
O Retorno Impecável e Espetacular da Esposa Indesejada
Capítulo 3
A luz da manhã que se filtrava pelas janelas do chão ao teto do saguão da cobertura Hudson era fria e cinzenta.
Ellyn arrastou sua mala barata para fora da pesada porta corta-fogo e para dentro do saguão. As rodinhas rangeram contra o piso de mármore polido.
Ela não conseguiu chegar às portas da frente.
Arthur Vance, o principal advogado de Baron, estava sentado no sofá de couro central. Ele usava um terno de três peças feito sob medida. Ele baixou lentamente sua xícara de café de porcelana no pires. O tilintar foi agudo na sala silenciosa.
Ele se levantou e se pôs diretamente em seu caminho.
"Sra. Hudson. Ou melhor, Srta. Martinez", disse Arthur. Seu inglês era seco, profissional e escorria condescendência.
Ele abriu sua pasta de couro e tirou uma pasta manila. Ele a estendeu para ela, junto com um pedaço de papel novo em folha.
Os olhos de Ellyn caíram para o papel. Era um cheque administrativo do Chase Bank.
O número impresso nele fez seu estômago revirar. Cinco milhões de dólares.
"O Sr. Hudson me instruiu a cuidar da sua partida", disse Arthur, com o queixo erguido. "Assine este Acordo de Confidencialidade. Pegue o dinheiro. Saia de Manhattan hoje. Você não falará com a imprensa, não contatará nenhum membro desta família e desaparecerá."
Ele a olhou como se ela fosse uma cadela de rua implorando por restos.
O puro insulto fez o sangue de Ellyn ferver. O calor subiu ao seu rosto, queimando sob sua cicatriz falsa. Eles achavam que ela era uma prostituta que podiam comprar.
Ellyn soltou uma risada curta e oca. Ela não estendeu a mão para o cheque. Ela deu um passo para trás, seus olhos fixos nos de Arthur com puro nojo.
Arthur franziu a testa. Sua paciência desapareceu. "Não seja gananciosa, Ellyn. Cinco milhões é mais do que uma mulher da sua origem verá em dez vidas. A paciência da família Hudson é inexistente hoje. Aceite o acordo."
"E se eu não aceitar?", ela perguntou, sua voz perigosamente baixa.
"Se você não assinar", Arthur ameaçou, aproximando-se, "o Sr. Hudson vai te enterrar em litígios. Você não verá um único centavo e nos deverá milhões em honorários advocatícios. Você estará arruinada."
Algo dentro de Ellyn se rompeu.
Ela se lançou para frente e arrancou o grosso NDA da mão de Arthur.
Antes que ele pudesse reagir, ela segurou o topo do documento e o rasgou bem no meio.
Raaaaasga.
Os olhos de Arthur se arregalaram em choque. "Você está louca?"
Ellyn não parou. Ela empilhou as metades rasgadas e as rasgou novamente. E de novo. Suas mãos se moviam com uma energia frenética e furiosa até que o documento legal não passasse de uma pilha de confete em seus punhos.
Ela ergueu as mãos e jogou o papel picado diretamente no rosto arrogante de Arthur.
Os pedaços brancos flutuaram ao redor dele como neve suja. Arthur tropeçou para trás, seus óculos de aro dourado escorregando pelo nariz. Ele apontou um dedo trêmulo para ela.
"Eu não quero um único centavo do dinheiro sujo dele", declarou Ellyn. Seu inglês era impecável, afiado como uma navalha. "Isso me dá nojo."
Ela olhou através dele. "Diga a Baron que ele não precisa se preocupar. Estou desaparecendo do mundo dele hoje. Eu não ficaria nem que ele me implorasse."
Ela virou as costas para o advogado atônito. Pegou a alça da mala e marchou em direção às enormes portas duplas.
O velho mordomo estava parado perto da entrada. Ele a olhou com uma mistura de pena e choque. Ele estendeu a mão para pegar a mala dela, mas Ellyn se esquivou de sua mão.
Ela mesma empurrou as pesadas portas para abri-las.
Uma rajada violenta de vento a atingiu instantaneamente. A chuva de outono de Nova York caía em torrentes, batendo contra os degraus de pedra.
"Srta. Ellyn, por favor, deixe-me chamar um carro. Pegue um guarda-chuva", o mordomo implorou, estendendo um grande guarda-chuva preto.
"Não", disse Ellyn.
Ela puxou o capuz. Saiu de debaixo do pórtico e caminhou direto para o aguaceiro torrencial. A chuva gelada encharcou suas roupas em segundos, mas ela manteve a coluna perfeitamente reta. Ela não olhou para trás.
Dentro do saguão, Arthur limpou um pedaço de papel molhado de sua lapela. Seu rosto estava roxo de raiva. Ele tirou o telefone do bolso e discou a linha direta para o escritório do Presidente.
A quilômetros de distância, no topo do Empire State Building, Baron estava parado junto à janela do chão ao teto de seu escritório. Ele observava a chuva açoitar o vidro.
Seu telefone vibrou. Ele atendeu, com o maxilar cerrado.
"Sr. Hudson", a voz de Arthur soou, tremendo de raiva. "Ela recusou o dinheiro. Rasgou o NDA e o jogou em mim. Ela saiu na chuva."
O aperto de Baron no telefone se intensificou. Seus nós dos dedos ficaram brancos. Uma onda de irritação irracional explodiu em seu peito.
Ele soltou um escárnio frio e zombeteiro. "Ela está se fazendo de difícil. Acha que dar um chilique vai me fazer sentir culpado."
"Quais são suas ordens, senhor?"
"Congele todos os cartões de crédito suplementares em nome dela", ordenou Baron, sua voz desprovida de emoção. "Corte o plano de celular dela. Bloqueie-a de todas as contas Hudson. Vamos ver quanto tempo o orgulho dela dura quando estiver morrendo de fome na rua."
Ele encerrou a chamada e jogou o telefone sobre a mesa.
Ele estendeu a mão e afrouxou a gravata de seda com um puxão. Ele se virou e varreu o braço pela mesa, derrubando uma pilha de relatórios trimestrais no carpete.
Seu peito arfava. Por uma fração de segundo, a imagem dos olhos mortos e vazios de Ellyn da noite anterior brilhou em sua mente. Seu coração deu um salto doloroso.
Ele odiava aquela sensação. Ele apertou o botão do interfone.
"Mande um carro para o JFK", Baron latiu para sua assistente. "O voo de Christine pousa na próxima semana. Certifique-se de que ela tenha tudo o que precisa."
Lá fora, na rodovia, a chuva lavava o rosto de Ellyn. O corretivo barato começou a escorrer, mas seu aperto na mala nunca afrouxou. Ela continuou andando.
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