Capa do romance Dei O Troco Com Meu Sogro Perverso

Dei O Troco Com Meu Sogro Perverso

8.5 / 10.0
Elizian era uma jovem romântica que viu seu mundo desmoronar ao flagrar o noivo e a melhor amiga juntos em sua cama. Diante da traição cruel, ela abandona a postura de vítima e decide agir. Movida pelo desejo de retaliação e cansada de humilhações, ela planeja uma vingança inesperada contra aqueles que a feriram. O alvo de sua aliança estratégica é Marcelo, seu sogro, um homem poderoso que se torna a peça central de sua virada implacável.

Dei O Troco Com Meu Sogro Perverso Capítulo 1

Elizian

Finalmente, consegui a promoção que tanto queria. Mal via a hora de contar a novidade para Fred, meu noivo. Mas, como sei que ele não gosta de surpresas, resolvi enviar uma mensagem avisando que estava indo até sua casa.

No caminho, parei na cafeteria de sempre para pegar meu café. Enquanto aguardava o pedido, olhei para o celular na esperança de uma resposta. Nada. Apenas o silêncio preenchendo o espaço onde deveriam estar suas palavras.

Algo dentro de mim sussurrava que havia algo errado. Uma sensação inquietante, um pressentimento incômodo. Algo estava prestes a acontecer—e eu sabia que não iria gostar.

— Elizian? — A voz familiar soou atrás de mim, e quando me virei, lá estava Bianca. O que me pegou de surpresa não foi vê-la depois de tanto tempo, mas sim sua barriga arredondada. Estranhei. A última vez que a vi, ela namorava com sua melhor amiga. — Quanto tempo!

— Eu que o diga! Como você está? E... você está grávida...

— Sim. Me casei com Collen.

Aquilo me pegou de surpresa. Ela o odiava. Os dois viviam brigando por qualquer coisa.

— É, eu sei o que você está pensando. Está com pressa?

— Na verdade, sim. Mas estou livre à noite. Podemos sair e relembrar os velhos tempos, se você não se importar.

— Claro! Estou muito feliz em te ver novamente. Anota meu número e me manda seu endereço. Peço para o Collen me levar.

Trocamos números e nos despedimos. Bianca e eu éramos vizinhas e amigas, mas a vida adulta nos distanciou. Depois de tantos anos, encontrar um rosto familiar me trouxe um breve conforto.

Mas essa sensação durou pouco.

Parada em frente à porta do apartamento de Fred, liguei para ele. Nenhuma resposta.

Peguei a chave reserva que ele esqueceu na minha casa e entrei. Assim que pisei na sala, algo estava... estranho. A bolsa verde jogada na poltrona não era minha. O blazer ridículo no sofá tampouco. Meu coração disparou. Eu sabia exatamente de quem eram aquelas coisas.

Minha respiração ficou irregular, e minhas mãos suavam frio. Tirei os saltos para não fazer barulho e segui para o quarto, cada passo aumentando a pressão no meu peito. A porta da suíte estava entreaberta, e foi o suficiente para que eu ouvisse os murmúrios vindos lá de dentro.

— Ah, Fred... Não para, não para... Estou quase...

A voz inconfundível de Bruna fez meu sangue ferver.

— Aposto que a Eliz não faz nada disso com você.

— Elizian é só diversão e status. Eu gosto mesmo é de você. Adoro sua perversidade.

O mundo pareceu parar. Meu corpo ficou rígido. O ódio tomou conta de mim.

Empurrei a porta com força.

A cena me atingiu como um soco no estômago: Fred estava com a cabeça entre as pernas de Bruna, completamente entregue.

— Que porra é essa?! — Minha voz saiu alta, carregada de incredulidade e raiva.

Os dois se viraram em choque.

— Elizian... — Bruna balbuciou, os cabelos desgrenhados e sua lace barata mal ajustada. — Não é o que você está pensando!

Dei uma risada amarga.

— Ah, não? E o que seria, então? Uma nova técnica de fisioterapia?

Fred se levantou, tentando se recompor.

— Amor, eu posso explicar...

