Capa do romance Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a                    esperança é renovada.

Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a esperança é renovada.

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Colin Adams vive mergulhado no luto e na culpa após perder a esposa e a filha. Amargurado, o arquiteto se isola do filho sobrevivente e afasta todos com sua arrogância. Sua vida muda ao contratar Isabelle Campbell como governanta. Mãe solo em busca de estabilidade, ela enfrenta o gênio difícil do chefe controlador. Entre conflitos e uma atração irresistível, surge uma chance de cura. É uma história intensa sobre perdão e como a esperança renasce em meio ao caos.

Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a esperança é renovada. Capítulo 1

ISABELLE

Caminhei apreensiva em direção à uma agência de empregos perto da

minha casa. Após me deparar com “aquele” anúncio online, precisava ver

com meus próprios olhos se era “tudo aquilo”.

Há alguns dias, pesquisando sobre ofertas de trabalho na internet, me

deparei com uma vaga em aberto um tanto inacreditável, já que o salário era

no mínimo cinco vezes maior que o normal. Após preencher meus dados,

cerca de uma hora depois recebi uma ligação marcando minha entrevista para

hoje.

Ser mãe solo em Miami é complicado. Os gastos são extensivos, e

como tenho filha e mãe para auxiliar, acabo ficando sobrecarregada em várias

ocasiões.

Meu sonho sempre fora cursar a faculdade de arquitetura, mas como fui

mãe bem nova - e o pai de Hanna nos abandonou -, acabei por passar

dificuldades em minha vida, deixando esse sonho para mais tarde. Sempre fui

uma mulher sonhadora e batalhadora, só que no momento as batalhas estão

vindo em primeiro lugar, e como minha filha é prioridade, abdiquei de algo

que tanto almejo para focar em educá-la, para que ela cresça com condições

de se tornar uma mulher independente.

Já estava no saguão do pequeno escritório esperando ser anunciada.

Havia ligado antes para obter algumas informações, porém quase nenhuma

foi passada a mim.

Estou desempregada, e isso já basta para ter que me reinventar e

procurar empregos aleatórios pela cidade, só que após colocar meus olhos

nessa oferta de emprego fiquei tentada a descobrir mais sobre o trabalho.

Após ser anunciada adentrei ao local a passos largos. Uma senhora de

cabelos grisalhos e óculos vermelhos estava sentada analisando alguns

papéis. Depois que se deu conta da minha presença, me olhou de cima a

baixo, fazendo sinal para me sentar. Esbocei um sorriso breve, sentando na

cadeira logo depois.

— Isabelle Campbell... — Pegou um dos papéis. — Meu nome é

Helena. Vejo que está interessada no cargo.

— Sim. Muito.

Meu breve diálogo no telefone foi a respeito disso, mas não houve

muitos detalhes, até porque não havia conversado diretamente com Helena.

— Bem, o emprego se trata de ficar responsável por uma casa e por

quem está nela, se for resumir os fatos. Sei que por telefone minha assistente

não lhe passou tudo, então, estou aqui para esclarecer suas dúvidas.

— O que realmente preciso fazer?

— Aceitando o trabalho oferecido, você será a governanta de uma casa,

por assim dizer. Como Colin gosta dizer, você será a faz tudo. Literalmente

tudo, tirando preparar o almoço dele e o jantar. E quanto antes começar,

melhor.

Por que ela fala como se o emprego já estivesse sendo direcionado

para mim?

— Você não fará nenhuma entrevista? Nem me conhece direito, e...

— Isabelle Campbell... — Me interrompeu, e novamente pegou o papel

no qual leu meu nome segundos atrás. — 23 anos de idade, mãe solo. Mora

na Collins Avenue, número 6784. Trabalhou em um restaurante chamado

Garby’s por um ano, logo após o fechamento do mesmo, trabalhou como

babá para a família Rogers, e após essa família se mudar da cidade, ficou

desempregada por três meses, e... — Voltou sua atenção para mim. — ...está

sentada em minha frente neste exato momento.

Como essa mulher sabe todas essas informações?

— Estou confusa. Não passei nenhum dado meu, somente meu nome e

sobrenome, como pode saber tanto?

— Meu bem, acho que não sabe a que vaga de emprego está se

dispondo, então, vou lhe ajudar. — Me olhou intensamente, com seus olhos

castanho-claros. — Para o salário que foi ofertado a pessoa tem que ser de

confiança.

— Você tem os meus dados, só que não sabe essa informação —

retruquei.

