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Capa do romance Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a                    esperança é renovada.

Quando acreditamos estar em nosso limite, eis que a esperança é renovada.

Colin Adams vive mergulhado no luto e na culpa após perder a esposa e a filha. Amargurado, o arquiteto se isola do filho sobrevivente e afasta todos com sua arrogância. Sua vida muda ao contratar Isabelle Campbell como governanta. Mãe solo em busca de estabilidade, ela enfrenta o gênio difícil do chefe controlador. Entre conflitos e uma atração irresistível, surge uma chance de cura. É uma história intensa sobre perdão e como a esperança renasce em meio ao caos.
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Capítulo 3

COLIN

Quanto mais eu falo para Helena contratar uma mulher inteligente,

menos ela faz questão de me ajudar! É in-crí-vel!

É pedir muito alguém discreto e que saiba ler a porra de um simples

bilhete?!

Vida de merda!

Além de tudo ela me contrata uma mulher espalhafatosa, que assina

documentos sem conferir. É pra foder com o meu dia. E isso porque ela disse

que foi bem recomendada, se não fosse...

Se acalme, Colin!

O dia tem 24 horas. Claro! Essa afirmação foi idiota, mas fazendo uma

analogia, posso dizer que passo a porra das 24 horas irritado. Não sorrio, (a

exceção é quando estou debochando), e posso dizer que praticamente nada

me deixa feliz. Há algo, ou melhor, alguém que me deixa assim, mas nem

mesmo o meu filho eu consigo encarar. Não mais.

Sim, sou um homem falho. Um pai falho. Um marido...

— Esqueça esse assunto, Colin — disse a mim mesmo, olhando para o

céu. — E você, eu queria saber porque me odeia tanto, se é que existe! —

falei, acho que para Deus, em quem eu acreditava há um ano, mas que agora

tenho dúvidas de sua existência.

Minha vida mudou bruscamente há alguns meses. Em suma, perdi a

minha esposa e minha filha em um acidente de carro. Na verdade não perdi

só isso, eu perdi tudo! Minha filha era uma parte de mim, parte a qual nunca

mais vou recuperar.

Quase ninguém sabe da história real dessa tragédia, já que na época fiz

o possível para que praticamente ninguém tivesse acesso aos pormenores

dela.

Sou um pai destruído por dentro, e a cada momento que respiro sinto

saudades de Maddison, minha filha. Ela era o motivo dos meus sorrisos mais

bobos, que agora se tornaram escassos. Minha filha fazia o possível para que

eu me sentisse um homem completo, e por mais que meu dia tivesse sido

estressante, ou algo tivesse dado errado, lá estava ela do meu lado, colorindo

seus livros infantis enquanto eu projetava algo.

Quanto ao meu filho, devo dizer que apesar de ele ser mais desapegado,

eu conseguia estar presente como pai em vários momentos, e sempre o

acompanhava nos esportes que ele praticava. Também éramos bastante

carinhosos um com o outro, e tal como Maddison, ele também ficava muito

tempo comigo. A vantagem de se trabalhar em casa é essa.

Bem, a distância foi o que restou. Sei que Joshua me culpa pelo que

aconteceu com a irmã e a mãe dele, e não sei como voltar a ter intimidade

com meu filho.

Sou um dos arquitetos mais famosos do país. Algumas das obras mais

famosas da cidade foram por meu intermédio, e algumas estrelas de cinema

fizeram questão de me procurar após o meu início promissor.

Em um primeiro momento conciliei bem meus afazeres, e realmente

sentia prazer em meu trabalho. Essa vontade se esvaiu de mim quando

descobri que minha vida pessoal era rodeada de segredos, e além de tudo,

pouco tempo depois perdi um dos bens mais preciosos da minha vida.

Meu celular começou a tocar incessantemente, e como já sou um

homem estressado, estava para jogá-lo na parede, mas resolvi atender quando

notei a pessoa que me ligava.

— Preciso falar pessoalmente contigo, Colin. — James Sullivan, um

dos mais renomados empresários da nossa cidade, falou prontamente.

Além de um homem importante, o considero como meu amigo pessoal.

Estranho eu falar que tenho amigos, não? A verdade é que possuo alguns,

apesar de ter me tornado um homem com sentimentos limitados.