— Você tem noção do quão ridículo isso soa? — Cruzei os braços, lutando para manter minha postura firme. — Bruna, você sempre quis tudo o que era meu. Agora conseguiu. Parabéns. Só me surpreende o pau do Fred estar funcionando.

— Talvez o problema fosse você.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma atrocidade, minha mão agiu antes da razão. O tapa estalou alto no rosto dela, fazendo-a cambalear para trás.

— Sabemos que eu não sou o problema. Mas, já que adora pegar o que é dos outros, espero que guarde bem essa lição e não desperdice suas caixas vazias.

Fred tentou intervir:

— Amor, por favor, me escuta...

— Olha bem para a minha cara e me diz se eu pareço alguém que aceita traição.

Arranquei o anel de noivado do dedo e o ergui diante dele.

— Eu deveria jogar essa merda na sua cara, mas como sei que você nunca me pagaria pelo tempo desperdiçado, considere isso seu último presente. Reze para que tenha algum valor, porque, se não tiver, eu mesma vou garantir que sua reputação valha menos ainda.

Saí dali antes que minha raiva me fizesse fazer algo pior. Meu corpo parecia pesar toneladas, como se estivesse arrastando correntes presas aos pés.

Cheguei em casa e, sem hesitar, recolhi tudo o que era de Fred e joguei no lixo.

O dia passou rápido, mas a ficha ainda não tinha caído. Eu fui traída. E, ainda assim, não chorei. Não senti remorso. Nada.

Então... eu realmente amava Fred? Ou apenas estava carente e me agarrei à ideia de um casamento?

Pensei em tudo o que ele era: mal-humorado, distorcido, sem escrúpulos, mentiroso e o pior de tudo, ele era do tipo que faria qualquer coisa para se dar bem. Eu não sei onde estava com a cabeça quando me meti nisso, talvez a falta de uma amizade nos faça falta de vez em quando.

A batida na porta me tirou do transe, era Bianca com sua barriga enorme e uma cesta em mãos.

— Olá... — Droga! Ela realmente veio e eu esqueci de avisar que não estava em um bom dia, mas já foi... — Desculpa, eu vim em uma má hora? Posso voltar depois se você quiser.

— Não, está tudo bem. Entra, por favor.

Ela ainda mantinha a mesma essência que sempre teve. Bianca era a pessoa mais atenciosa e meiga que eu já conheci e parece que não mudou muita coisa.

— Então, posso saber o que está te deixando assim? — Ela apontou para a garrafa de vinho vazia que estava no chão, juntamente com um copo de whisky.

— Hoje descobri que fui traída. Eu... eu fui tão idiota por acreditar naquilo e... eu acho que estava desesperada por alguém.

— Ei, você é a pessoa mais corajosa que eu conheço e não é nenhum pouco idiota. Todo mundo comete erros, mas olhe pelo lado bom, você descobriu antes de casar, o que torna a situação um pouco menos pior.

Ela tinha razão, mas eu não estava pensando nisso exatamente, mas em como minha vida é solitária e eu não sei como mudar isso.

— Me desculpa por isso, eu deveria ter recebido você melhor. Eu não tive tempo para pensar em nada ainda.

Minha casa estava uma completa bagunça, mudei de apartamento há dois dias e ainda não tive tempo para arrumar as coisas.

— Elizian... a gente se conhece a tempo suficiente para entender as dores uma da outra e eu sei do que você precisa, se ainda servir, é claro. — Quando as coisas estavam difíceis, era Bianca quem me acalentava, quando perdi meus pais, foi ela quem me acalmou e que fez tudo parecer mais leve, confesso que senti falta durante esses anos. E foi ela quem me acalentou mais uma vez.

— Ela era minha melhor amiga, eu fui idiota em confiar tanto nela. Eu deveria ter desconfiado, como disse.

— Eliz, a gente não conhece o caráter de ninguém, mas nem por isso temos que nos privar de viver e conhecer pessoas. Por exemplo, eu estou muito feliz em te ver novamente e acredite, melhorou meu dia.

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