Capa do romance Entre o Amor e a Ambição

Entre o Amor e a Ambição

8.9 / 10.0
Leonel Baumann, o rigoroso líder de um gigante financeiro, decide intervir na vida de excessos de seus netos para proteger o futuro da família. Ele estabelece condições rígidas que os herdeiros devem cumprir para garantir o direito à sucessão. Acompanhe a trajetória de Aaron, Anton, Axel e Anneliese, quatro irmãos obstinados que enfrentarão desafios impostos pelo avô, provando sua lealdade e determinação para conquistar o cobiçado legado dos Baumann.

Entre o Amor e a Ambição Capítulo 1

Verdade ou Consequência

Anton

A garrafa de vidro vazia girou novamente e dessa vez a indicada foi Pietra, a garota mais linda de todo o colégio e por quem sou apaixonado há exatos dois anos, desde o primeiro momento em que os meus olhos encontraram os olhos mais negros e brilhantes de todo o mundo.

- Sua vez, Pietra! - Priscila falou com animação - Verdade ou consequência?

Pietra sorriu. Ela sempre sorri. Seus olhos também sorriem, mesmo quando ela não estava sorrindo. 

- Verdade! - Pietra escolheu.

Eu não tinha dúvida da sua escolha. Pietra jamais arriscaria receber uma consequência, pois ela sempre é tão careta, totalmente o oposto de mim, mas isso nunca seria um problema entre nós. Eu a amo exatamente como ela é.

- O que você vai fazer a partir de agora? - Foi a pergunta de Priscila.

Alguns emitiram expressões de descontentamento, nitidamente considerando a pergunta sem graça. Mas essa pergunta foi perfeita para mim. Pietra é sempre tão reservada sobre a sua vida fora da escola, que apenas dessa forma eu poderia ouvir dela quais eram os seus planos agora que estamos terminando o Ensino Médio.

- Eu consegui uma bolsa de estudos em uma faculdade inglesa - Pietra contou com empolgação - Vou para Londres daqui há dois meses.

Aquela informação me pegou de surpresa. Londres? Não seria um problema para mim, é claro. Tenho dinheiro suficiente para visitá-la quantas vezes eu desejar. Soltei a respiração que tinha prendido por um rápido instante.

Todos aplaudiram e comemoraram a grande conquista de Pietra, mas logo voltamos ao nosso jogo e algumas rodadas depois, fui eu a ser questionado sobre verdade ou consequência.

- Consequência, com toda a certeza! - Falei com uma gargalhada alta.

Eu não poderia arriscar a ser exposto de alguma forma diante da garota que amo. Há aspectos da minha vida que é melhor que Pietra não saiba, pensei com um sorriso escroto. Sim, eu a amo, mas eu também tenho as minhas necessidades.

Fui obrigado a tomar duas doses de tequila e isso não foi nada difícil para mim. Voltamos ao jogo, mais algumas rodadas, a garrafa novamente apontou para Pietra. Eu já tinha bebido bastante a essa altura, as coisas pareciam um pouco turvas e eu não tinha certeza se ainda conseguia disfarçar o quanto aquela garota é especial para mim.

- Verdade! - Ela optou de maneira alegre.

- Você ainda é virgem? - A pergunta foi feita pelo idiota do Tony, é claro.

- Você não precisa responder isso! - Eu falei, elevando a voz com aborrecimento.

- Calma, Anton! - Maria Luiza pediu, segurando-me pelo braço - Pietra sabe que isso é apenas uma brincadeira. Ninguém a está forçando a nada.

- Sim, Tony, eu sou virgem - Pietra respondeu ao questionamento - Eu só tenho dezessete anos!

Todos riram das palavras de Pietra, pois a idade realmente não tem nada a ver com experiência sexual, mas eu não estava surpreso com a forma de pensar da minha garota. Ela é sempre tão certinha, pensei com um sorriso.

Pietra, ainda com um leve rubor nas bochechas, girou a garrafa mais uma vez, desta vez apontando para ninguém menos que eu, Anton.

- Verdade ou consequência, Anton? - perguntou ela, com um olhar curioso e divertido.

Encarei Pietra por um breve momento, sentindo meu coração bater mais forte. A verdade era tentadora, queria revelar meus verdadeiros sentimentos, mas uma pontada de medo me fez hesitar. Esconder minha paixão por tanto tempo criou uma zona de conforto, e admitir isso poderia mudar tudo. Entretanto, algo dentro de mim gritava para ser sincero, para arriscar tudo.

