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Capa do romance O Último e Amargo Adeus do Meu Coração

O Último e Amargo Adeus do Meu Coração

Com apenas semanas de vida, recebi o pior golpe: meu noivo e minha melhor amiga estavam juntos. Eles roubaram o afeto do meu irmão caçula e celebraram o noivado com minha fortuna. Minha família me desprezou, exaltando a traidora enquanto eu definhava. Eles esperavam minha derrota silenciosa, mas planejei um desfecho diferente. Ao ceder meu império e dar minha bênção, garanti que minha morte deixe um legado de vergonha eterna para destruir a felicidade deles.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Juliana Salles

O corredor do hospital parecia interminável, cada passo um testemunho da dor que eu estava combatendo. Forcei-me a andar, a parecer normal. Chegar em casa foi uma vitória, mas parecia vazia. A porta da frente se abriu para uma casa que costumava ser meu santuário, agora um palco para a decepção deles.

Léo, meu irmão, estava esparramado no tapete da sala, absorto em um videogame. Débora sentou-se ao lado dele, observando pacientemente, sua mão ocasionalmente afagando seu cabelo. Ele ergueu os olhos quando entrei, seus olhos encontrando os meus por um segundo fugaz. Então, ele se encolheu, recuando. Ele não disse olá. Em vez disso, aproximou-se mais de Débora, quase se escondendo atrás dela.

Era um eco doloroso, porque Débora costumava cuidar de mim exatamente assim.

Fechei os olhos por um momento, depois forcei um sorriso. Minha boca parecia seca, rachada. "Oi, Léo. Oi, Débora." Minha voz soou normal, irritantemente normal.

Débora se virou, seu rosto uma máscara de doce preocupação. "Juliana! Você chegou! Como está se sentindo, querida?" Ela usava o roupão de seda que eu comprei para o aniversário dela, aquele que eu admirei por meses antes de finalmente gastar uma fortuna com ele para ela. Ficava melhor nela, mais suave, mais fluido. Sempre ficava.

Ela se moveu, não para me abraçar, mas para ficar de pé, graciosamente, em frente à lareira. Meu lugar. O lugar onde eu sempre ficava quando chegava em casa, para me aquecer, para me sentir ancorada. Ela o ocupava agora, completamente.

"Estou... melhor", menti, meu sorriso fixo. Eu segurava um envelope grosso na mão. "Na verdade, Débora, tenho algo para você."

Ela inclinou a cabeça, sua expressão de curiosidade inocente. "Para mim? Juliana, você não devia. Você sempre me mima." Seus olhos, no entanto, brilhavam com uma avareza que eu estava começando a reconhecer.

Aproximei-me, meus movimentos rígidos, e entreguei-lhe o envelope. Continha a escritura da casa da família Salles, a casa que nossos pais construíram, a que eu salvei da hipoteca após a morte deles. A casa onde Léo e eu crescemos. A casa onde eu cresci.

Ela pegou, seus dedos tremendo levemente. Ela o abriu, examinando o documento. Seus olhos se arregalaram, sua respiração presa na garganta. "Juliana... isso é... a casa. A nossa casa. Você está falando sério?" Sua voz era um sussurro chocado.

"É apenas uma casa, Débora", eu disse, meu sorriso inabalável, mesmo enquanto meu coração parecia se esfarelar em pó. "Um presente. Um presente especial para uma amiga especial. Afinal, você fez tanto pelo Léo, por nós. É o mínimo que posso fazer."

Por uma fração de segundo, sua compostura vacilou. Um lampejo de algo sombrio — triunfo misturado com confusão — cruzou seu rosto. Então, ela rapidamente recuperou sua fachada inocente, seus olhos se enchendo de lágrimas. "Juliana, eu... eu não sei o que dizer. Isso é demais. Você sabe o quanto esta casa significa para você."

"Não significa nada para mim agora", pensei, as palavras frias e claras em minha mente. Meu futuro era medido em semanas. O que era uma casa para uma mulher moribunda?

Inclinei-me, minha voz baixando para um sussurro, apenas para ela. "Eu sei de tudo, Débora. Tudo o que você e o Daniel têm feito." Seus olhos piscaram, mas ela sustentou meu olhar, sua atuação impecável. "Mas não se preocupe. Eu abençoo sua união. Eu abençoo seu futuro. Apenas mantenha o Léo feliz. É tudo o que peço."

Nesse momento, Daniel entrou, recém-saído do banho, o cabelo ainda úmido. Ele congelou, nos vendo tão perto, minha cabeça perto do ouvido de Débora. "O que está acontecendo aqui?" ele exigiu, um tom nervoso em sua voz.

Débora caiu em prantos, segurando dramaticamente a escritura contra o peito. "Oh, Daniel! A Juliana é tão boa para mim! Ela me deu a casa! A nossa casa!" Ela soluçou em seu ombro, sua voz abafada, mas alta o suficiente para ser ouvida. "Ela é tão gentil, tão altruísta!"

Daniel olhou dela para mim, sua expressão indecifrável. Uma mistura de choque, alívio e uma pitada de acusação. Ele abriu a boca, mas eu o interrompi.

"Estou cansada", eu disse, minha voz mal passando de um sussurro. "Preciso descansar." Virei-me para Léo, que ainda estava grudado em seu jogo, mal reconhecendo minha presença. "Léo, ouça a Débora, ok? Ela sabe o que é melhor para você."

Ele murmurou um "Ok" evasivo, seus olhos nunca deixando a tela. Então, sem olhar para mim, ele se virou para Débora. "Débora, podemos comprar aquele jogo novo que você prometeu?"

Débora sorriu, uma curva triunfante, quase imperceptível, em seus lábios. "Claro, querido. Tudo por você." Ela beijou o topo de sua cabeça.

E então eu ouvi. Uma voz pequena e inocente, a voz do meu irmão, clara como um sino. "Obrigado, mãe."

Minha respiração falhou. O mundo girou. Tropecei, agarrando a parede do corredor para me firmar. A dor física era uma pontada surda comparada à ferida aberta na minha alma. Meu irmão, o menino que eu criei, a razão pela qual lutei tanto, havia chamado outra mulher de "mãe".

Tranquei-me no meu quarto, o último bastião da minha privacidade. As lágrimas vieram então, quentes e ardentes, embaçando minha visão. Caí no chão, meu corpo sacudido por soluços. O câncer, geralmente um assassino silencioso e insidioso, rugiu para a vida, seus tentáculos se torcendo através dos meus ossos, uma agonia incandescente. Os analgésicos, momentaneamente esquecidos, não podiam tocar esse tipo de dor.

Eu estava morrendo. E eles já haviam me substituído.

Meu olhar caiu sobre meu armário, cheio de roupas de grife, meticulosamente organizadas. Sapatos caros, joias brilhantes. Tudo pelo que trabalhei, tudo o que possuía. Em breve, tudo seria dela. Da Débora. Ela usaria minhas roupas, andaria com meus sapatos, dormiria na minha cama. Ela viveria minha vida.

Olhei para meu reflexo no espelho de corpo inteiro. Abatida, pálida, olhos fundos. Já um fantasma. "Três semanas", sussurrei para a estranha que me encarava. "Três semanas para terminar o que você começou."

Eu não os deixaria vencer completamente. Eles teriam a riqueza, o poder, a família. Mas eu garantiria que eles seriam assombrados para sempre. Esta noite foi apenas o começo. A revelação de sua traição, meticulosamente planejada, seria meu presente final e devastador. Eles se arrependeriam de cada momento disso. Eu só não estaria viva para ver. Mas o mundo veria.

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