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O retorno do homem poderoso

Visto como um fracassado e tratado como servo pela família de sua esposa, Álvaro suportou anos de desprezo absoluto. O desdém atingiu o ápice quando uma conspiração cruel resultou em sua expulsão humilhante da casa dos Douglas. Entretanto, o que ninguém imaginava é que esse banimento marcaria o despertar de um poder avassalador. Por trás da fachada de inutilidade, surge agora um homem incomparável, pronto para abalar as estruturas de todo o mundo.
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Capítulo 3

O nevoeiro negro desapareceu quando Álvaro deu um tapa na testa de Fernando.

Ele soltou um suspiro de alívio. Sua suposição estava correta. Sua ideia havia funcionado.

Mas Bela ficou furiosa; seu rosto bonito ficou escarlate. Ela estava prestes a perder a cabeça.

O estado infeliz de seu pai já a havia devastado, e agora Álvaro bateu na testa dele, o que era desrespeitoso. Ela sentiu que ele era um lunático.

"Levem-no embora!" Bela esbravejou.

Os dois seguranças correram para dentro e agarraram os braços de Álvaro de ambos os lados.

Bela deu um tapa no rosto dele.

"Por quê? Por que você insultou meu pai mesmo após sua morte?" ela exigiu com os dentes cerrados.

Álvaro segurou sua bochecha latejante.

Mas ele não estava zangado porque a indignação de Bela era razoável. Ninguém assistiria a um estranho dar um tapa em seu pai sem vida.

"O Sr. Brown não está morto", disse Álvaro.

Bela franziu a testa e se virou para olhar para o pai. Ele ainda estava deitado imóvel na cama.

Seus olhos estavam fechados e seu rosto estava mais pálido do que antes. Ele não mostrava sinais de vida.

"Você vai ser preso!" Bela cuspiu ferozmente.

Ela se arrependeu de ter salvado a vida de Álvaro, pois ele insultou seu pai.

Ela o ajudou por bondade e não esperava que um estranho desrespeitasse seu pai por isso.

Magnus olhou para Álvaro com desdém. "Eu posso não ser o melhor médico do mundo, mas tenho experiência suficiente para saber que não há cura para a doença do Sr. Brown. Por mais triste que seja, essa é a verdade. Você não pode trazer um homem morto de volta à vida."

Álvaro não se incomodou em se justificar.

Ele parecia um criminoso diante de Magnus e Bela. Eles não sabiam que ele estava quieto porque não tinha explicação para oferecer.

Álvaro sentiu que algo havia mudado dentro dele desde o acidente de carro e o estranho sonho que teve. Mas ele não sabia o que era.

Logo, o som estridente das sirenes da polícia seguido pelo barulho de sapatos chamou sua atenção.

Dois policiais entraram na sala. "Olá, Srta. Brown. Você chamou a polícia?"

"Chamei. Por favor, prendam este homem!" Ela apontou para Álvaro enquanto os seguranças continuavam a segurá-lo. "Ele fingiu ser médico e desrespeitou o cadáver do meu pai."

Os dois policiais trocaram olhares de espanto.

Eles ofereceram suas condolências a Bela, algemaram Álvaro e o arrastaram para fora da casa.

Álvaro lançou um último olhar para Fernando antes de sair. O homem ainda estava deitado na cama. Ele não se mexeu. O nevoeiro negro havia desaparecido. Ele não conseguia entender por que Fernando ainda não havia acordado.

Se o homem não voltasse à vida, Álvaro seria trancado na cadeia.

Álvaro suspirou desanimado.

Mas ele não se arrependeu de suas ações.

Seria cruel descartar a chance de salvar a vida de uma pessoa apenas porque ele não sabia se funcionaria.

Alguns anos atrás, Álvaro viu um homem idoso cair na estrada e foi ajudá-lo. Mas o velho mentiu, dizendo que Álvaro o havia derrubado. No final, ele não apenas teve que dar dinheiro ao velho e sua família, mas também passou fome o dia todo porque Carmela se recusou a lhe dar comida pelo que ele havia feito.

Embora a experiência lhe tenha ensinado uma lição crucial, ele ainda era amável e simpático. Álvaro não se impediu de ajudar pessoas necessitadas.

Na residência da Família Brown, uma onda de tristeza consumiu Bela. Ela se jogou no chão e olhou para o pai. Lágrimas frescas escorriam por suas bochechas. "Acho que este é um adeus", ela engasgou em meio aos soluços.

Magnus sentiu uma dor no coração ao ver Bela chorar.

Mas ele não podia fazer nada.

Como médico, ele fez o seu melhor para salvar a vida de Fernando. No entanto, nada parecia ajudar.

Ninguém havia ouvido falar da doença peculiar de Fernando. Bela não teria sido capaz de salvar seu pai, mesmo que recorresse ao médico mais bem-sucedido do mundo.

Naquele momento, as pessoas da funerária vieram levar o corpo de Fernando para os ritos finais.

"Lamento sua perda, Srta. Brown", Magnus sussurrou suavemente.

Bela ficou sem fôlego de tanto chorar. "Você pode nos deixar a sós? Preciso falar com meu pai e ficar com ele por um tempo."