- Verdade - respondi finalmente, decidindo ser honesto, ao menos dessa vez.

Os olhos de Pietra encontraram os meus, parecendo procurar algo mais do que apenas uma resposta à pergunta do jogo.

- Você sempre flerta com várias garotas, mas nunca se envolveu realmente com nenhuma delas. Por quê? - perguntou ela, sem rodeios.

- Em outras palavras, Anton - Lucas interveio, antes que eu pudesse dar uma resposta - Você pega geral, mas não nunca namorou ninguém. É isso o que ela está dizendo.

- Todo mundo entendeu o que ela disse - Anneliese também acabou se metendo na história, rolando os olhos como se estivesse entediada.

Anneliese é minha irmã e ela realmente deveria estar entediada, pensei com diversão.

- Gente, deixem o Anton responder! - Priscila tentou voltar ao jogo.

Todos os olhos se voltaram para mim agora. A nossa turma do terceiro ano do Ensino Médio aguardando a minha resposta. Apenas a música ambiente continuou a tocar e percebi que em todos os rostos havia um sorriso de expectativa, aguardando por alguma resposta sarcástica.  

- Porque eu sou apaixonado por você, Pietra - Confessei, esquecendo de todas as pessoas que estavam à nossa volta.

No momento em que minhas palavras ecoaram na sala, o clima mudou instantaneamente. O ar ficou pesado e tenso, e a expressão animada de Pietra desapareceu. Sua reação era a última coisa que eu esperava.

- Eu... preciso ir embora...agora - ela disse com uma voz trêmula, olhando com certa apreensão para o relógio em seu pulso.

A turbulência de emoções em seu rosto era evidente. Pietra se levantou apressadamente, evitando olhar para mim, e saiu correndo da sala. Sem pensar duas vezes, ignorei a curiosidade e os comentários de todos e decidi segui-la. Encontrei Pietra já na calçada.

- Pietra, espere! - Chamei, correndo para alcançá-la.

Ela parou, mas ainda evitava olhar diretamente para mim. Seu silêncio me deixou nervoso, mas eu precisava saber o que estava acontecendo.

- Me desculpe, Pietra, eu... não queria te deixar desconfortável. Eu só... precisava dizer o que estava guardado aqui - falei, apontando para o meu coração.

Finalmente, Pietra levantou os olhos para me encarar. A tristeza em seu olhar era palpável.

- Anton, eu sinto muito... - começou ela, a voz embargada - Eu não sabia que você se sentia dessa forma. Eu tenho namorado, o Tales. E... eu estou apaixonada por ele.

As palavras dela atingiram meu coração como uma faca. Eu nunca tinha sentido uma dor tão profunda antes. Tudo o que eu mais temia acabou se tornando realidade.

- Eu não sabia... - murmurei, lutando para conter a tristeza que ameaçava me dominar.

Pietra olhou para mim com compaixão, mas suas palavras eram firmes.

- Anton, você é um cara legal, mas nós dois sabemos que somos muito diferentes. Eu gosto de você como amigo, mas... não consigo me ver envolvida com alguém como você. Você é um playboy, sempre cercado de garotas, e eu... eu quero alguém que seja responsável e que me trate com carinho.

Suas palavras foram como golpes sucessivos no meu coração. Ela estava certa.

- Eu entendo - murmurei - Desculpe por estragar tudo.

Pietra colocou a mão no meu ombro, mostrando compreensão.

- Não é sua culpa, Anton. Nós apenas somos diferentes. E eu nunca imaginei que pudesse te magoar.

Eu sabia que ela estava sendo sincera, mas aquilo não diminuía a dor que eu sentia. Pietra me deu um abraço reconfortante antes de se afastar.

Naquele momento, um carro encostou em frente à residência de Priscila, onde tínhamos feito a nossa festa de despedida da turma.

- Eu realmente preciso ir agora - disse ela, olhando para o carro parado.

Concordei com um aceno, incapaz de falar qualquer outra coisa ao perceber que aquele provavelmente era o namorado dela. Pietra se afastou e partiu, deixando-me com o coração partido e a sensação de que eu nunca conseguiria ser o homem que ela desejava e sem a menor disposição de lutar para mudar isso.

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