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Capa do romance Quando o Silêncio do Marido Mata

Quando o Silêncio do Marido Mata

Após um incêndio fatal levar seu filho e deixar sua mãe entre a vida e a morte, uma mulher enfrenta a frieza extrema de João, seu marido. Enquanto ela implorava por socorro, ele priorizava a sobrinha e ignorava suas chamadas. Ao pedir o divórcio, é humilhada e bloqueada, percebendo que nunca foi parte da família dele. Diante da negligência que causou sua perda mais profunda, ela decide romper o silêncio para lutar por sua dignidade e reconstruir sua vida.
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Capítulo 2

Quando acordei, o quarto do hospital estava silencioso, o cheiro de desinfetante pairava no ar.

A luz fraca da televisão na parede mostrava as notícias. Um incêndio enorme no centro da cidade, dezenas de mortos e feridos.

Meu corpo doía, mas não era nada comparado ao vazio dentro de mim.

Meu filho não estava mais ali.

Peguei meu celular com as mãos trêmulas e liguei para meu marido, João.

Minha mãe, Clara, estava na cama ao lado, dormindo profundamente depois de inalar muita fumaça.

Ela quase morreu tentando me salvar.

Eu sabia que precisava me divorciar.

O telefone chamou, uma, duas, três vezes. Finalmente, João atendeu, a voz dele irritada.

"O que foi, Sofia? Estou exausto. O dia foi um inferno."

Antes que eu pudesse falar, ouvi outra voz ao fundo, a voz da minha sogra, Helena.

"João, querido, a Beatriz está com medo. O incêndio a deixou muito assustada. Fica com ela um pouco, ela precisa de você."

Beatriz era a sobrinha de João.

"Sofia, ouviu? A Beatriz está em choque, não para de chorar. Tenho que cuidar dela. O que você quer?"

A voz dele era fria, distante.

Um sorriso amargo se formou em meus lábios.

"João, vamos nos divorciar."

Houve um silêncio do outro lado, que durou apenas um segundo. Depois, a raiva dele explodiu.

"Você enlouqueceu? Divórcio? Por quê? Porque eu não estava aí? Eu estava trabalhando! Salvei a vida de dez pessoas hoje! A minha sobrinha quase morreu de susto! Você não tem um pingo de compaixão?"

Compaixão?

Minha mãe e eu quase morremos queimadas, e eu perdi nosso filho.

E ele me pedia compaixão pela sobrinha dele, que só estava assustada?

As lágrimas queriam vir, mas eu as segurei. Não ia chorar na frente dele.

"Você não entende, não é?" eu disse, a voz calma, mas vazia. "Acabou."

"Acabou? Sofia, você está grávida! Quer que nosso filho cresça sem pai? Pára de drama! Eu estou ocupado com a minha família! Você devia pensar no que fez de errado!"

Ele desligou.

Na cara.

Tentei ligar de novo.

Bloqueado.

Olhei para a minha barriga, agora vazia.

Ele nem sabia.

Ele nem sabia que o bebê que ele usava para me chantagear já não existia.

A única coisa que me prendia a ele se foi.

O divórcio não era uma opção, era uma necessidade.

Ele disse que estava ocupado com a família.

Eu não era a família dele? O nosso filho não era?

Ele não se importava. Se se importasse, não teria ignorado minhas dezoito chamadas enquanto o fogo consumia o prédio. Não teria me dito para "me virar".

Eu era sua esposa. Eu carregava seu filho.

Um filho que esperamos por três longos anos.

A dor física do parto prematuro, o desespero de ver o fogo se aproximando, a fumaça enchendo meus pulmões. A imagem do meu bebê, tão pequeno, sem vida.

Tudo voltou de uma vez.

De repente, o celular da minha mãe tocou ao meu lado.

Era meu sogro, Pedro.

Pensei em atender, dizer que ela estava dormindo.

Mas ela acordou, a tosse seca rasgando o silêncio. Ela pegou o telefone.

A voz de Pedro era alta, furiosa, e eu pude ouvir cada palavra.

"Clara! Que tipo de filha você criou? Ela é louca? Ligar para o João e pedir o divórcio num momento como este! Ela não tem coração? O sangue ruim do pai dela corre mesmo nas veias dela!"

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