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Capa do romance O príncipe que eu deveria odiar

O príncipe que eu deveria odiar

Luke, o filho rebelde do Conde de Athea, planejava apenas sabotar o casamento da irmã com o Príncipe Artanis. Contudo, uma reviravolta o coloca no altar como o noivo oficial. Entre segredos obscuros e mentiras que desmoronam sua visão de mundo, ele percebe que não conhece ninguém de verdade. No centro de uma rede de intrigas e novas descobertas, o ódio profundo que nutre pelo príncipe pode ser o único laço real capaz de sustentá-lo nessa jornada.
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Capítulo 1

Era um dia frio no reino de Athea, as pessoas andavam apressadas, com seus vestidos longos e paletós colados ao corpo, tentando impedir a friagem de chegar em suas peles.

Em meio a toda essa agitação, todos falavam do casamento do príncipe Artanis com a filha do conde, Aretha. E era por toda essa situação que ninguém se importaria com um jovem qualquer a frente da taverna bebendo a quarta garrafa de vinho.

Luke fechou os olhos, meio tonto devido à bebida. Sua camisa branca e calças pretas estavam amarrotadas e sujas devido ao contato com o chão e pelo vinho que havia derrubado. Ninguém pensaria que alguém tão desalinhado seria o futuro cunhado do príncipe.

Ele se levantou cambaleando, decidindo se voltaria para casa ou se continuava a perambular um pouco mais por ali. Decidiu pela segunda opção. Quase ninguém se importaria mesmo.

Luke pensou que seria mais um dia como qualquer outro, onde ele chegava em casa, bêbado, sendo ignorado por todos, como se nem existisse. Exceto por sua irmã mais velha, que o acordaria com seu sorriso e olhos gentis.

“O que será de mim sem ela?” — Pensou no que faria quando Aretha estivesse longe e casada. Provavelmente seria totalmente esquecido.

O vento frio, o cortou mais uma vez, fazendo com que esfregasse os braços na tentativa de se aquecer. Talvez fosse melhor voltar para casa. Porém, algo inesperado o chamou a atenção. Ou melhor, alguém.

Um capuz escondia os cabelos loiros, quase brancos, do estranho que passou por ele. Porém, nele havia um cheiro amadeirado inconfundível. Luke havia se acostumado a sentir aquele odor toda vez que o noivo de sua irmã ia visitá-la em sua casa.

O que o príncipe estava fazendo ali no meio da noite? Estaria traindo a honra de Aretha logo antes do casamento? Se fosse mesmo ele, onde estariam seus guardas?

Bem, não era tão estranho assim, Artanis estar sozinho, afinal, o príncipe era conhecido por ser um excelente lutador e espadachim. E claro, seu maior título: alto mago de Athea. Com certeza conseguia se defender sozinho.

O jovem sabia que não deveria se meter com o príncipe, era muito poderoso comparado a alguém como ele. Porém, a vontade de proteger a irmã, que sempre fez tanto por si, venceu.

Mesmo que fosse alguém desajeitado, Luke era muito leve e magro, por isso, conseguia andar quase sem ser percebido. Apesar de estar bêbado, ele fez o possível para não deixar a tontura o dominar.

O possível príncipe estava quase desaparecendo na multidão. Luke se apressou para que não o perdesse de vista. Ele o seguiu pelas ruas, se escondendo nas vigas para não ser notado.

As pernas do conde estavam cansadas de tanto andar. Eles já haviam saído do centro e ido em direção à floresta obscura. Não era um local para civis comuns, principalmente para pessoas fracas como Luke. Mesmo assim, ele não desistiu. Por sua irmã.

Continuou seguindo o homem misterioso, até finalmente parar. O local de chegada era uma loja abandonada. Uma mulher de cabelos ruivos, olhos acinzentados e um vestido azulado, o esperava.

Luke sorriu, feliz por acertar,enquanto se escondia em meio às árvores. Então era mesmo uma amante.

O estranho abaixou o capuz e os cabelos loiros platinados foram totalmente vistos. E a voz suave e rouca que nunca perdia a calma, que o jovem já havia ouvido várias vezes elogiando sua irmã, se fez presente:

— Preparou o que pedi, Talise? —

A mulher ruiva, que não deveria passar dos 30 anos, acenou em confirmação. Logo se virou para trás para pegar algo no balcão.

