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Capa do romance O Retorno da Musa Traída

O Retorno da Musa Traída

Após um acidente fatal, desperto sete anos no passado, antes de renunciar aos meus sonhos por Pedro Costa. Na vida anterior, abandonei o design para financiá-lo, apenas para ser trocada pela herdeira Sofia Mendes quando ele alcançou a fama. Agora, consciente da traição e do desprezo que recebi, percebo que o retorno à faculdade é real. Ele me deve uma vida inteira, mas não serei mais sua musa descartável. Desta vez, escolho meu próprio futuro e sucesso.
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Capítulo 2

O cheiro de metal queimado e pinho esmagado foi a última coisa que senti. A escuridão veio em seguida, um alívio súbito para a dor lancinante. Lembro-me do grito de Pedro, do som de vidro se quebrando e do impacto final que nos lançou para o esquecimento. Estávamos a caminho de um feriado, uma viagem que deveria celebrar seu primeiro grande sucesso como artista.

Quando abri os olhos novamente, não estava em um hospital. Estava no meu antigo quarto de estudante, a luz do sol da manhã entrando pela janela e o calendário na parede marcando uma data de sete anos atrás. Sete anos. Antes de Pedro. Antes de tudo.

Um arrepio percorreu minha espinha. Não era um sonho. O cheiro de tinta a óleo que impregnava minhas roupas na vida passada, o peso do anel de noivado de Sofia Mendes que vi em seu dedo, a dor da traição... tudo era real demais para ser um pesadelo.

Naquela vida, eu dediquei cada segundo a Pedro Costa. Abandonei minha faculdade de design de interiores para trabalhar em dois empregos, tudo para que ele pudesse perseguir seu sonho de ser um artista plástico. Eu era sua musa, sua gerente, sua financiadora. Mas quando a fama finalmente chegou, ele me descartou como um rascunho velho. Ele me traiu com sua nova musa, a herdeira rica Sofia Mendes, e me disse que eu nunca pertenci ao seu novo mundo brilhante.

O acidente que nos matou foi o fim daquela história patética. Mas agora, eu tinha uma segunda chance.

Levantei-me da cama, sentindo uma determinação que nunca tive. Olhei para o meu reflexo no espelho. Eu era jovem, cheia de potencial, com um futuro inteiro pela frente. Desta vez, seria diferente. Desta vez, eu viveria por mim.

Sete anos se passaram num piscar de olhos.

Sete anos em que eu não procurei por Pedro. Sete anos em que me formei com honras, abri meu próprio estúdio de design e construí um nome para mim. Sete anos de paz.

Hoje à noite, essa paz seria testada. Um antigo colega de faculdade estava organizando um encontro da turma, que convenientemente aconteceria na galeria de arte onde Pedro Costa estava inaugurando sua mais nova exposição. Pedro, o gênio da arte contemporânea. Pedro, o ex-namorado que eu apaguei da minha vida.

Cheguei à galeria. O lugar estava lotado. Vozes animadas enchiam o ar, taças de champanhe tilintavam e todos os olhos estavam voltados para as enormes telas abstratas penduradas nas paredes brancas. E, no centro de tudo, estava ele.

Pedro estava mais sofisticado do que eu me lembrava. Usava um terno caro, o cabelo perfeitamente penteado, e irradiava uma aura de sucesso. Ao seu lado, como um acessório de luxo, estava Sofia Mendes. Ela usava um vestido vermelho que gritava por atenção e se agarrava ao braço dele, sorrindo para as câmeras.

Ouvi trechos de conversas ao meu redor.

"Eles são o casal do momento! Ele, o artista torturado; ela, a herdeira que o descobriu."

"Ouvi dizer que vão anunciar o noivado hoje à noite. O anel dela deve valer uma fortuna."

Sofia ergueu a mão para arrumar o cabelo de Pedro, um movimento calculado para que o diamante em seu dedo brilhasse sob as luzes da galeria. Pedro sorriu, um sorriso que eu conhecia bem. O sorriso que ele usava quando conseguia exatamente o que queria.

Uma antiga colega, Bruna, me viu do outro lado da sala. Sua expressão era uma mistura de surpresa e pena.

"Lívia! Você por aqui! Não sabia que você ainda se interessava por arte... ou por Pedro."

Eu dei um sorriso educado.

"Vim pelo encontro da turma, Bruna. É bom ver todo mundo."

Meu traje era simples, mas elegante: um macacão preto bem cortado e sapatos de salto baixo. Meu cabelo estava preso em um coque arrumado. Eu não vim para impressionar, vim para cumprir uma obrigação social e ir embora.

Mas, claro, o destino tinha outros planos. Pedro me viu. Seu olhar percorreu a sala, passando por admiradores e críticos, e pousou em mim. Por um instante, vi um lampejo de surpresa em seus olhos, rapidamente substituído por uma arrogância presunçosa.

Ele e Sofia vieram em minha direção, abrindo caminho pela multidão.

"Lívia Pereira. Que surpresa." A voz de Pedro era suave, mas carregada de condescendência. "Não imaginei que te veria em um lugar como este."

Sofia me analisou de cima a baixo, um sorriso desdenhoso nos lábios.

"Pedro, querido, não seja mau. Talvez a Lívia precise de um emprego. Ouvi dizer que ela faz umas decorações... talvez possamos arrumar algo para ela no nosso novo apartamento."

Pedro riu, como se ela tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. Ele tirou a carteira do bolso, pegou um maço de notas e estendeu para mim.

"Tome. Para os velhos tempos. Parece que você precisa mais do que eu."

O ar ao nosso redor ficou pesado. As pessoas próximas pararam de conversar para observar a cena. A humilhação era pública, intencional. Ele queria me mostrar o quão longe ele tinha chego e o quão baixo ele achava que eu tinha caído.

Eu olhei para o dinheiro na mão dele. Na vida passada, eu teria aceitado, talvez com lágrimas nos olhos, grata por qualquer migalha de atenção que ele me desse. Eu teria me sentido pequena, insignificante.

Mas eu não era mais aquela mulher.

Dentro de mim, uma calma fria se instalou. Lembrei-me das noites em que eu chorava até dormir porque ele tinha gastado o dinheiro do nosso aluguel em telas. Lembrei-me de vender o pequeno apartamento que meus pais me deram para financiar a primeira exposição dele. Lembrei-me de cada sacrifício, cada mentira, cada pedaço da minha alma que eu dei a ele, e que ele pisoteou sem pensar duas vezes.

Ele não me devia dinheiro. Ele me devia uma vida inteira.

E essa era uma dívida que ele nunca poderia pagar.

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