
Quando o Amor Machuca
Capítulo 2
Ainda deitada sob as cobertas, prendi a respiração e esperei. A porta do quarto logo se abriu e Elliott entrou todo molhado, indo direto para o banheiro, sem nem olhar para mim. Alguns segundos depois, ouvi o som do chuveiro.
Agora, eu estava bem acordada, então me levantei e vesti uma camisa de dormir sobre a camisola de seda. Depois, peguei o pijama de Elliott e o coloquei no armário que ficava ao lado da porta do banheiro antes de ir para a varanda.
Era a estação das chuvas, portanto, o que começou como uma simples garoa, já era uma chuva grossa a essa hora. O som forte das gotas de chuva batendo nas janelas fechadas e paredes podia ser ouvido de todos os lugares da casa.
Eu estava observando uma árvore balançar como se estivesse dançando na chuva quando ouvi um barulho atrás de mim subitamente. Ao me virar, vi Elliott saindo com uma toalha de banho enrolada na cintura. Gotas de água pingavam de seu cabelo, escorrendo pelo seu corpo brilhante e dando destaque ao seu peito duro e abdômen esculpido. Ele parecia um deus grego e não consegui tirar os olhos dele.
Elliott percebeu que eu estava olhando para ele, por isso, me encarou com uma expressão séria. "Venha aqui", ele falou em um tom sem emoção.
Eu me aproximei, caminhando obedientemente, então ele jogou uma pequena toalha em mim e ordenou em voz baixa: "Seque meu cabelo."
Havia um secador de cabelo no banheiro, o qual ele odiava usar. Eu já estava acostumada a fazer isso, porque ele sempre me pedia.
Ele se sentou na cama e eu subi ali sem hesitar para me ajoelhar atrás dele e começar a secar seu cabelo com a toalha.
"O funeral do seu avô é amanhã, então temos que ir cedo para a antiga mansão." Eu não tinha intenção de puxar conversa, mas fiquei com medo de que ele se esquecesse do funeral se eu não o lembrasse, porque ele só pensava em Olivia.
"Tudo bem." Ele assentiu e voltou a ficar em silêncio.
Eu entendi que ele não queria conversar, por isso, não pronunciei mais nenhuma palavra. Apenas terminei de secar o cabelo dele antes de me deitar na cama, pronta para dormir. Ultimamente, eu estava sentindo muito sono.
Depois de bocejar, eu me enrolei no meu lado da cama. Elliott gostava de ficar em seu escritório até meia-noite depois de tomar banho. Porém, por alguma razão, ele apenas vestiu o pijama e se deitou ao meu lado hoje.
Fiquei tentando descobrir o que estava acontecendo, então ele me puxou em seus braços e me beijou com tanta força que perdi o fôlego. Em seguida, olhei para ele, confusa, e balbuciei: "Elliott, eu..."
"O que foi? Você não está a fim?", ele perguntou enquanto seus olhos ficavam gélidos e selvagens, fazendo com que eu desviasse meu olhar desconfortavelmente. Eu não queria fazer sexo com ele, mas não tinha o direito de dizer não.
"Você poderia ser gentil?" Eu estava grávida de seis semanas e tinha receio de que o bebê pudesse se machucar se Elliott fosse rude como da última vez.
Ele franziu a testa e não disse nada.
A chuva ficou cada vez mais forte e os raios caíam ocasionalmente e iluminavam todo o quarto. O clarão era acompanhado por trovões estrondosos.
Os gemidos e o som de estocadas fortes contra a carne só pararam um longo tempo depois. Minha mente estava confusa e, antes que eu recobrasse o juízo, Elliott se levantou para ir até o banheiro como se nada tivesse acontecido. Meu estômago e minhas partes íntimas doíam tanto que comecei a suar frio. Então, estendi a mão até a gaveta da mesa de cabeceira para pegar alguns analgésicos. Porém, eu me lembrei do bebê e desisti de tomar o medicamento.
De repente, um zumbido interrompeu o silêncio que dominava o quarto nesse momento. Era o celular de Elliott que estava vibrando na mesa de cabeceira. Olhei para o relógio na parede e vi que já eram 23h. Ninguém ligaria para ele a uma hora dessas, exceto Olivia.
O barulho do chuveiro parou e, logo em seguida, Elliott se aproximou, vestindo um roupão de banho. Ele enxugou as mãos e pegou o celular. Tentei ouvir a pessoa do outro lado da linha, mas não consegui entender nem uma palavra.
"Pare de agir como uma criança, Olivia", disse Elliott com uma expressão levemente carrancuda. Depois disso, ele suspirou profundamente e encerrou a ligação antes de ir vestir umas roupas, preparando-se para sair como já havia feito muitas vezes no passado. Geralmente, eu ignorava esses passeios noturnos. No entanto, algo me levou a agarrar a mão dele desta vez e implorar: "Não vá! Por favor, poderia ficar aqui esta noite?"
Ele olhou para mim como se eu fosse uma alienígena. Um segundo depois, um brilho de frieza e desagrado surgiu em seus belos olhos. "Você está sendo pegajosa assim só porque acabamos de trepar?"
A pergunta dele foi fria e irônica, fazendo com que eu me sentisse surpresa, mas não pude deixar de rir. Então, eu o encarei com um rosto inexpressivo e disse: "O funeral do seu avô é amanhã, portanto, não se esqueça de que temos que partir cedo. Mesmo que sinta muita falta dessa mulher, você sabe muito bem qual é a coisa certa a se fazer."
"Por acaso isso é uma ameaça?" Ele estreitou os olhos em duas fendas, agarrando meu queixo de repente antes de me encarar nos olhos. Em seguida, ele disse com uma voz fria: "Gianna Happer, você ficou muito ousada."
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