— Tem a ver com o projeto? — O questionei, já sabendo que era bem

provável que esse fosse o assunto principal.

— Sim, e mais algumas coisas.

— James...

— Me encontre no Vero Italian Restaurant às 13h em uma semana.

— Daqui a sete dias?

— Sim, terei somente esse horário. Posso contar com a sua presença?

Sei que é um homem ocupadíssimo... — debochou. Ele sabia que eu

praticamente não saía da minha mansão.

— Pode deixar.

Desliguei o telefone, mas certa curiosidade rondou meus pensamentos

sobre o que James queria comigo. Já não era burrice minha ter prometido ao

homem que eu faria o projeto de sua mais nova mansão?

ISABELLE

Ao chegar em casa ainda havia resquícios de estresse por todo o meu

corpo.

É difícil me estressar, mas hoje o dia foi complicado, principalmente

por minha falha ao conferir com exatidão os objetos que chegaram na

mansão.

Colin Adams...

Já vi homens arrogantes que se acham o centro do mundo, mas não

igual ao Colin. É complicado descrevê-lo, mas dificilmente alguém

conseguiria conviver ao seu lado por 24 horas, e acho que ele compreende

isso e se isola. Minha opinião.

Estava penteando os cabelos da minha filha enquanto ela brincava com

sua boneca, Lucy, que parecia amar mais do que o normal. Depois de algum

tempo, Hanna me encarou, e já sabia que seria questionada sobre algo.

— Como é o seu patrão, mamãe?

— Um doce... — revirei os olhos. — Como jiló!

Depois que rimos um pouquinho, voltei minha atenção para o seu

cabelo.

— Ele é chato, mamãe?

— Ele precisa melhorar muito para conseguir essa proeza. —

Relembrei do seu rosto.

— Hã? — Seus olhinhos confusos me fitaram.

— Não é nada, meu amor. Ele é difícil, só isso.

— Tá bom.

Depois do jantar terminei alguns afazeres e coloquei Hanna para

dormir.

Ao deitar-me, repassei mentalmente meu dia, e coloquei em minha

cabeça que prestaria o dobro de atenção no meu serviço enquanto estivesse

trabalhando...

***

Acordei assustada.

Por um momento não entendi o motivo do meu sobressalto, mas

quando olhei para o meu celular percebi que estava em uma enrascada. São

exatamente 6h30m, e eu deveria estar na casa de Colin em no máximo trinta

minutos.

Não iria dar tempo!

Meu cérebro (como um bom amigo), tratou de me desanimar logo após

correr em direção ao meu guarda-roupas. Por sorte, minha mãe levaria Hanna

com ela, já que a escolinha dela está em período de férias.

Merda de celular que não despertou!

Ou despertou e eu não ouvi?! Ótimo! Nem eu mesma sei o que houve,

só que não vou ficar procurando desculpas, preciso chegar a tempo de alguma

forma.

Me arrumei em tempo recorde, e fui voando ao meu carro, entrando no

mesmo e acelerando o máximo para chegar na mansão até as 7h, algo que eu

estava duvidando que aconteceria.

***

Entrei na casa de Colin exatamente às 7h, e um alívio descomunal

tomou conta de mim.

Eu consegui!

Sorri para mim mesma, mas quando fui em direção a uma das portas

notei uma figura masculina com os braços cruzados, impassível, me olhando

como se eu fosse uma pessoa desconhecida. Ao estabelecermos contato

visual, meneou a cabeça de um lado para o outro, em desacordo, visualizando

logo em seguida o seu relógio.

— 5 minutos atrasada!

— Eu... — Olhei para meu celular, e o mesmo marcava 7:01h.

Contando o trajeto que fiz no interior da mansão, eu tinha absoluta certeza

que estava dentro do horário. — Cheguei exatamente às 7h — retruquei.

— Vou ter que lhe ensinar a olhar as horas corretamente? — Seu

timbre ficou mais grosso.

— Olhei meu celular agora, estou falando...

Não consegui falar por muito tempo, e o homem veio para mais perto,

fazendo-me segurar a respiração por causa da nossa distância, que era

curtíssima neste momento.

De novo aquele perfume gostoso...

— Olhe para trás! — Seu tom de voz mandava, não simplesmente

pedia.

— Colin, eu já entendi que...

— Vou ter que ficar te interrompendo toda hora?! — Grunhiu,

estreitando os olhos ao me cortar pela milésima vez.

