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Capa do romance Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a                    esperança é renovada.

Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a esperança é renovada.

Colin Adams vive mergulhado no luto e na culpa após perder a esposa e a filha. Amargurado, o arquiteto se isola do filho sobrevivente e afasta todos com sua arrogância. Sua vida muda ao contratar Isabelle Campbell como governanta. Mãe solo em busca de estabilidade, ela enfrenta o gênio difícil do chefe controlador. Entre conflitos e uma atração irresistível, surge uma chance de cura. É uma história intensa sobre perdão e como a esperança renasce em meio ao caos.
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Capítulo 2

ISABELLE

Neste exato momento estou na sala de estar da mansão em que irei

trabalhar.

Analisando rapidamente o lugar vejo um ambiente bem trabalhado, há

de se destacar. Não esperaria menos de um arquiteto famoso como Colin

Adams, e tenho certeza de que boa parte da mansão leva uma assinatura dele.

Ainda avaliando a casa, percebi quando uma pessoa apareceu no enorme

corredor em minha frente...

Um homem imponente, com cabelos que iam até perto das costas e

barba espessa, mas alinhada, caminhou a passos largos e enérgicos para mais

perto de mim, ficando a uma distância de um metro do meu corpo, não me

estendendo nem mesmo a mão. Sorriso então... nenhum.

O homem parecia um dos vilões de filmes de terror que me acostumei a

assistir. Não havia nenhuma afeição em sua face, o típico da pessoa que você

não conseguiria decifrar somente analisando por poucos segundos. Resolvi

quebrar o gelo do momento.

— Bom dia, me chamo...

— Eu sei como se chama. — Me cortou, com cara de poucos amigos.

— As instruções estão na mesa, é só as ler. — Me lançou um olhar

inquietante, e logo depois meneou a cabeça para a mesa em questão. — Acho

que sabe ler, estou certo?

— Sei, e...

— Então faça o seu trabalho e memorize bem minhas regras, se

conseguir essa proeza que basicamente mulher alguma consegue, tudo

correrá bem durante as horas que estiver aqui.

Que homem fofo! Só que não!

— Se houver dúvidas...

— Não haverá dúvidas! — Grunhiu ao me cortar novamente, e seu

rosto ficava mais irritado a cada palavra que proferia. — Ou você sabe ler e

interpretar ou não sabe! Decida-se!

— Eu sei ler e interpretar! — Forcei um sorriso, e pela primeira vez

não fui interrompida. Tenho certeza que foi pela minha frase curta, não dando

espaço para ser antecipada de alguma forma.

— Ótimo! — Virou as costas e caminhou para o lugar de onde veio

inicialmente.

Quando fui em direção a mesa onde estava disposto o papel das

instruções, ouvi novamente sua voz grave, mas ele nem se deu ao trabalho de

me olhar, visto que ainda continuava de costas.

— Outra coisa: não fale comigo!

— O que quer dizer com isso? — disse a frase em um segundo, já que o

medo de ser interrompida veio à tona.

— Exatamente o que ouviu! Somente se dirija a mim quando eu

conversar com você. Fui claro? — Colin continuava de costas, e parecia

aumentar sua voz a cada frase que se seguia.

— Sim, senhor.

— E não me chame de senhor.

Deus, me dê paciência, porque se me der forças...

— Tudo bem, Colin.

— Você começa amanhã.

Após dizer isso, o homem sumiu das minhas vistas, e segundos depois

ouvi uma porta batendo de uma forma estrondosa.

— Bom dia para você também — sibilei para mim mesma.

Fui em direção a lista, e vi alguns itens “normais”.

1 – Não me incomode! Sim, estou reforçando!

2 – É necessário que leve e busque Joshua na escola, mas isso somente

quando completar 15 dias de serviço, visto que não confio em você ainda, e

nem sei se isso irá ocorrer algum dia;

3 – Seu horário será de 07:00h até 17:00h. Não é das 07:01h até

17:01h, que fique claro. Eu cobro algo chamado pontualidade, e se eu

perceber que chegou atrasada por duas vezes você estará na rua!

4 – É terminantemente proibido entrar no corredor que dá acesso ao

meu quarto. DEIXEI UMA PLACA perto do mesmo escrito: “não vá

adiante”. DEDUZINDO QUE CONSEGUE LER E INTERPRETAR, acho

que saberá bem o que fazer quando se deparar com ela.

5 – Há dias que estou mais estressado que o habitual. Sim! Eu consigo

ser mais insuportável, então, evite ficar perto de mim, ou até mesmo respirar

ao meu lado.

6 – Você está aqui para gerenciar, e não para tocar nas coisas.

Explicando melhor, você delega funções, por assim dizer, e não fica mexendo

nos objetos ao seu redor. Seu trabalho é não deixar nada faltar, e se houver

uma falha nisso, estaremos com problemas. Pode ter certeza!

7 - Não traga ninguém para a minha casa! Conte isso como uma

advertência, não preciso dizer o que acontece quando houver duas, não é?

