Capa do romance A Casa Dos Desprezados

A Casa Dos Desprezados

8.8 / 10.0
Em A Casa Dos Desprezados, Aurora vive como criada após a morte do pai. Nesta romance novel de fantasy, ela encontra Edward, um clérigo forçado a viver sem desejos. Juntos, enfrentam o desprezo familiar e escolhas proibidas. Leia esta web novel e descubra o destino de dois renegados em Londres.
Resumo de A Casa Dos Desprezados
Aurora Rose cresceu negligenciada após a morte da mãe e do pai, vivendo como criada sob o domínio da madrasta. Sua única proteção é o irmão, Sebastian. Enquanto isso, Edward Thompson, segundo filho de um duque, é forçado ao clero por um pai que o despreza. Unidos pela rejeição familiar, esses dois jovens enfrentam destinos sombrios: ela teme o fracasso como solteirona e ele luta contra um desejo proibido por Aurora, que desafia sua vida religiosa e seus votos.
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A Casa Dos Desprezados Capítulo 1

Edward caminhava segurando o braço onde o pai apertara anteriormente após um chacoalho bem dado. Sua face ainda doía por causa do tapa que havia levado, os cinco dedos enormes de Phillip desenhados perfeitamente num vermelho quase vivo.

Ele chorava sem conseguir parar. Depois de ouvir os gritos incessantes, decidiu andar por aí sem rumo, e fora para a floresta detrás do castelo.

As folhas secas do outono caídas no chão afofavam os seus pés. Ele odiava a chegada do outono e o fim do verão pois isso significava noites passando frio no convento onde não era permitido a lareira continuar acesa depois de certa hora. As crianças sempre reclamaram agonizantes, mas as freiras nunca atendiam seus pedidos de clemência.

Era uma tortura, na verdade. Edward odiava morar lá, odiava passar a maior parte do ano solitário e longe da sua casa, mas neste dia compreendera que nem em Alexandria e nem em Londres ele era bem-vindo.

Na verdade, o seu pai havia deixado bem claro que Edward não tinha uma casa. Ele só continuava a recebe-lo ali pelos laços de sangue e nada mais. Mesmo que não quisesse, ele infelizmente ainda era o seu filho e precisava arcar com a responsabilidade.

Contudo, Edward mal teria uma herança quando Phillip partisse – quase tudo estava no nome do seu irmão mais velho, Louis, o futuro duque.

Ele entendera de maneira bem dolorosa que estava sozinho. Passou os anos sabendo que seu pai não nutria nenhum tipo de sentimento positivo para com ele, entrementes, não esperava ser praticamente expulso da família.

Todavia, todo início de outono era a mesma coisa. Ele deixava a casa do pai – que o recebia sempre a contragosto – para voltar para o convento, onde por insistência do mesmo estudava para ser um futuro padre.

Edward, apenas com quinze anos, tinha a vida toda planejada por ele. Seria clérigo até o padre da catedral de Londres mudar de cargo e então assumiria. Na verdade, tal coisa fora comprada pelo pai, que não queria saber do filho mais novo. Dar a ele uma vida na qual não precisaria se preocupar em ver as suas fuças ou entregar-lhe uma pequena fortuna como herança era o melhor que podia fazer.

Desde que sua mãe morrera Edward soubera que o inferno, na verdade, habitava a terra.

Andou até se cansar. A tarde caía obscura pelas árvores, mas ele sabia que ainda tinha tempo para caminhar sem a noite tomar conta. O clima, ao menos, ainda estava agradável.

Cansou-se da floresta e decidira ir de encontro com a queda d'água que fazia barulho a uns metros dali. Quando era criança, Edward gostava de sentar-se sobre as pedras e assistir a correnteza descendo a enorme rocha com águas tão cristalinas que era bom para beber.

Fora de encontro a clareira no meio das árvores e estava ansioso para parar um pouco. Precisava se recompor, colocar as ideias no lugar e decidir o que fazer em relação ao seu constante desentendimento com o duque. Não queria mais ter que ouvir suas grosserias, tampouco voltar a viver no convento. O que faria?

Talvez morar num mosteiro não era uma má ideia. Lá, pelo menos, ficaria só com seus pensamentos.

