
Princesa Safira Uma Viagem entre Mundos
Capítulo 3
João
"Prazer, João Ricardo." Digo à nova babá que contratei para minha filha, Lilica, que tem apenas 8 anos de idade. Desde que perdeu a mãe para o câncer, ela tem ficado muito isolada aqui na fazenda. Passou meses sem querer ir à escola e, quando achei que essa fase havia passado, percebi que ela continua passando muito tempo na casinha da árvore que meu pai construiu para ela quando era mais nova.
Perdi minha esposa, Ellen, há um ano e meio, e desde então não consegui me envolver com mais ninguém, além de casos de apenas uma noite. Administro as empresas da família e também a fazenda Sol Nascente. Comecei a cuidar da fazenda com 28 anos, quando meu pai teve problemas de saúde. Ellen amava vir para cá com Lívia, e, desde que ela se foi, não consigo mais sair deste lugar. Hoje, com 32 anos, não penso em me casar novamente. Porém, sei que Lilica precisa de uma figura feminina mais presente em sua vida. Passo muito tempo no trabalho e tenho dado pouca atenção à minha filha.
"Juliana, o prazer é todo meu." Diz a moça, que não aparenta ter mais de 25 anos, corando e sorrindo timidamente.
"Certo, Juliana. Preciso de alguém para cuidar da minha filha, e minha secretária me informou que você está apta para o cargo. Teremos uma recepção da empresa aqui na fazenda hoje, e será uma ótima oportunidade para fazermos um teste. Qualquer dúvida sobre o contrato, você poderá se reportar diretamente à Adeline, minha secretária."
"Claro, senhor João Ricardo. Muito obrigada pela oportunidade!" Diz a moça, sorrindo largamente e jogando o cabelo para o lado de forma sedutora.
Já me acostumei com mulheres tentando se aproximar de mim. Ser viúvo faz com que as pessoas pensem que você está à procura de uma substituta, o que não é o meu caso. Peço a Maria, minha governanta, para conduzir Juliana, mostrar o local e apresentá-la à minha filha depois que ela se acomodar.
Saio para os fundos da fazenda, em direção à casinha da árvore, para ver meu raio de sol. Tenho chegado muito tarde na fazenda, e Maria me disse que Lilica tem passado a maior parte do dia lá em cima. Também preciso levá-la para se arrumar; os convidados já devem estar chegando para a nossa recepção.
Não gosto muito de festas, mas fechamos um contrato com uma multinacional e nossas ações quase triplicaram após a transação. Preciso comemorar com meus funcionários. Sou um chefe linha dura. Não gosto que as pessoas fiquem muito confortáveis ao meu redor; se ficam confortáveis, tornam-se desleixadas. Foi com pulso firme que consegui dobrar e quase triplicar o patrimônio dos meus pais. Hoje, porém, vou abrir uma exceção. Foi muito difícil fechar esse contrato, e preciso mostrar que aprecio o esforço de cada um.
"Lívia, está aí em cima?" grito, esperando que ela me ouça enquanto me aproximo da árvore onde meu pai construiu a casinha.
Logo vejo seu rostinho aparecer na janela. Lilica foi um presente que Ellen deixou para mim. Ela é muito doce e pura. Não quero que perca sua ingenuidade por conta do que enfrentamos nos últimos anos.
"Papai, você chegou!" Ela diz alegremente e logo desaparece da minha vista. Não demora nem dois minutos e vejo suas perninhas descendo pela escada. Ela vem correndo em minha direção com seu vestidinho rodado e se joga nos meus braços. Eu a pego no colo, levanto-a no alto, giro e abraço meu pequeno raio de luz. Lilica é meu porto seguro, meu motivo para voltar para casa. É para que ela tenha um bom futuro que trabalho tanto, e o motivo pelo qual não desisti da minha vida quando perdi Ellen.
"Vamos, você tem que se preparar para a nossa festa. Os convidados já devem estar chegando, e você nem conheceu sua nova babá."
"Papai, posso convidar minha amiguinha?"
"Claro, minha princesa, pode chamar quantos amiguinhos quiser."
"Que bom, porque eu já convidei ela!" Diz minha filha, e fico muito feliz em saber que ela voltou a fazer amizade.
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