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Capa do romance O sócio

O sócio

Minhas lembranças sobre ele eram pautadas apenas em sua postura presunçosa e sua personalidade extremamente egocêntrica. No entanto, o destino decidiu cruzar nossos caminhos mais uma vez. Ao reencontrá-lo agora, percebi imediatamente que meu coração e minha sanidade estavam em sério risco. Aquela antiga imagem deu lugar a uma realidade avassaladora, deixando-me com a certeza de que eu estava completamente perdida diante de sua presença marcante.
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Capítulo 2

Quando Gabriel abriu a porta do carro para mim, percebi que estava completamente deslumbrada. Ele saiu do veículo trajando um terno preto sob medida, uma camisa branca impecável e um colete que chamava a atenção. A sensação de vê-lo me deixou excitada. Ao entrar no carro, com seus bancos de couro preto, o aroma que se misturava ao cheiro do couro dominou todas as minhas terminações nervosas.

Ao me olhar, ele soltou um suspiro e comentou:

— Uau! Você está tão diferente.

— Nós nos encontramos há aproximadamente quatro anos, ou você só se recorda de mim da época do ensino médio?

— Não é isso, é apenas que você está diferente.

— Tudo bem, vou interpretar isso como um elogio, apesar de lembrar que você, Sr. Gabriel, não seria capaz de fazê-lo.

— Relaxe, eu só queria dizer que você está muito bem!

— Obrigada! Você também não está nada mal!

Vinte minutos depois, já estávamos no restaurante.

— Então, Alice, o que motivou sua ligação? Tenho consciência de que não sou a sua pessoa preferida na lista de contatos.

— Vamos ao x da questão: necessito de um sócio para abrir um negócio e pensei em você.

Nesse instante, meu estômago se contraiu, pois percebi que ele parecia um tanto confuso em seus pensamentos, considerando tudo o que eu havia compartilhado anteriormente.

— Qual seria a natureza desse negócio?

— Um café. Trabalhei em um por cinco anos, estudei extensivamente sobre o tema e possuo um bom entendimento a respeito. Contudo, tenho algumas economias, mas, caso algo não ocorra conforme o planejado, não conseguiria mantê-lo em funcionamento por mais de nove meses sem recorrer a um empréstimo.

— O que o levou a crer que eu teria interesse?

— Bem, sei que você não aprecia trabalhar com sua família e também reconheço suas habilidades em negociação, além de suas diversas ideias que sua família jamais aceitaria.

Com a nossa empresa, você terá a oportunidade de obter lucros e tomar suas próprias decisões, desde que eu também concorde, é claro.

— A proposta não é desonesta, e me parece vantajosa!

— Então, o que você tem a dizer sobre isso?

Ele tomou um gole de sua bebida, fixando o olhar em mim. Aqueles poucos segundos pareceram uma eternidade. Seu olhar era tão intenso que me causou um arrepio.

— Sim, aceito ser sócio!

— Ótimo! Então você aceita? Não se arrependerá, teremos uma excelente parceria.

— Isso será interessante — afirmou ele com um olhar arrasador.

— Não seja ridículo, estou me referindo à nossa sociedade.

— Entendi! Um brinde aos negócios, então.

— Sim, um brinde aos negócios.

Ele me observava com um olhar que parecia querer me devorar ali mesmo à mesa. No entanto, seu celular vibrou, e sua expressão tornou-se séria.

— Está tudo bem?

— Sim, mas, infelizmente, precisamos ir; surgiu um imprevisto que preciso resolver.

— Claro. Mas está tudo bem? Posso te ajudar?

— Infelizmente, não. Neste caso, sou apenas eu.

A viagem de retorno foi breve, mas inquieta; alguns minutos depois, eu já me encontrava em frente ao meu edifício, imersa na fragrância de Gabriel, que se misturava ao aroma do couro. Ele desceu do veículo e abriu a porta para mim, encerrando nossa noite com um firme aperto de mãos.

— Agradeço pelo jantar, estava magnífico! Nos veremos amanhã, então?

— Nossa, você já está ansiosa para me ver novamente?

— Tão egocêntrico! Meu único interesse em você reside em nossa sociedade.

— Mas isso pode mudar.

— Apenas se for em seus sonhos. Até amanhã, Gabriel!

— Até, sócia! Eu te ligo amanhã.

— Certo, estarei aguardando!

Troquei de roupa e imediatamente liguei para Lucas, pois ele precisava estar a par de todas as novidades. Ele não demorou a atender.

— Olá, Lucas, te acordei?

— Olá! Não, ainda não havia me deitado. Já está em casa tão cedo? Pensei que demoraria mais.

— Sim, ocorreu um imprevisto com o Gabriel e tivemos que retornar para casa mais cedo. No entanto, ele já havia aceitado a proposta anteriormente; portanto, podemos iniciar o projeto do café.

— Que ótimo! Nos encontraremos amanhã para dar início ao processo.

— Sim, estou tão ansiosa que nem sei por onde começar.

— Sempre é pelo começo, querida. (risos)

— Você é tão engraçadinho. Beijos, até amanhã!

Fui dormir com a mente repleta de pensamentos, especialmente sobre ele, Gabriel. Sua presença me tirou o sono; seu perfume, a maneira como me olhava, o jeito como levava a bebida à boca e a engolia, tudo isso evocava em mim uma sensação de erotismo. Havia algo nele que era perigoso e arriscado. Por essa razão, não poderia me envolver com ele, mesmo desejando sua parceria, que é o que mais necessitava no momento.