Tentava limpar as lágrimas e parar de chorar quando ouviu vozes vindas da cachoeira. Paralisou seu corpo por um instante surpreso. Nunca vira ninguém ali além dele, sua mãe e Louis. Ainda era parte da propriedade do seu pai.

Decerto eram criados tomando banho.

Edward tinha passos leves por causa do convento. Quis dar meia volta e ir para o castelo, mas ficara curioso acima das risadas que começaram.

Parou detrás de uma árvore com um grande tronco e mirou sua visão para onde as pessoas estavam.

Se tratava de um homem e uma mulher. Eles tomavam banho juntos, seus corpos nus estavam colados um no outro.

O cara tinha cabelos castanhos e estavam bagunçados. Sua pele era branca, sua estatura alta e seus braços estavam em volta da moça. Ela, uma garota mais baixa, de longos cabelos castanhos, quase negros, muito cheios e que brilhavam à luz do sol.

Ela era diferente. Edward não soube dizer o porquê, mas sabia que era.

A garota era quase um vislumbre encantador. A pele brilhava tanto quanto o cabelo, e o seu corpo...

Bem, Edward nunca tinha visto uma mulher nua pessoalmente. Tinha já seus quinze anos de idade, mas morava num convento de meninos e lá havia apenas freiras bem velhas. Também não fora levado para casas de massagem como o seu irmão – levado pelo seu pai - para descobrir o que era ser um homem.

Edward seria padre, e padres não podiam se deitar com ninguém – pelo menos era isso o que ele havia ouvido por diversas vezes, e aprendido com os seus mestres.

E ele levava esses ensinamentos a sério mesmo que quase nenhum dos outros levasse.

Isso fizera com que ele aprendesse a domar o seu corpo pouco a pouco. Odiava as novas descobertas de um adolescente porque não conseguia entender o que estava acontecendo. Ele só sabia que tinha a ver com reprodução e mais nada. O prazer era desconexo porque era pecado.

Entrementes, seus olhos não piscaram enquanto assistia aquele par se divertir na cachoeira. Suas bocas estavam juntas num beijo quente, suas mãos deslizando no corpo um do outro e suas vozes abafadas emitiam gemidos.

Aquilo parecia bom. De repente, Edward desejara saber como era a sensação de ter alguém em seus braços entregue a uma paixão como aquela. De preferência alguém que brilhasse como aquela moça.

Escondeu-se mais um pouco quando notou que ambos caminhavam na água. Foram até uma das pedras e o homem deitou a garota numa delas.

Seus seios apareceram, e eles pareciam ainda mais bonitos do que Edward conseguia imaginar. O corpo de uma mulher era muito diferente de um homem. Infinita vezes mais belo, formado por curvas suaves e delicadeza.

Os cabelos dela foram espalhados pela pedra e caiam em cascatas quase negras. Edward sentiu o corpo arrepiar - e quase estremecer - desejando tocá-lo uma única vez. Achou que aquela cena daria um quadro erótico perfeito. Nenhuma das moças das pinturas que seu pai possuía era mais bonita do que ela. Nenhuma tinha aqueles cabelos.

O homem tocava a sua pele e beijava seu pescoço. Arrancava suspiros lentos dela, respiração ofegante, gemidos de prazer.

Edward estava estático e não conseguia sair do seu lugar. Parecia que suas pernas haviam congelado e nem o máximo esforço conseguiria tirá-lo dali.

Entrementes, ainda permanecia curioso. Sabia que os dois estavam fazendo amor, e queria saber como era, nem que fosse assistindo.

Se desculparia com deus depois por pecar, mas não queria tirar os olhos daquela cena, muito menos daquela moça que parecia ter o paraíso no próprio corpo...

De repente, quando menos esperava, o moço o encarou. Edward teria corrido se não tivesse um lampejo estranho: de repente, vira a si mesmo no rosto do homem. Ele um pouco mais velho, com os cabelos maiores, rosto mais másculo, mas ainda assim era ele.

Engoliu em seco e partiu dali antes que fosse xingado. Ele só podia estar enlouquecendo. Afinal, sabia que aquilo era impossível. Não tinha como Edward ver a si mesmo num futuro impossível de existir.

Ou tinha?

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A Casa Dos Desprezados de Conteúdos

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