Magnus assentiu em compreensão e saiu da sala com as pessoas da funerária.

Nesse momento, um acesso de tosse surpreendeu a todos.

O grupo que estava saindo parou subitamente.

Fernando, que foi declarado morto, tossiu.

Bela ficou igualmente atônita.

Seus olhos se arregalaram antes que seu rosto se iluminasse com um sorriso encantador. "Pai, você... Está acordado? Você me ouve?"

Os olhos de Fernando se abriram lentamente. Bela segurou sua mão para apoiá-lo e ele se sentou devagar.

Fernando olhou para todos que o encaravam e franziu a testa, confuso. "Bela, onde estou? O que aconteceu?"

Bela chorou de alegria. Ela puxou o pai para um abraço apertado. "Pai, você não se lembra de nada?"

Fernando esforçou-se para lembrar e finalmente se lembrou de que teve uma doença repentina. Ele desmaiou quando Bela saiu para chamar Magnus.

Agora tudo fazia sentido. Ele se perguntou se Magnus o havia curado.

Fernando rapidamente se levantou da cama e segurou a mão de Magnus. "Dr. Archer, obrigado por salvar minha vida. Muito obrigado. Você é de fato o melhor médico da cidade. Você tem habilidades médicas extraordinárias!"

"Err... Eu..." Magnus ficou embaraçado. "Você não precisa me agradecer, Sr. Brown. Eu não curei sua doença."

"O quê?" Fernando recuou em choque.

"Bem, pai..." Bela contou ao pai sobre Álvaro e seu tratamento estranho.

Fernando congelou ao ouvir isso. Seus olhos se arregalaram quando algo lhe ocorreu. "Então a polícia prendeu o jovem que salvou minha vida?"

Bela se sentiu culpada. Ela imediatamente ligou para a polícia, pediu que soltassem Álvaro e o trouxessem de volta.

Álvaro retornou após alguns minutos.

Ele estava confuso a princípio. No entanto, ele viu Fernando e entendeu tudo.

Sua suposição estava correta, afinal.

Ele se perguntou se Fernando estava vivo porque ele eliminou o nevoeiro negro.

Álvaro cerrou os punhos para suprimir sua empolgação.

Mas ele ainda não sabia o que era o nevoeiro negro.

Álvaro parecia ter adquirido um conhecimento imenso após o sonho bizarro.

Bela caminhou até ele, segurou sua mão e o levou até Fernando. "Pai, ele é quem te salvou", ela disse, radiante.

O rosto de Álvaro ficou vermelho.

Embora ele estivesse casado com Carmela há cinco anos, ele nunca havia tocado nem mesmo a mão dela.

Mas agora ele estava perto de Bela; seus braços se roçavam enquanto ela segurava sua mão firmemente.

A palma dela era macia.

Além disso, Bela era mais bonita que Carmela.

Ele não pôde evitar desejar ter se casado com Bela em vez de Carmela.

Álvaro sentiu um frio na barriga quando percebeu o que estava pensando. Por que a filha da Família Brown se casaria com um homem medíocre como ele? Era um pensamento bobo.

Fernando apertou os lábios e olhou para Álvaro, avaliando-o.

Ele achou que Álvaro parecia um homem comum. Ele não era alto nem parecia sofisticado.

No entanto, Fernando nunca julgava um livro pela capa. Além disso, Álvaro havia salvado sua vida. Ele seria grato a ele por toda a vida. "Obrigado, jovem. Você salvou minha vida." Ele fez uma reverência respeitosa.

Álvaro ficou lisonjeado. "De nada, Sr. Brown. Eu não sabia que poderia te salvar."

"Você não sabia?" Fernando franziu a testa.

"Sr. Brown, este jovem não é médico", lembrou Magnus gentilmente. "Ele não tem conhecimento médico."

"Então, como ele me curou?" Fernando perguntou surpreso.

"Talvez tenha sido pura sorte e coincidência. Afinal, este jovem não sabia que poderia te salvar." Magnus sorriu.

Embora Magnus estivesse chocado ao ver Fernando de volta à vida depois que Álvaro bateu em sua testa, ele ainda estava cético.

Como alguém sem conhecimento médico poderia salvar a vida de uma pessoa batendo em sua testa? Por outro lado, Magnus não conseguiu encontrar uma cura, mesmo sendo um médico experiente.

Se ele não fosse próximo da Família Brown e os conhecesse bem, teria assumido que Fernando e Álvaro estavam enganando-o.

Portanto, após ouvir as palavras de Álvaro, Magnus estava convencido de que foi apenas uma coincidência. Não passou de pura sorte.

"Pai, não importa se foi coincidência ou não. Álvaro salvou sua vida. Temos que retribuir sua gentileza", Bela sugeriu sinceramente.

Fernando assentiu e olhou para Álvaro. "O que você quer, jovem? Não hesite em pedir."

"Não, não. Eu não preciso de nada", Álvaro respondeu apressadamente. "A Srta. Brown salvou minha vida. Nós nos ajudamos mutuamente. Então está tudo bem."

Fernando olhou para a filha. Bela contou a ele sobre o acidente e como Álvaro havia escapado da morte.