A noite não demorou a passar e, logo pela manhã, meu celular tocou; era ele, o anjo caído, Gabriel.

— Olá, bom dia!

— Bom dia, Alice! Como foi sua noite?

— Tive dificuldades para dormir devido à ansiedade, mas a experiência foi excelente! Como foi a sua noite?

Perguntei curiosa.

— Foi interessante, repleta de reflexões e diversas questões a serem organizadas.

— Então, Gabriel, a que horas nos encontraremos?

— Podemos nos encontrar às 14h, no restaurante em frente à empresa dos meus pais?

Se tiver tudo bem para você, claro.

— Está bem, estarei lá acompanhada do Lucas, que está me auxiliando com a contabilidade; atualmente, ele é responsável por todos os meus orçamentos.

— Então, seu namorado cuida das suas finanças?

— Risos. Na verdade, ele não é meu namorado; é meu melhor amigo, quase como se fôssemos irmãos. Ele é muito competente no que faz.

— Entendo. Até mais, então.

— Certo, até logo, beijos!

— Ah, Alice, se preferir, pode guardar os beijos para me dar mais tarde — disse ele, sorrindo do outro lado da linha.

— Gabriel, isso não será possível. Até mais!

Ele não havia mudado nada; continua sendo o mesmo insensível do ensino médio, provavelmente se envolve com qualquer um que se jogue em sua frente.

Sem possibilidade de me deixar levar, houve um período na minha vida em que eu considerava Gabriel de maneira diferente. No entanto, suas interações com as demais mulheres, me levaram a reconsiderar essa perspectiva. Atualmente, sou uma mulher, não uma menina, que se rende facilmente aos caprichos de um homem encantador, com um metro e noventa de altura, em excelente forma física e de beleza impressionante, além de possuir um perfume irresistível. Enfim, estou em sérios problemas.

Me esforçando para parecer tranquila, liguei para o Lucas para informá-lo sobre o almoço.

— Alô, como você está?

— Olá, Lucas, teremos um almoço de negócios hoje às 14h.

— Certo, eu te busco às 13h. Use algo profissional e evite roupas provocantes. Não quero ter que explicar as planilhas para ele repetidamente.

— Amigo, não seja exagerado. O que temos é estritamente profissional e nada mais.

— Sim, mas vocês sempre tiveram uma certa atração mútua, e não seria surpreendente que isso se reavivasse?

— Lucas não, isso não tem relação alguma; é apenas uma questão de negócios e nada mais. Tenho que desligar te vejo mais tarde beijos amo você.

Ao chegarmos ao restaurante, encontrei Gabriel sentado à frente de seu notebook, exibindo toda a sua imponência: um homem de negócios atraente e charmoso.

Pergunto-me quando ele se tornou assim.

Ele parecia alheio à atenção das mulheres ao seu redor, que o observavam, comentavam e riam discretamente.

Tudo nele emanava uma aura de perigo, sedução e emoção; um verdadeiro "bad boy". Trabalhar com ele diariamente e não ceder à tentação de me envolver com aquele homem será uma batalha interna que terei que enfrentar.

Quando me aproximei, ele levantou a cabeça e seu rosto pareceu iluminar-se.

— Alice! Ele permaneceu de pé, segurando minha mão e, em seguida, a mão de Lucas também.

— Gabriel!

— Então, este é o Lucas, o amigo de quem eu te falei.

— Olá, Gabriel, boa tarde!

— Boa tarde, Lucas!

Dirigindo-se a mim, ele comentou:

— Vamos ao que realmente importa.

— Sim, claro. Acredito que a Alice já tenha discutido com você sobre o café. Estas são as estimativas para um ano, além de todos os planejamentos e dos três locais que ela considera para a aquisição do estabelecimento.

— Percebo que você e a Alice já contemplaram todos os aspectos.

— Sim, tenho diversos planos e acredito que você irá apreciá-los.

— Okay! Vamos analisar.

Nossa reunião transcorreu de forma tão rápida que mal percebemos a passagem do tempo. Gabriel concordou com praticamente todas as propostas e apresentou seus pontos de vista. Combinamos de nos encontrar no dia seguinte para visitar os locais destinados à compra.

A noite havia sido mais serena; a ansiedade tinha se dissipado, permitindo-me dormir um pouco mais do que na noite anterior. Logo pela manhã, preparei-me e dirigi-me ao encontro de Gabriel. Ao chegar ao primeiro local, deparei-me com ele encostado em seu carro, com as pernas cruzadas e as mãos nos bolsos.

— Gabriel?

— Alice.

Ele colocou a mão na base das minhas costas e conduziu-me até a entrada do estabelecimento. O ambiente era amplo, porém apresentava escassa iluminação natural. Como não era o que buscávamos, decidimos nos dirigir ao segundo local, que não dispunha de um escritório e apresentava um espaço de estoque mínimo.

Já estávamos cansados quando Gabriel optou por fazer uma pausa para o almoço em um restaurante bastante acolhedor, situado nas proximidades de um dos locais que havíamos visitado. Embora tenha durado apenas uma hora, foi o período mais emocionante que experimentei nos últimos meses.

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