
O retorno do homem poderoso
Capítulo 2
Na residência da Família Douglas
Após comemorarem a partida de Álvaro, as três mulheres ligaram para Emílio. Decidiram exagerar a situação para fazê-lo odiar Álvaro. Afinal, tinham fotos para provar suas alegações.
O telefone tocou, e Emílio atendeu imediatamente.
Ele estava prestes a descansar quando recebeu a ligação de sua neta. Seu rosto ficou lívido ao ouvir a acusação.
"Você... Está dizendo a verdade?"
"Sim, Vovô. Fiquei chocada como você. Nunca pensei que Álvaro faria algo tão desprezível. Quero dizer, ele parecia um cara decente. Ele nos intimida. Espero que você não o mantenha aqui depois de tudo..."
"Chega! Eu conheço Álvaro muito bem. Ele nunca faria tal coisa! Vocês devem ter colocado algo na bebida dele", Emílio a interrompeu irritado.
Carmela recuou de medo ao ouvir sua voz alta e ressonante. "O que está dizendo, Vovô? Como poderíamos..."
"Cale-se! Não importa o que aconteça, Álvaro é da família. Vocês sempre implicaram com ele e nunca o consideraram um membro da família desde o dia em que o trouxe para casa. Já conversei com vocês várias vezes sobre isso, mas nunca me ouviram. Chega! Talvez sair seja a melhor escolha para ele..."
Emílio estava furioso e desolado. Finalmente, ele desligou o telefone e afundou no sofá, esfregando as têmporas. "Como devo responder se ela vier perguntar dele?"
"O que aconteceu, Carmela? O que Vovô disse?" Dona olhou para ela com expectativa.
Carmela revirou os olhos e repetiu o que Emílio lhe disse.
Dona bufou com desdém. "Não entendo por que seu avô sempre é parcial com ele. Álvaro é órfão. Ele teria morrido de fome se não o tivéssemos trazido para casa. Eu entendo isso. Mas ele é um homem adulto agora. Deveria ter respeito próprio e começar a se sustentar em vez de depender de nós para tudo."
"Não importa," Carmela resmungou friamente. "Tenho provas suficientes. Vou me divorciar dele com certeza."
Aaliyah se aproximou da irmã e deu um sorriso sarcástico. "Carmela, devo pedir que Jayden organize uma demonstração de autoridade para dar uma lição em Álvaro? Eles o avisarão e garantirão que ele se mantenha longe da nossa família."
Jayden Frazier era o namorado de Aaliyah. Ele era um homem arrogante de uma família rica. Conhecia vários delinquentes e sempre intimidava Álvaro.
Após um momento de hesitação, Carmela mordeu o lábio inferior e assentiu. "Tudo bem. Isso parece bom, mas não façam nada drástico. Caso contrário, ele encontrará outra desculpa para nos incomodar."
"Não se preocupe. Eu cuido disso." Aaliyah sorriu confiante.
*
Enquanto isso, na antiga residência da Família Douglas.
Emílio se deitou na cama após falar com sua neta. Não conseguia dormir e acabou se revirando na cama. Um suspiro ocasional escapava de seus lábios enquanto preocupação e medo consumiam seus nervos.
Vinte e cinco anos atrás, a Família Douglas era apenas um clã comum em uma pequena aldeia.
Uma noite fria mudou a vida de Emílio. Estava chovendo muito, e o céu rugia com trovões, parecia uma tempestade de verão.
Emílio estava na casa dos quarenta. Levantou-se à noite para usar o banheiro, e foi quando viu uma visão deslumbrante. Seu corpo tremia.
Emílio viu uma bela mulher pisando em um pássaro dourado gigante com um bebê nos braços. Ele apertou os olhos através da chuva para ver se estava alucinando ou não.
O longo cabelo vermelho da mulher esvoaçava ao vento. Ela parecia etérea — como uma deusa do céu que havia descido à terra.
Emílio ficou atordoado. Por um momento, pensou que era um sonho estranho. No entanto, o choro alto do bebê nos braços da mulher fez com que ele percebesse que tudo estava acontecendo bem diante de seus olhos.
Ele já tinha visto o pássaro dourado em um livro antes. Parecia-se com o lendário Fênix, semelhante à Fênix das lendas Gregas.
