embora, porque nem a merda da saída enxergo.
- Marcela!
Caramba! Posso não ver quem me chama, mas a voz meu corpo reconhece.
- Vou para o bar!
Bruna sussurra.
- Não!
Sussurro de volta nervosa. Não quero ficar sozinha com ele assim.
- Uau!
O escuto exclamar e disfarçadamente limpo meus olhos. Voltando a equilibrar os cílios, consigo vê-lo na minha frente. Porque Eduardo tem que ser tão lindo?
- É você mesmo zoiuda? Parece outra pessoa.
- Sim, sou eu!
Digo muito brava. A cara que faz, da vontade de dar um soco nele.
- É estranho te ver assim!
- Estranho por quê? Só as peitudas siliconadas que você sai, podem se vestir assim?
- Não! É que isso não combina com você.
Estou me controlando para não surtar.
- Então não combina comigo ficar bonita?
- Não é isso! É que...
- Fique quieto, bocão! Antes que fale merda!
Tento sair de perto dele, mas me desequilibro e ele me ampara. Inferno de salto! O empurro e volto a andar, mas dessa vez com calma. Não quero pagar mais nenhum mico. Foco meus olhos no balcão e acho Bruna. Me aproximo e me sento ao seu lado.
- Como foi?
- Uma merda! Quero beber até esquecer que estou assim.
- Bebe comigo.
Pego seu copo e viro todo o liquido dentro dele na minha boca.
- Cacete!
Digo tossindo e a coisa queima minha garganta.
- Vai com calma!
- Nada de calma! Quero mais disso!
********
Não sei quanto dessa coisa eu bebi, só sei que estou sorrindo e não sei porque.
- Eduardo esta indo embora com a loira!
Bruna sussurra para mim e olho para a saída. Ele segura a cintura da mulher que vai andando a sua frente. Meu coração dói vendo isso. Era pra eu ser a peituda saindo com ele.
- Vou colocar silicone, talvez ele olhe pra mim.
Bruna ri alto e volto meus olhos para a minha bebida. A verdade é que volto um olho só pra bebida. O outro está fechado, colado pelo cílio que escorregou e não me deixa abrir o olho.
- Oi!
Uma voz masculina soa em meu ouvido.
- É gato!
Bruna sussurra no meu outro ouvido e viro para ver o cara. Com um olho só vejo que é até bonito. Não é lindo como o bocão.
- Oi!
Minha voz sai estranha, ele me olha estranho e se afasta.
- Acho que tem gente me chamando.
Vai embora e olho pra Bruna.
- Os cílios não sabem seduzir.
Nós duas caímos na gargalhada.
**************
O táxi para em frente ao meu prédio.
- Tem certeza que consegue achar seu apartamento sozinha?
- Tenho! Mesmo com um olho só. Já tirei as pernas de pau.
Mostro os saltos e abro a porta do carro.
- Se amanhã ficar de ressaca vou te matar.
- Boa noite!
Bruna diz rindo e saio do táxi. Meio tonta e estranha, vou pra dentro do prédio. Sigo para o elevador, ignorando o porteiro. Entro no elevador e com um olho tento achar meu andar. Olho o número e depois para o da cobertura. Abro um enorme sorriso.
- Vamos descontar. Ele fode meu sono eu fodo o sexo dele.
Aperto a cobertura e ela pede a senha. Digito a data de aniversario do bocão e as portas se fecham. Tudo roda enquanto o elevador sobe. Me seguro na parede do elevador pra não vomitar. O elevador para e as portas se abrem. Saio dele meio tonta e não vejo nada na sala.
- Amor! Cheguei...
Digo segurando o riso.
- Coisa linda!
Rapidamente Eduardo aparece na sala só de calça jeans.
- O que é isso?
Pergunta com um enorme sorriso. Antes que eu responda, a peituda aparece.
- Quem é ela?
Pergunta com a voz igual da mulher que vende um negocio de fazer iogurte na televisão. Minha risada é escandalosa.
- Quanto está a máquina de iogurte?
Pergunto chorando de rir e vejo Eduardo segurar o riso.
- Quem é ela Eduardo?
- Sou o anjo da guarda dele e vim expulsar peitudas.
- O que?
Ando até a mulher, focando com um olho só.
- Vamos... Chegou a hora de ir pra casa e por suas tetas pra dormirem.
Pego o braço dela e a puxo para o elevador.
- Eduardo!
A coitada pede socorro, mas o bocão só sabe rir. Jogo-a no elevador e dou um tapinha em cada teta dela.
- Boa noite, coisinhas!
Digito a senha e as portas do elevador se fecham. Solto um longo suspiro, aliviada.
- Você fica hilária bêbada.
Me viro e vejo Eduardo atrás de mim. Delicadamente tira o cílio colado do meu olho e graças a Deus volto a enxergar com os dois olhos.
- O que veio fazer aqui?
- Dormir! Estou tão cansada, bocão. Meus pés estão doendo, minha cabeça rodando e minha calcinha ta socada no meu rabo. Estou em um dia de merda!
- Quer ir pra cama no colo?
Ergo os braços e ele me pega no colo. Me deito em seu peito e posso sentir sua pele. Seu cheiro é ainda mais gostoso assim. Eduardo anda em direção ao seu quarto.
- Consegue tirar a roupa?
- Não consegui tirar a porra do cílio do meu olho. Acha mesmo que posso achar a calcinha no meu rabo?
Ele ri alto e me senta na cama, assim que entramos em seu quarto.
- Ergue os braços que vou tirar seu vestido.
- Não é uma boa ideia!
Digo meio que caindo na cama, mas ele me segura.
- Não quero que veja minhas azeitoninhas. Você costuma ver melancias e não quero passar vergonha.
Bocão me senta de novo na cama e dessa vez esta de joelhos na minha frente.
- Prometo não reparar nas suas azeitoninhas.
- Promete?
Ele abre o sorriso lindo.
- Prometo!
Ergo meus braços e fecho meus olhos. Eduardo puxa o vestido e quando esta na minha cabeça para de puxar.
- Olá, azeitoninhas!
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