Obedeci.

— Agora foque na parede à sua frente! — Senti seu hálito perto do meu

pescoço, e fiquei um pouco arrepiada.

Novamente fiz o que me foi pedido e me deparei com um enorme

relógio.

— Qual horário está sendo marcado no relógio que está na parede?

Merda!

— São 7:05h.

— O que isso significa?

— Estou atrasada. — Assenti, abaixando um pouco a cabeça.

— E o que acarreta atrasos? — Ele parecia se divertir neste momento,

visto que a tonalidade da sua voz mudou um pouco.

— Uma advertência.

— Acho que entende o que acontecerá quando ocorrer a segunda, não

é, dona Isabelle?

— Sim, Colin. — Me dei por vencida. Sabendo que esse homem é

meticuloso em excesso, eu poderia ter ajustado meu celular com os inúmeros

relógios da casa.

— Ótimo! — Senti-o sair da minha presença, e instantes depois sumiu

das minhas vistas.

***

Sentei-me em uma das cadeiras da cozinha e coloquei minhas mãos na

cabeça. Depois de alguns segundos inerte, abri meus olhos, e percebi uma

mulher me observando com um sorriso destacado em sua face.

— Me desculpe, não queria interromper seu momento.

— Sem problemas. — Me levantei, tentando sorrir, algo difícil depois

do que aconteceu mais cedo. — Você trabalha aqui, certo? — indaguei.

— Sim, meu nome é Helen. Qualquer dúvida estarei aqui para lhe

ajudar, criança. Eu deveria te apresentar o pessoal que trabalha para Colin,

mas ontem percebi o quanto estava atarefada.

Uma senhora de cabelos grisalhos que aparentava estar no auge de seus

50 anos de idade me fitava com um grande sorriso, e por dentro me senti

bem, já que a maioria das pessoas dessa casa não sabem o que é sorrir.

— Graças a Deus encontrei a famosa Helen! — Soltei sem pensar, e a

senhora riu um pouco de mim. — Me desculpe — complementei.

— Não se preocupe. Acho que já conheceu Colin. — Arqueou as

sobrancelhas quase no mesmo instante em que passei a mão em meus cabelos

relembrando de sua fisionomia, principalmente seu rosto lindo, mas

rabugento.

— Sim.

— Suponho que tenha o adorado, ele é um amor, não é?

Olhei para ela incrédula, só que Helen franziu o rosto de um modo

divertido e tive de rir novamente. Ela só podia estar sendo sarcástica, porque

o homem...

— Prefiro não responder. — Me esquivei, não podia tomar uma

segunda advertência, batendo meu recorde, e ser demitida em menos de três

dias de trabalho.

— Colin é estressado assim com a maioria das pessoas. 99%, se

fizermos uma média.

— Quem é a exceção?

— Por incrível que pareça... eu!

— Ele sempre foi assim? Estúpido, arrogante, grosso, desbocado...

Me dei conta das palavras proferidas um segundo depois e levei minha

mão à boca, já havia cometido um erro hoje ao chegar atrasada, e agora estou

falando mal do meu chefe justamente para a pessoa que está trabalhando com

ele há alguns anos.

Você é muito esperta, Isabelle!

— Não, Colin era o oposto. — Baixou um pouco a cabeça e seu olhar

ficou triste de uma hora para outra. — Aconteceram algumas coisas na vida

dele, e...

Parou. Ela claramente não estava confortável em falar sobre isso, e não

serei eu a pessoa que cometerá a segunda burrada no dia.

— Não importa. Farei o meu melhor em minhas atribuições. — A

interrompi sutilmente, sorrindo. Não queria entrar em detalhes sobre algo que

claramente ela não se sentia à vontade, e ainda tinha a regra número 8.

Sim, eu gravei as regras.

— Certo, Isabelle. — Sorriu ternamente. — Já estava esquecendo, há

uma pessoa que preciso te apresentar.

— Claro.

Nos encaminhamos para uma da salas da mansão, e bem lá no fundo do

corredor vi um menino brincando com alguns carros de controle remoto.

— Vou deixá-los a sós para se conhecerem. Ele se chama Joshua, e é o

filho de Colin.