(Sim, é como se fosse um atraso no seu horário);

8 - Nunca. Jamais. Em hipótese nenhuma pergunte sobre o MEU

passado para mim ou qualquer pessoa que trabalhe aqui. Qualquer

comentário a respeito disso você será demitida. DEMITIDA!

9 – Qualquer dúvida converse com Helen, ela está em nossa casa há

vários anos, e sabe de tudo. Você está nesse emprego graças a ela, visto que

ela se recusou a ficar como governanta por eu ser insuportável;

10- E por último, mas não menos importante: Não me incomode! Força

do hábito! Aprendi que as pessoas gravam coisas importantes quando

reforçadas.

O homem tem um senso de humor negro, não há o que discutir, mas

apesar de tudo, agora entendi porque nenhuma mulher conseguiu trabalhar

mais de um mês aqui.

***

— Estou dizendo, ele me deixou apavorada e com medo de completar

uma frase sequer.

— Isso é sério, amiga?

— Ah, isso porque não mencionei o “bilhete” que mais parecia uma

ameaça que ele “pregou” em cima da mesa. — Tomei um gole do meu suco

de laranja e repensei as regras que ele escreveu.

— Isso porque nem começou de fato a trabalhar. — Lauren riu, e forcei

um sorrisinho fraco.

Lauren é a minha melhor amiga, e me ajudou bastante quando Rudolph

me abandonou. Como somos vizinhas há vários anos, somos confidentes em

relação a quase tudo, e nos tornamos inseparáveis. Ela é ruiva, baixa e tem os

olhos verdes-claros. Acho minha amiga linda, mas como várias mulheres que

conheço, ela tem um complexo com seu corpo, apesar de eu sempre tentar

levantar o seu astral.

Eu sou um pouco diferente. Tenho os cabelos pretos e longos, caindo

na altura do meu bumbum. Meço 1,60m e tenho os olhos negros. Não sou

assídua na academia, já que não disponho de tempo, mas possuo o corpo

razoavelmente bonito. Na verdade, nós, mulheres, nunca estamos satisfeitas

com nosso corpo, então...

— Vou tentar ignorar Colin o máximo possível.

— Isso não é ruim? — Cruzou os braços me olhando com o semblante

divertido.

— É o que ele quer, Lauren. No meu trabalho farei o que me

mandarem.

— Se está dizendo... — Levantou as mãos, simulando rendição.

— Eu preciso do dinheiro que ele irá me pagar, e farei de tudo para não

me afetar com as poucas palavras grosseiras dele. Simples assim.

Eu não sabia ainda, mas isso dificilmente iria acontecer.

***

O dia seguinte estava sendo um inferno na casa de Colin.

Um caminhão descarregou móveis e utensílios em frente ao portão

principal do casarão. Eu mais parecia uma barata tonta, já que não havia

informação alguma sobre isso. Não sabia nem em qual local os móveis

estariam dispostos, muito menos se eles eram realmente para cá.

— Isabelle!

Fui chamada por um homem, que mais parecia um dos seguranças da

casa, e que nem fez questão de conversar direito comigo, somente me

entregou um papel e disse: — Confira tudo. Se algo faltar você estará com

problemas.

Dito isto, deu as costas e foi em direção ao jardim.

O que há de errado com as pessoas dessa casa?

Depois de passar a última hora conferindo os objetos e tentando

entender onde os mesmos ficariam, eis que o motorista com a expressão mal-

humorada veio conversar comigo.

Estranho ele ser mal-humorado, não? Até porque ninguém que

frequenta essa casa é...

— Assine! Estou atrasado.

— Ainda não conferi, e...

— Está tudo aí, moça. Me ajude a te ajudar, vamos! — Falou um pouco

mais ríspido, me entregando a caneta. Leia-se: praticamente a jogou em mim.

Minha paciência já não estava das melhores, mas foquei no dinheiro

que receberia no fim do mês e abri um sorriso falso. Eu realmente precisava

desse trabalho.

Assinei o papel. Rapidamente o homem manobrou seu caminhão para

fora da mansão. Voltei para os meus afazeres, conferindo os objetos e a cópia

que me foi entregue, mas eis que...

Eu sabia!

Tenho um sexto sentido para algumas coisas, e antes mesmo de assinar

o papel, algo apitou em minha cabeça, contudo só agora vi a burrada que fiz.

Sim, está faltando algo.

Uma geladeira!

Procurei por tudo que é canto a bendita, mas infelizmente ela não

estava dentro da casa, nem mesmo na parte externa. E agora?

Terei que encarar o monstro e me explicar, claro, se eu conseguir falar

alguma palavra.

***

Fiquei naquele dilema: falo ou não falo com Colin?

Mesmo após duas horas, ainda estava com receio de procurá-lo na

mansão, só que não precisei pensar muito, já que o vi caminhando perto do

jardim, analisando alguns dos móveis que haviam chegado.

