Capa do romance Dono do mundo - Irmãos Dvorak - Livro I

Dono do mundo - Irmãos Dvorak - Livro I

7.9 / 10.0
Após um fim de semana marcado pela luxúria, Gael e Dominique se veem presos em uma teia de mentiras e mal-entendidos. Ele é um homem focado e responsável, enquanto ela é uma mulher virgem e independente, capaz de qualquer sacrifício por quem ama. Entre copos de cerveja e uma proposta inesperada, o desejo floresce naturalmente. Embarque na história dos Dvorak, onde o amor é recebido de braços abertos e as conexões transformam destinos de forma intensa.

Dono do mundo - Irmãos Dvorak - Livro I Capítulo 1

Dedicado aos meus amados leitores que me acompanham. Escrevo por vocês, para vocês.

Gael Dvorak

— Bom dia, família! — Entrei na cozinha com um sorriso de quem acordou de ótimo humor. Como não estaria assim depois de receber a visita nada discreta da nossa vizinha, Paola? Uma mulher de corpo escultural e muita disposição. Depois de um encontro por acaso em uma boate, e uma noite de pura luxúria, ela passou a ter o costume de aparecer na sacada quando durmo na casa do meus pais, ela deve ter algum trato com um dos seguranças, é a única forma de entrar tão facilmente nesse lugar tão seguro. Como sou um cavalheiro, sempre ofereço carona para o meu quarto. Está certo que ela é uma mulher casada, mas não é minha culpa que seu marido passe tanto tempo viajando e deixe a mulher transbordando tesão. Se um dia eu me casasse, poderia até viajar, mas daria um trato de tal forma que minha mulher precisaria de repouso até a minha volta.

O pensamento do tal “trato” me trouxe um novo sorriso.

— Bom dia! — Escuto a voz baixa de Matteo, logo em seguida a voz suave da nossa mãe, Dakota Dvorak. A mulher que mais admiro e respeito no mundo. Nosso pai tem Alzheimer avançado, descobrimos quando ele tinha trinta e três anos. Foi um baque enorme na família. O primeiro ano foi de muito desespero e luta, pois não aceitamos muito bem o diagnóstico. Sempre associávamos essa doença a velhice, mas no fim tivemos que aceitar. É raro, mas acontece e aconteceu.

Desde muito cedo meu pai deixou as responsabilidades da família nas mãos dessa mulher incrível, depois que crescemos tomamos as rédeas. Eu tomei as rédeas. Meus irmãos eram dois pamonhas. Claro que só eu posso achar isso! Qualquer um que sequer pensar mal deles vai perder alguns dentes.

Enquanto me sento e uma empregada serve o meu café, olho para Matteo. Novamente me vem a sensação de que ele escondia algo. Não era possível alguém ser tão calado e introspectivo. Ele sempre foi na dele, mas depois dos dezesseis anos isso piorou. Matteo parecia aquelas pessoas misteriosas de filmes de crimes. Parecia esconder algo.

A cadeira vazia ao lado dele me fez perguntar:

— E o Apollo?

— Viajou praticamente de madrugada. Foi fazer um retiro espiritual — respondeu desinteressado.

Ele não deve ter visto Paola saindo ou esqueceria qualquer desejo por retiro e iria em busca de perder a virgindade. Estou vendo a hora que esse babaca vai virar padre ou pastor de alguma igreja. Sempre em retiros, escaladas, acampamentos, mas nunca com uma mulher. Será que ele era gay e achava que precisava esconder da família? Seria uma tremenda babaquice, pois duvido que nossos pais ou Matteo diria algo contra. E eu? Não estou nem ai com quem ele transa ou deixa de transar. Tenho minha própria vida para me preocupar. Só tentaria me meter na vida de um dos meus irmãos se um deles estivesse fazendo algo prejudicial a eles mesmos ou a outros.

Como resposta ao que ouvi, apenas bufei. Matteo me olhou por poucos segundos antes de se levantar e dizer:

— Você vai querer que eu esteja ao seu lado quando for receber os novos contratados?

Ele já sabia a resposta, mas fiz questão de dizer:

— Óbvio! Mesmo que você não diga nem cinco palavras, acho essencial.

Ele só balançou a cabeça e saiu.

Porra, nesses momentos queria ter poderes mediúnicos para entender o gesto dele. Deve ser sim, pois balançou a cabeça afirmando. Devo dizer que essa história de que gêmeos são ligados é uma grande mentira. Nunca fiz ideia do que se passa na cabeça dos meus irmãos. A única exceção são os momentos de dor física, estranhamente sentimos na pele quando um de nós estava em perigo. Descobrimos isso em um acampamento do colégio, na nossa infância, quando Matteo saiu da barraca e se machucou. Sentimos uma angústia que só passou quando estávamos juntos e certos de que ele estava fora de perigo.

Ah, meus irmãos! Muitas vezes odiados. Sempre amados.

Com esse pensamento, terminei o meu café, me despedi da nossa mãe com um beijo na cabeça e segui para o meu carro assobiando. Era hora de conhecer os novos membros da família Dvorak. Foi assim que papai e mamãe nos ensinou a tratar cada um dos nossos funcionários. Éramos uma grande família espalhada pelo mundo.

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