— Se enganou novamente! — Um sorrisinho satisfatório brotou em sua

face. — Liguei para o dono da lanchonete onde trabalhou, e também para a

família Rogers. Você foi bem indicada. Sei tudo da sua vida, meu bem.

Analisei meticulosamente por alguns segundos aquela mulher que me

intrigava. Eu me sentia espionada de certa forma, e por dentro experimentava

um misto de divertimento e surpresa.

— Você fala como se eu já estivesse contratada.

— Basicamente. É só dizer sim. — Cruzou os braços e sorriu.

Que coisa estranha...

Nunca vi um salário tão alto com uma entrevista tão fácil. Na realidade

estou querendo fazer vários questionamentos, mas estou com medo de piorar

algo que parece estar certo. Essa conversa está muito estranha.

Se é que posso chamar de conversa uma entrevista assim.

— Por que está tão fácil, me diz?

— Farei uma analogia: é fácil porque se torna difícil. Simples assim.

Ninguém consegue a proeza de permanecer nesse emprego, e espero estar

errada sobre você.

— Preciso saber de algo pessoal da vida desse tal Colin?

Sua face mudou bruscamente. Me espantei, já que ela começou a me

olhar ternamente.

— Sim. — Seus olhos ficaram um pouco tristes. — Ele perdeu a esposa

e a filha em um acidente de carro há cerca de um ano.

— Meu Deus! — Arregalei os olhos, surpresa com a intensidade das

palavras.

— Colin não fala sobre o que houve e se fechou após esse acidente. Ele

sempre foi um homem sério, carismático e centrado, mas agora parece que a

parte boa dele se foi, e nada em sua vida faz sentido, exceto...

— Exceto...? — Me interessei.

— Joshua, seu filho. Ele será uma de suas responsabilidades se aceitar

o trabalho.

— Entendo.

— Ainda assim, Colin se distanciou dele. Não tente entendê-lo,

Isabelle. — Parou por um breve momento, olhando para o nada e respirando

fundo. — Uma regra: não pergunte sobre o seu passado. Se quiser manter o

emprego tente ao máximo ignorar Colin. Nenhuma das dez mulheres que

contratei duraram no mínimo 1 mês o auxiliando. Me falaram muito bem de

você, é por isso que estou confiando que será diferente das demais, só preciso

que não faça nenhuma bobeira. Colin te demitiria somente por olhar torto em

sua direção, e estou cansada de tentar encontrar pessoas para esse trabalho.

— Por qual motivo se preocupa tanto com ele? — indaguei, sabendo

que ela não parecia uma simples mulher que trabalhava em uma agência de

empregos. O jeito que ela fala desse homem é diferente e me chama a

atenção. Não tenho dúvidas disso.

— Ele é meu amigo. Era. Não sei bem como falar isso agora. —

Baixou os olhos. — Eu e meu marido tivemos uma amizade muito bonita

com Colin e Jeniffer, sua falecida esposa. Depois que ele a perdeu... tudo

mudou, e o único contato que temos um com o outro é esse: procurar

mulheres para tomar conta de sua mansão.

— Entendo.

Alguns segundos de silêncio preencheram o pequeno ambiente, e notei

pela primeira vez desconforto por parte dela. Continuei um pouco apreensiva,

já que não imaginava a nossa conversa se desenrolando dessa maneira.

— Vamos aos fatos. — Juntou as mãos e focou em mim novamente. —

Em suma, Colin será insensível, sem educação, mal humorado, perverso,

mesquinho e outros “lindos adjetivos” que esqueci. — Parou, repensando

algo. — Um tirano, meu bem. Não... isso é pouco.

Olhei desconfiada para Helena, que fazia extremamente o contrário do

que pensara depois de tudo que ouvi. Em vez de enaltecer as qualidades do

seu suposto amigo, ela se dava ao luxo de fazer exatamente o contrário.

— Isso é um incentivo?

— Estou sendo realista. Colin é um homem infeliz, que não liga para

quase mais nada na vida. E, acredite ou não, ele próprio me disse para

especificar suas “qualidades” para alguém que pleiteasse a vaga. Pelo menos

Colin é um homem sincero, e tem noção de que é insuportável.

Estava interessada e um pouco retraída. Saber disso tudo é estranho,

pensei que fosse uma vaga normal, mas pelo visto de normal não tem nada, a

começar pelo salário que é cinco vezes superior ao que é pago no mercado.

Será que isso tudo é para suportar sua chatice e afins?

Não pode ser somente isso...

— Não é possível que ele seja tão insuportável. — Afirmei com

cuidado, e ela se inclinou sorrindo.