Depois que nos viu, ele se levantou. Analisei seus traços enquanto ele

vinha em minha direção, e vi muito de Colin em Joshua. Os cabelos, os

olhos, a boca...

O menino era praticamente a cópia do pai, sem sombra de dúvidas.

— Olá. — Me agachei um pouco.

— Oi, moça.

— Qual é o seu nome? — perguntei apesar de saber.

— Joshua. E o seu?

— Isabelle. É um prazer te conhecer. — Sorri.

— Hm. Você vai trabalhar aqui quanto tempo?

— O dia todo. Por que a pergunta?

— Não... é... se vai ficar aqui muitos dias. Meu pai manda as mulheres

embora em poucos dias — disse com enorme inocência, logo desviando seus

olhos, que mostravam inquietação e tristeza.

— Farei tudo ao meu alcance para ele não fazer o mesmo comigo.

— Tá bom, moça.

Joshua não tem conhecimento do quanto é difícil isso que falei, mas me

desdobraria para não perder o emprego, apesar de estar certa que passarei

apertada em todos os momentos que ficar frente a frente com Colin.

CAPÍTULO 4

“Alguns corações se abrem quando menos

esperamos...”

ISABELLE

Ontem completei uma semana de trabalho.

Não tive problemas depois do episódio com o meu atraso. Isso se deve

principalmente ao fato de não ter visto Colin com frequência, e quando nos

cruzamos, nenhuma palavra saiu de sua boca.

Eu continuava dizendo bom dia quando o via, e o homem seguia

ignorando minhas palavras. Não tenho culpa de ter uma boa educação até

mesmo com as pessoas que não merecem.

Havia acordado mais cedo que o normal. Minha mãe estava ao telefone,

conversando com uma de suas patroas. Ao notar seu semblante, vi certa

angústia estampada em sua face.

— O que houve, mãe?

— Aconteceram alguns imprevistos e não poderei levar Hanna comigo

hoje no trabalho.

Me alarmei. É algo fora de cogitação levá-la comigo, já que com mais

uma advertência...

— Me desculpe, filha.

— Darei um jeito. — Sorri, tentando disfarçar a angústia que se alojou

em meu peito.

Repassei mentalmente minhas opções, e olha que beleza: não havia

nenhuma!

Lauren, minha amiga, está trabalhando, e tirando minha amiga e a

minha mãe, não havia ninguém com quem eu pudesse deixar Hanna. Não sou

muito de confiar nas pessoas.

Saco!

— Está tudo bem, Isabelle. — Respirei.

Fui para o quarto da minha filha, e percebi ela em um sono bastante

tranquilo.

— Queria ter essa paz — sibilei enquanto permanecia de pé, a

observando por alguns segundos.

É incrível como nossos filhos crescem de uma forma assustadora.

Quando percebi ela já havia se tornado uma criança de cinco anos de idade.

Como a escolinha dela está de férias, em alguns momentos temos que

nos desdobrar, mas não reclamo, a questão é o hoje.

Acordei Hanna, que ainda estava sonolenta.

— Tenho uma novidade: hoje você ficará comigo no trabalho, filha. —

Beijei sua testa.

— Onde você trabalha é legal? — disse, ainda meio que dormindo.

— Muito.

— Tá bom, mamãe.

Depois de terminar meus afazeres e ajudar Hanna fui para a mansão de

Colin.

***

Minha primeira providência ao chegar na mansão foi procurar Helen.

Talvez ela pudesse me salvar, ou não...

— Você acha que posso esconder minha filha na casa? — falei

mansamente.

— Esconder? — Helen riu.

— Ah, você entendeu... — relatei sem graça. — Não disse a você, mas

já tomei uma advertência, e estou preocupada.

— Eu sei. Colin me disse.

Ótimo!

— Você irá me dedurar? — perguntei com calma.

— Fique tranquila, Isabelle. Não vou dizer nada, e acho que pode

deixar sua filha em uma das salas. Colin dificilmente irá sair do quarto hoje,

pelo que fiquei sabendo ele está focado em um novo projeto.

Fiquei mais aliviada com sua frase, e provavelmente manteria meu

emprego por mais tempo.

Provavelmente...

***

O período da manhã foi sossegado. Não vi sinal de Colin em parte

alguma, e precisava não vê-lo neste dia. Soa errado já que estou em sua casa,

só que é necessário, pelo menos por hoje.

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