A mulher de cabelos vermelhos voou em direção à casa de Emílio. Sua velocidade e agilidade eram incríveis.
Os rugidos do trovão ficaram mais altos enquanto chovia intensamente. Mas não caiu nem uma gota de chuva sobre ela.
Emílio caiu no chão, tremendo de medo.
Então, a mulher incrível entregou o bebê em seus braços a Emílio. Ela deu à Família Douglas uma fortuna e pediu que ele criasse o bebê.
Se não fosse pela mulher, a Família Douglas não teria prosperado e se tornado rica e poderosa.
Álvaro era o bebê que mudou suas vidas, mas todos o tratavam como um servo.
Antes de partir, a mulher lembrou Emílio de tratar Álvaro como seu próprio neto e que voltaria para buscá-lo no momento certo.
No entanto, Carmela expulsou Álvaro de casa, acusando-o de um ato imundo.
Emílio não sabia o que fazer se a mulher voltasse e perguntasse por Álvaro. O que ele diria a ela?
Emílio estremeceu. Estava assustado e desamparado.
*
Álvaro teve um sonho bizarro naquela noite.
Uma bela mulher de cabelos vermelhos ajoelhou-se ao seu lado e plantou um beijo suave nas costas de sua mão. Lágrimas escorriam por seu belo rosto. Seus olhos brilhavam de culpa.
"Desculpe, meu rei. Você passou por muito todos esses anos. Mas não se preocupe. Você vai recuperar seus poderes aos poucos e se tornar invencível."
A voz da mulher ressoou em seus ouvidos.
Antes que Álvaro pudesse perguntar qualquer coisa, muito conhecimento e informações inundaram sua mente.
Álvaro podia sentir que as informações eram sobre formas antigas de artes marciais, habilidades médicas lendárias que desapareceram há milhares de anos e feitiços poderosos.
"Ah!" Álvaro acordou gritando.
Ele olhou ao redor e se encontrou deitado em uma cama enorme e fofa. Os móveis pareciam opulentos e mais caros do que o que a Família Douglas possuía.
"Oh meu Deus! É um milagre! Você está acordado! Finalmente!"
Um grito alto assustou Álvaro.
Ele se virou confuso e viu uma mulher de seus vinte e poucos anos.
Ela parecia bonita e graciosa. Seus olhos se arregalaram de surpresa ao examinar o rosto de Álvaro.
"Quem é você? Por que estou aqui?" Álvaro perguntou, ainda olhando ao redor do lugar.
A mulher sorriu para ele. "O quê? Não se lembra de nada? Um carro te atropelou e saiu em disparada. Eu estava presente durante o acidente. Você estava gravemente ferido, então te trouxe para cá. Ah, esta é minha casa, aliás."
Álvaro ficou pasmo.
Ele forçou a memória, e a lembrança daquela manhã inundou sua mente. A mulher estava certa.
Álvaro se lembrou de sair da casa da Família Douglas, sentindo-se traído. Estava devastado. Assim que se perguntava o que fazer, um carro surgiu do nada e o atropelou.
Álvaro se levantou da cama e sorriu agradecido. "Obrigado por salvar minha vida."
"De nada." A mulher acenou com as mãos. "Afinal, você acordou por si mesmo. Para ser honesta, pensei que você não sobreviveria."
"O quê? Por quê?" Álvaro franziu a testa.
A mulher explicou tudo a ele.
O carro havia atingido Álvaro com força total. Ele voou e caiu no chão a alguns metros de distância com um estrondo alto. Seus ferimentos eram graves, e sua respiração quase parou.
Considerando que havia um médico famoso em sua casa e suprimentos médicos suficientes, ela rapidamente levou Álvaro para o carro e dirigiu-o para casa.
Infelizmente, o médico disse que salvar Álvaro era impossível porque ele havia perdido muito sangue. Estava em estado crítico.
Surpreendentemente, Álvaro acordou em trinta minutos.
Ele se lembrou do estranho sonho que teve quando estava inconsciente.
Não pôde deixar de se perguntar se havia acordado por causa do sonho.
"Obrigado novamente." Ele acenou com a cabeça sinceramente.
A mulher sorriu para ele. Assim que abriu a boca para dizer algo, uma empregada entrou no quarto e gritou ansiosamente, "Senhorita Brown, a condição do Sr. Brown piorou. O médico disse que não há esperança. O Sr. Brown disse que queria te ver pela última vez."