— Bom dia! — disse alegre, e só depois me dei conta da burrada, pois

o homem não sorri, e pelo que percebi é incapaz de falar bom dia também.

— Espero que esteja tudo aqui.

— Então... acho que faltou algo. — Sorri minimamente, um tanto sem

graça.

— Acha?! — Seu tom continuava ríspido.

— A geladeira não veio — disse por fim, já preparando meu

psicológico.

— Por que não me avisou no momento que deu falta dela?

— Eu... estava conferindo as mercadorias, mas o cara estava com

pressa, e só depois vi que ela não estava aqui...

— Quer dizer que assinou os papéis confirmando “todos” os materiais

entregues, mas está faltando “somente” a geladeira? — Claramente debochou

da minha estupidez ao me cortar, como de praxe.

Eu fui estúpida em cair na pilha do motorista, confesso.

— Sim, fui muito...

— Incompetente! — Me interrompeu já virando as costas. — Em vez

de me procurar e...

— Você disse para falar contigo somente se falar comigo. — Dessa vez

eu que o interrompi ao retrucá-lo. Depois que Colin se virou notei uma

pequena veia marcando sua testa.

O homem respirou fundo, me analisou, baixou a cabeça e depois fechou

os olhos. Parecia contar mentalmente carneirinhos e sibilava baixinho

algumas palavras que não consegui ouvir. Não muito tempo depois, chegou

perto de mim, e senti um misto de medo e desejo quando senti seu cheiro

com mais intensidade. O homem é um cavalo, mas cheira bem.

Pensei que ele me diria algo, ou até mesmo me xingaria, mas ele foi em

direção a mesa onde o bilhete direcionado a mim fora pregado.

Sim, isso mesmo, o homem pregou o bilhete dos “dez mandamentos”

na própria mesa.

Brincadeira, não resisti!

Colin retirou a caneta de um dos seus bolsos e escreveu algo no papel

logo em seguida. Momentos depois me lançou um olhar furioso e saiu da sala

pisando duro. Não me contive por muito tempo e fui em direção ao bilhete,

pude perceber uma mensagem fofa e carinhosa direcionada a mim.

Vi que inteligência não é o seu forte, então, vou deixar outra regra

aqui: converse comigo quando houver problemas. Fui claro ou vou precisar

desenhar?!

Realmente, minha convivência com esse homem será mais difícil do

que previ.

***

O dia de trabalho foi duro, há de se destacar. Depois do meu vacilo

inicial, fiz de tudo para correr atrás dessa “geladeira”, e no fim do dia o

motorista fez “a boa vontade” de retornar.

O homem estava uma fera, só que eu estava mais irada, ah... estava.

— Você atrasou minha última entrega, e...

— Não quero saber! — O cortei. — Na próxima vez faça a decência de

esperar eu conferir e não me apressar. Se fizesse o seu trabalho direito

conseguiria entregar tudo, mas tentou ser rápido e precisou voltar ao mesmo

lugar por incompetência sua.

O homem ficou branco, e logo depois esbugalhou os olhos em minha

direção.

Sim, sou nervosa quando quero.

— Tu-tudo bem, senhora. — Se afastou rapidamente, mas fiquei com

certa dó pelas palavras que falei. Claramente o intimidei.

Quando virei as costas, eis que Colin me observava a no máximo meio

metro do meu corpo. O susto foi tanto que dei um pulo para trás.

— Que susto, homem! — Falei, e ele permaneceu impassível, só me

fitando.

— Que hora errada para ter pulso firme, não acha? Se tivesse feito isso

antes, você não teria problemas.

— Não queria falar com ele dessa maneira, vi que o homem ficou

branco e desconcertado.

— Claro, ele me viu atrás de você!

Está explicado...

Pelo visto ele não ficou assim por minhas palavras, e sim pela presença

de Colin no meu encalço.

— Me desculpe novamente por...

— Ao invés de pedir desculpas de minuto em minuto, porque não

presta mais atenção em seus afazeres? Acho que percebeu que não gosto de

conversar contigo, e acho que é recíproco, então, que tal fazer o seu trabalho

e esquecer o que não é importante, hein?

— Eu...

— Boa noite, Isabelle.

Novamente saiu do meu raio de ação, mas a idiota aqui...

— Espere!

A altura da minha voz, bem como a urgência da mesma o fez virar,

com o semblante curioso.

— Você me deu boa noite, então... boa noite para você também, Colin!

Pela primeira vez percebi um mínimo sorriso em sua face, mas se

enganam vocês se era algo bom...

— Você é inacreditável. É cada uma que Helena contrata...

— O que eu fiz?

— Além de tudo não é nem um pouco esperta.

Seguiu seu rumo e fiquei perplexa em saber que ele havia achado ruim

o simples fato “de se virar” para eu desejar uma boa noite a ele.

Homens...

Colin Adams, qual grosseria a mais devo esperar de você?

CAPÍTULO 3

“Nunca meça a dor de alguém se você não sabe o que ela

passou durante a vida...”

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