Fernando assentiu, sorrindo.

"Ah, entendi. Não se preocupe. Nós, da Família Brown, não somos mesquinhos. Você salvou minha vida. Peça-me qualquer coisa. Não seja tímido. Qualquer coisa que você quiser."

"Isso não é necessário. Estou feliz que você esteja consciente e de volta à saúde agora. Mas..." Álvaro queria dizer algo, mas decidiu não fazê-lo.

"Mas o quê?" Bela perguntou.

"Err... Eu não acho que a doença do Sr. Brown esteja completamente curada. Ele pode precisar de tratamento de acompanhamento", Álvaro sugeriu.

Bela e seu pai ficaram chocados ao ouvir isso.

Magnus ficou irritado. Ele sentiu que Álvaro estava fingindo parecer profissional quando não tinha conhecimento médico.

O tratamento de acompanhamento parecia uma desculpa para permanecer em contato com a Família Brown. Magnus achava que Álvaro acabaria pedindo dinheiro a eles. Ele estava enojado.

Magnus se aproximou de Fernando e sussurrou algo em seu ouvido.

Os olhos de Fernando se arregalaram e seu rosto ficou tenso. Ele assentiu em compreensão e se virou para olhar Álvaro. "Não se preocupe com minha doença, jovem. Estou te perguntando isso pela última vez. Você tem certeza de que não quer nada?"

Álvaro balançou a cabeça.

"Ok. Bela, por favor, acompanhe-o até a saída." Fernando acenou com a mão.

Uma ruga se formou na testa de Bela. Embora ela não fizesse ideia do que Magnus havia dito ao pai, ela sentiu que era algo ruim sobre Álvaro. "Pai, considerando que você ainda não se recuperou totalmente, por que não dar uma chance a Álvaro?" ela protestou.

"O Dr. Archer já contatou o melhor médico de Wildevale para mim. Um leigo não precisa lidar com meu tratamento de acompanhamento. Você o acompanhe até a saída", Fernando disse friamente.

O coração de Álvaro afundou.

Depois de salvar a vida de Fernando, ele ainda considerava Álvaro não confiável.

Na verdade, Álvaro havia ouvido o que Magnus disse a Fernando.

Embora Álvaro não soubesse sobre suas habilidades auditivas excepcionais, ele pôde ouvir a conversa deles.

Magnus disse que Álvaro era um leigo e um mentiroso e que ele salvou Fernando por pura sorte.

Ele também disse que Álvaro estava usando o tratamento de acompanhamento como pretexto para estabelecer um relacionamento com a Família Brown.

Álvaro nunca pensou que Magnus seria tão mesquinho.

Enquanto isso, ele estava desapontado com Fernando por duvidar dele quando ele salvou sua vida.

No entanto, isso não era novo para Álvaro.

Ele estava acostumado ao tratamento injusto.

Ele se despediu deles e saiu.

Bela hesitou por um momento e o seguiu.

Ela sentiu que Álvaro não era tão simples quanto parecia.

Do lado de fora da vila da Família Brown "Sou Bela Brown. Muito obrigada por tudo. Se não fosse por você, meu pai não..."

Álvaro balançou a cabeça e a interrompeu. "Você não precisa me agradecer. Você salvou minha vida. Eu apenas retribuí seu favor."

"Não, eu te devo uma grande. A propósito, você pode me dar seu número de telefone?" Bela sorriu.

As sobrancelhas de Álvaro se franziram.

Ele se perguntou por que Bela pediu seu número quando os Browns o consideravam um mentiroso.

Após pensar um momento, Álvaro trocou números com Bela e se despediu dela.

Bela se ofereceu para levá-lo de volta, mas ele recusou.

Afinal, ele não tinha uma casa agora. Ele não tinha para onde ir.

Ele não podia pedir a Bela que o deixasse na residência da Família Douglas.

Álvaro suspirou e caminhou para a rua deserta. O lugar estava estranhamente calmo.

O conhecimento que ele adquiriu após o sonho estava gravado em sua mente.

Ele fechou os olhos e sentiu a brisa da noite contra sua pele. Um sorriso se espalhou consigo mesmo.

A Família Douglas o havia expulsado de casa.

A Família Brown o considerava um impostor atrás de dinheiro.

No entanto, Álvaro não estava nem chateado nem desapontado.

Se as técnicas de luta e os poderes sobrenaturais que ele adquiriu se mostrassem úteis, Álvaro poderia conquistar o mundo se as praticasse até a perfeição.

Ele sorriu para si mesmo e decidiu encontrar um lugar para testá-las.

Nesse momento, vários homens o cercaram.

Eles o olharam como uma matilha de animais esperando para caçar sua presa.

"Você é Álvaro Clifford?" um dos homens perguntou em voz severa.

Álvaro olhou para eles, confuso.

Ele não conseguia compreender o que estava acontecendo. Ele nunca havia ofendido ou machucado ninguém em sua vida.

Quando Álvaro estava prestes a negar, outro homem gritou: "Eu vi sua foto. É ele!"

Os homens imediatamente sacaram seus cassetetes e pularam sobre Álvaro.

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