"O quê?"
A mulher, chamada Bela Brown, ficou com uma expressão de choque no rosto. Ela rapidamente saiu do quarto.
Só então Álvaro percebeu que o médico estava ali para tratar alguém da família dela.
Parecia que a condição do paciente era crítica.
Após um momento de hesitação, Álvaro rapidamente a seguiu.
Ele logo encontrou o quarto no final do corredor e viu um homem de meia-idade deitado na cama com os olhos fechados. O suor escorria por sua testa, e seu rosto se contorcia de dor.
Um médico de meia-idade estava ao lado dele.
"Dr. Archer, como está meu pai?" Bela perguntou ansiosamente.
Magnus Archer abaixou a cabeça, culpado. "Sinto muito. O Sr. Brown está sofrendo de uma doença peculiar. Tentei de tudo, mas..."
"O que... O que está dizendo? Eu não acredito!"
O sangue no rosto de Bela desapareceu.
Ela se jogou nos braços do pai e começou a chorar incontrolavelmente. "Papai, acorde. Papai... Por favor..."
No entanto, seu pai, Fernando Brown, não respondeu aos seus apelos. O médico estava certo. A doença não tinha cura.
"Sinto muito." Magnus balançou a cabeça tristemente, indicando que não havia esperança.
Bela abraçou o pai com mais força enquanto as lágrimas escorriam por suas bochechas.
"Não, não! Existe uma cura," Álvaro disse ao entrar no quarto.
A respiração de Bela ficou presa na garganta. Ela e Magnus se viraram e olharam para Álvaro.
"Ei... Você..."
Magnus lançou um olhar interrogativo que rapidamente mudou para surpresa. "Você não é o cara que sofreu um acidente de carro há pouco? Quando acordou? Como?"
"Sim. Sou eu." Álvaro assentiu e se virou para olhar para Bela. "Não desista. A condição do Sr. Brown é curável."
O rosto de Magnus escureceu. "Tenho décadas de experiência como médico. Embora queira salvar o Sr. Brown, sei que não há cura para sua doença."
Depois de dizer isso, ele olhou para Bela em busca de confirmação.
Bela enxugou as lágrimas e olhou para Álvaro. "Não tenho tempo para ouvir suas brincadeiras. Agora que você está acordado e perfeitamente bem, por favor, vá embora."
"Estou falando sério!" Álvaro disse ansiosamente. "Posso salvar o Sr. Brown. Confie em mim. Dê-me uma chance; eu o curarei."
Bela franziu a testa e lançou um olhar interrogativo para ele. "Você é médico?"
"Não." Álvaro balançou a cabeça.
"Você tem alguma habilidade médica?" Bela perguntou, inclinando a cabeça.
"Não." Álvaro ainda balançou a cabeça.
A mandíbula de Bela se apertou.
Seu rosto ficou vermelho de raiva.
Ela não podia acreditar que Álvaro estava oferecendo ajuda quando não era um profissional médico.
"Pare de perder nosso tempo!" Magnus zombou dele.
"Saia!" Bela rosnou, apontando para a porta. "Não estou com disposição para ouvir suas bobagens!"
Álvaro não sabia como explicar ou convencê-los.
Afinal, ele não possuía habilidades médicas.
No entanto, Álvaro viu uma nuvem de névoa sombria que representava a doença pairando na testa do paciente assim que entrou no quarto.
Ele imediatamente teve uma intuição de que destruir a névoa negra o traria de volta à vida.
A névoa negra parecia crescer a cada minuto que passava e já havia coberto todo o rosto dele. Álvaro sabia que a névoa acabaria cobrindo todo o corpo, e o paciente morreria se não recebesse tratamento imediato.
Álvaro ficou ansioso. Ele não tinha tempo para explicar. Salvar a vida do paciente era mais importante do que convencer os outros. Com isso em mente, ele correu para a beira da cama.
As outras duas pessoas presentes recuaram em choque.
"Seu idiota! O que diabos você está fazendo?"
"Alguém, pare-o!"
Dois seguranças corpulentos entraram no quarto. No entanto, Álvaro já estava perto do paciente. Antes que alguém pudesse agir, ele deu um tapa na testa do paciente.
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