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Capa do romance Renascida para Amar e Vingar

Renascida para Amar e Vingar

Dona Aurora sempre mascarou seus furtos com sorrisos, e eu aceitei o silêncio pela paz. No entanto, sua ganância destruiu minha vida ao incriminar meu irmão, Pedro, pelo roubo de chuteiras valiosas. Traída pelo meu noivo e humilhada publicamente, morri em desespero após perdermos tudo. Agora, despertei três semanas antes da tragédia. Com esta segunda chance, não serei mais vítima. Vou usar minha fúria para antecipar cada golpe e destruir quem me arruinou.
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Capítulo 2

Dona Aurora gostava de dizer que só estava "colocando as coisas em ordem".

Ela dizia isso enquanto suas mãos ágeis, com unhas sempre bem pintadas de vermelho, se moviam rapidamente pelos pertences dos outros.

Na minha vida passada, eu acreditava nela. Ou fingia acreditar.

Era mais fácil.

Desta vez, quando a vi no quarto de Pedro, meu irmão mais novo, com a mão dentro do cofrinho em formato de bola de futebol dele, eu não senti nada.

Nenhuma raiva, nenhuma surpresa. Apenas um frio gelado na boca do estômago.

Ela tirou duas notas de dez reais, dobrou-as com uma velocidade impressionante e as escondeu na manga do seu vestido florido.

Depois, fechou o cofrinho com um sorriso satisfeito, como se tivesse acabado de realizar uma boa ação.

"Prontinho. Tudo arrumado."

Ela se virou e me viu parada na porta. Seus olhos piscaram por um segundo, mas o sorriso não vacilou.

"Lívia, querida. Já ia te chamar. O quarto do seu irmão estava uma bagunça."

Na minha vida passada, eu teria desviado o olhar. Teria dito "Obrigada, tia", e depois reposto o dinheiro do meu próprio bolso, sentindo um gosto amargo na boca.

Mas eu não era mais aquela Lívia.

Aquela Lívia morreu em uma estrada escura e chuvosa, com o coração partido pela traição e pela vergonha.

Eu me aproximei lentamente, com um sorriso calmo no rosto.

"Tia Aurora, que bom que a senhora está aqui. O Pedro estava feito um louco procurando justamente vinte reais que sumiram do cofrinho dele. Ele precisa para comprar umas meias novas para o treino."

Parei bem na frente dela, olhando diretamente para a manga do seu vestido.

O sorriso de Dona Aurora congelou. O sangue sumiu de seu rosto, deixando-a pálida sob a maquiagem.

"Vinte reais? Que estranho. Eu não vi nada. Só estava limpando a poeira."

Sua mão foi instintivamente em direção à manga, mas ela parou no meio do caminho, forçando uma risada nervosa.

"Essa criança, sempre perdendo dinheiro."

Eu continuei sorrindo, sem desviar o olhar.

"É verdade. Mas que coincidência, não é? Ele jurava que estava no cofrinho. Talvez tenha caído quando a senhora limpou."

Eu me inclinei, como se fosse procurar no chão.

O pânico nos olhos dela era quase palpável. Ela sabia que eu sabia.

"Não, não! Eu olhei bem. Não tinha nada no chão."

Ela rapidamente tirou a mão da manga. As duas notas de dez reais caíram no chão, amassadas.

O silêncio no quarto era pesado.

"Olha só!", exclamei, com uma falsa surpresa. "Estava aqui o tempo todo. Que sorte a sua ter achado, tia. O Pedro vai ficar tão feliz."

Peguei o dinheiro do chão e o estendi para ela.

"A senhora pode entregar para ele? Ele vai achar que a senhora é uma heroína."

Dona Aurora ficou olhando para o dinheiro na minha mão como se fosse veneno. Ela tremia.

Nesse momento, nosso avô, Seu Jorge, apareceu na porta, atraído pelo silêncio incomum.

"O que está acontecendo aqui? Aurora, você está bem? Está pálida."

Ele era o pai dela, e em seus olhos, sua filha nunca errava.

Dona Aurora viu sua salvação. As lágrimas brotaram em seus olhos instantaneamente.

"Pai! A Lívia... ela está me acusando! Está dizendo que eu roubei dinheiro do Pedro!"

A voz dela era um lamento, cheio de mágoa e injustiça.

Seu Jorge me fuzilou com os olhos.

"Lívia! Que absurdo é esse? Peça desculpas para a sua tia agora mesmo! Ela passa o dia todo cuidando desta casa, se matando por vocês dois, e é assim que você agradece?"

Na minha vida passada, eu teria chorado. Teria tentado me explicar, gaguejando, e no final, teria pedido desculpas só para acabar com a briga.

Desta vez, eu mantive a calma.

"Vovô, o senhor entendeu tudo errado. Eu nunca acusei a tia de nada. Pelo contrário, eu estava agradecendo a ela por ter encontrado o dinheiro que o Pedro perdeu."

Virei-me para minha tia, que ainda soluçava.

"Não é, tia? A senhora não achou os vinte reais dele que caíram no chão?"

Eu a encurralei. Se ela negasse, teria que explicar por que o dinheiro estava no chão, perto dela. Se confirmasse, estaria admitindo que a minha versão era a verdadeira.

Ela me olhou com puro ódio. Um ódio que eu conhecia muito bem. Era o mesmo olhar que ela me deu quando a polícia me levou na frente de toda a vizinhança.

Hesitando, ela finalmente assentiu, com o rosto molhado de lágrimas falsas.

"Sim... foi isso. Eu achei. Mas o jeito que ela falou... pareceu uma acusação."

Seu Jorge suavizou a expressão, mas ainda parecia desconfiado.

"Então está tudo resolvido. Aurora, não chore mais. Lívia, tenha mais cuidado com as suas palavras. Sua tia é uma mulher sensível."

Ele passou o braço pelos ombros de Dona Aurora e a levou para fora do quarto, consolando-a como se ela fosse a vítima.

"É sempre a mesma coisa", ele murmurava. "Ninguém nesta casa me dá valor. Ninguém vê meus sacrifícios."

Fiquei sozinha no quarto de Pedro, com os vinte reais na mão.

Eu tinha vencido a primeira batalha.

Mas a guerra estava apenas começando. E desta vez, eu não seria a única a sangrar.

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