— Digamos que o demônio veio passear na Terra, e resolveu se

estabelecer por aqui. Esse é o Colin, um dos demônios da pior parte do

inferno. Mesmo assim o considero meu amigo, há de se destacar.

— Ele é tão difícil assim como pessoa? — Soltei uma risadinha

abafada.

— Meu bem, acredite quando digo que preferiria conhecer o próprio

Lúcifer pessoalmente do que Colin. — Parou e girou a caneta me analisando.

— Então, lhe pergunto novamente, você está realmente disposta a aceitar esse

trabalho?

Minhas contas não se pagam sozinhas, e estou passando por um

momento de dificuldade. Não hesitei.

— Sim, eu aceito.

Me levantei para sair do seu pequeno escritório, só que novamente ouvi

a voz de Helena.

— Só para saber... ele é o famoso Colin Adams.

Rapidamente me virei, surpresa com essa informação. Ele é o arquiteto

mais famoso da cidade, e admiro os trabalhos que ele fez durante esses anos.

A vida dele é bastante reservada pelo que pesquisei, e uma tragédia a marcou,

só que foi abafada na época pela mídia.

— Tudo bem.

— Espero que isso não influencie em nada o seu trabalho — falou. —

Minha secretária estará lhe esperando do lado de fora para ajeitar o que falta.

— Não irá. Obrigada pela oportunidade — falei decidida.

Após sair da sala tentei relembrar ao máximo o que sabia sobre Colin

Adams...

***

Ao chegar em casa me deparei com Hanna, minha filha, desenhando na

sala, enquanto minha mãe preparava o almoço. Fiquei na altura dela, e após

fitar seus olhos azuis esperançosos, logo tratei de informar as boas novas.

— Tenho uma novidade para você, raio de sol.

— O que é, mamãe?

— Arrumei um emprego.

— Eba!

Abracei minha filha, ela sabia o quanto a palavra “emprego” era

importante para mim, já que conversávamos sobre o assunto de forma

corriqueira. Apesar de ela ser novinha e ter completado 5 anos mês passado,

Hanna é esperta em alguns assuntos, e entende muita coisa que falo.

— Vou conversar um pouco com a vovó. Rapidinho volto para colorir

com você, certo?

— Uhum.

Fui na direção da minha mãe e dei-lhe um grande abraço apertado. Ela

se chama Elisa, e tem 55 anos de idade. Ela trabalha desde os 15 anos, e sente

prazer no que faz. Posso afirmar que devo tudo a ela. Fui auxiliada desde que

me entendo por gente. Me recordo dela segurando a barra em momentos que

eu não tinha a menor perspectiva de assuntos ao meu redor se ajeitarem.

— Pelo visto está feliz. — Sorriu sinceramente enquanto ajeitava a

cozinha.

— Sim. Fui procurar alguns esclarecimentos sobre a vaga de trabalho

que me ofereceram, e é tudo verídico. O salário é aquele e consegui a vaga do

emprego.

— Parabéns, filha. — Sua face se tornou alegre instantaneamente.

— Nós duas sabemos que estamos passando certas dificuldades, e...

Não continuei a falar por alguns segundos. Acabei relembrando de um

passado não muito distante onde tivemos que deixar de comer para Hanna ter

algo para se alimentar. Meus olhos se encheram de lágrimas, e balancei a

cabeça tentando esquecer isso por um momento.

— Filha...

— Nunca mais quero ver Hanna pedindo um prato de comida e não ter

refeição alguma em casa. Isso é inadmissível para mim como mãe. Sinto que

fui falha.

Minha mãe trabalha como diarista em alguns dias. Moramos na mesma

casa e dividimos as despesas. Nem sei dizer o quanto é importante sua ajuda,

sem ela eu não seria nada.

Como a família Rogers se mudou há alguns meses, fiquei

desempregada nesse período, e com isso ajudei minha mãe trabalhando de

faxineira em alguns lugares, isso quando podia levar Hanna comigo, algo

esporádico.

— Não se culpe, filha. — Tocou em um dos meus ombros. — Você

não poderia imaginar que Rudolph a deixaria antes do casamento.

— Só que ele me deixou.

— Sua vida irá melhorar. É só ter fé, meu anjo.

No fundo tinha esperança pelas suas palavras, contudo, ainda estava

receosa com o rumo da minha vida.

CAPÍTULO 2

“Trabalhar com um chefe grosso, arrogante e estúpido não é

ruim, difícil mesmo é ter saudades dele quando conhece o seu mais

novo patrão...”

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Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a esperança é renovada. de Conteúdos

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