— Aqui está, vossa alteza. Como foi pedido.

O príncipe se virou para examinar o objeto e Luke pôde ver seus frios olhos azuis em sua pele cor de mel, observando o pequeno frasco esverdeado.

O homem sorriu, mostrando os dentes brancos em seus lábios finos.

— Perfeitamente para se misturar em um chá de Hortelã, o preferido da condessa. Obrigado, Talise. Mais uma vez, a senhorita foi útil como sempre. —

Talise se curvou levemente e concordou:

— Só fiz meu papel para ser útil para vossa alteza.

Luke tapou a boca tentando não emitir nenhum som. Seu coração acelerou e suas mãos tremiam. Mas o que mais fazia seu corpo doer, era a vontade de atacar aquele desgraçado por querer matar sua irmã.

Aretha era perfeita, uma dama linda e gentil. Ela possui milhões de qualidades com certeza dignas para ser esposa de um príncipe, como aquele homem poderia desejar matá-la? O que sua doce irmã poderia ter feito para receber tal destino e despertar, tal desejo?

A raiva lhe tomou e o conde teve que fazer o possível para não se mover. No entanto, seus esforços pareceram ser inúteis. Pois, a voz de Artanis foi ouvida novamente:

— Silêncio. Parece que temos um cachorrinho perdido entre nós, Talise. Cuide disso para mim por um momento. — entregou o frasco a mulher e em poucos segundos, sem que Luke percebesse, os olhos gélidos o fitavam com diversão.

— O que faz aqui, cachorrinho? Está perdido? Mesmo assim, admiro que você seja um cachorro exemplar ao conseguir ver através da minha barreira.

O coração de Luke acelerou ainda mais, a raiva se misturou com medo e ele apertou os dedos sem saber o que fazer. Deveria tentar lutar contra o mago ou fugir? No fim, acabou exclamando em meio a gritos:

— O que vai fazer com minha irmã? Ela não merece isso. Ela é boa e gentil, porque quer matá-la?

Artanis sorriu sombriamente, sua boca se aproximando — se do ouvido do jovem. Luke pôde sentir sua respiração bem perto:

— Um cachorrinho leal à irmã, que a segue cegamente como se ela fosse uma santa. Porém, não sabe que ela é um lobo, assim como eu. Um lobo que finge ser domesticado para não perceberem seu lado selvagem. Tem certeza que a conhece de verdade?

Luke se afastou, com receio. Ele ficou alguns passos longe do príncipe. Mesmo assim, algo o prendia ali, ele não conseguia se mover.

— Que besteiras você está falando? Como pode sujar o nome dela com essas palavras? Minha irmã não é assim. Ela é uma verdadeira dama. E mesmo que fosse, qual o motivo de matá-la?

O sorriso de Artanis fez seu corpo se arrepiar. Ele parecia realmente um lobo olhando para um cordeirinho frágil e assustado. Luke se culpou por achar aquela expressão quente.

— Sua irmã tem algo que desejo muito. Algo que busco há anos. E eu terei, de qualquer maneira. Mas como sou um cavalheiro e sigo as regras acima de tudo… — O príncipe se aproximou novamente. — Terei que me casar para ter o que quero. Se você for um bom cachorrinho, eu posso te contar. Mas acho que já está tarde. Além disso, não há muito que um bêbado e excluído como você possa fazer. —

Artanis finalizou a frase, colocando os dedos pelos lábios de Luke até cobri-los com os seus próprios.

Luke se assustou, nunca havia sido beijado na vida. Mas sabia que no meio daquele gosto de uísque e menta havia algo muito ruim. Um beijo não deveria fazer sua visão escurecer e sua mente se desligar.

Quando o jovem desmaiou, o príncipe o pegou em seus braços.

— Aqui está alteza. — Talise lhe mostrou o frasco que em segundos desapareceu. Enviado para um lugar seguro pelo mago.

—Agradeço o serviço mais uma vez, Talise. Agora devo levar esse cachorrinho abandonado para casa.

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