Capa do romance A Noiva Que Roubou Meu Rim

A Noiva Que Roubou Meu Rim

9.3 / 10.0
Após doar um rim para salvar o sogro, fui descartado pela noiva no hospital. Ela me chamou de doador conveniente e voltou para o ex rico. A traição piorou quando ele atropelou minha irmã; para protegê-lo, minha ex espalhou mentiras online que levaram ao assassinato da minha irmã por um estranho. A mulher a quem dei parte do meu corpo destruiu minha vida e me tirou tudo. Agora, busco justiça e farei com que eles percam tudo o que possuem.

A Noiva Que Roubou Meu Rim Capítulo 1

Eu dei meu rim para a minha noiva, para salvar a vida do pai dela.

Dois dias depois, ela me largou na cama do hospital, me chamando de "doador de órgãos conveniente" antes de voltar correndo para o ex-namorado rico.

Mas a crueldade deles estava apenas começando.

Depois que o ex dela atropelou e fugiu, deixando minha irmã ferida, minha noiva lançou uma campanha de difamação online para protegê-lo.

As mentiras dela inspiraram um estranho a entrar no quarto de hospital da minha irmã e assassiná-la.

A mulher para quem eu sacrifiquei uma parte do meu corpo tirou tudo de mim.

Agora, eu vou tirar tudo deles.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Daniel Braga

"Eu preciso do seu rim."

Foi assim que a Diana começou a conversa, sentada na beirada da nossa cama, com as mãos delicadamente postas no colo. Ela disse isso com o mesmo tom casual que usava para perguntar se eu tinha comprado pão na volta para casa.

Por um segundo, achei que tinha ouvido errado. O zumbido do ar-condicionado da garagem de repente pareceu ensurdecedor. Larguei a chave de boca que estava limpando, o metal frio contrastando com o calor súbito que subiu pelo meu rosto.

"Você o quê?"

Ela me olhou, seus grandes olhos verdes — aqueles sobre os quais eu escrevi poesias ruins no colégio — arregalados com uma inocência ensaiada.

"Meu pai, Dani. Ele está com insuficiência renal. Os médicos dizem que ele só tem alguns meses sem um transplante."

Meu coração se apertou. O Sr. Almeida era um bom homem. Ele me ensinou a pescar, a dar um nó Windsor para minha primeira entrevista de emprego de verdade. Ele era o mais próximo que eu já tive de um pai.

"Meu Deus, Di. Eu sinto muito. O que a gente pode fazer? A gente arrecada dinheiro, coloca ele em todas as filas..."

"Ele já está nas filas", ela me cortou, a voz suave e perturbadoramente calma. "Mas a espera é muito longa. Já testaram a mim, minha mãe... ninguém da família é compatível."

Ela fez uma pausa, deixando o silêncio pairar no ar como uma guilhotina.

"Mas você é."

Eu a encarei.

"Você me mandou fazer o teste?"

"Quando você fez seu check-up no mês passado", disse ela, com um gesto displicente. "Pedi para incluírem alguns exames extras. Só por precaução. E você é perfeitamente compatível, Dani. É como se fosse o destino."

Senti um pavor gelado subir pela minha espinha, uma sensação que eu não conseguia nomear. Era como ser levado à beira de um penhasco por alguém em quem eu confiava minha vida.

"Diana... isso é... isso é uma cirurgia. Uma cirurgia séria. Não é como doar sangue."

"Claro que é, bobo", disse ela, a voz ficando melosa enquanto deslizava da cama e se ajoelhava na minha frente. Ela pegou minhas mãos sujas de graxa nas dela, ignorando a sujeira. "É o sacrifício supremo. É uma prova do nosso amor. Pense nisso. Você não estaria apenas salvando meu pai. Você estaria salvando nosso futuro. Você faria parte da minha família, de verdade. Para sempre."

A palavra "para sempre" ecoou no pequeno espaço entre nós. Foi a palavra que ela usou quando a pedi em casamento. Foi a palavra que ela sussurrou no escuro. Agora, parecia uma jaula.

Olhei para nossas mãos unidas. Meus dedos calejados e manchados de óleo envolviam os dela, perfeitamente cuidados. Éramos de mundos diferentes. Eu consertava carros para viver, encontrando satisfação em fazer coisas quebradas funcionarem de novo. Ela era uma Almeida, um sobrenome sinônimo de dinheiro antigo e clubes de campo em Campinas. Eu sempre soube que tinha sorte de tê-la. Passei nosso relacionamento inteiro tentando provar que eu era digno.

E agora, isso. O teste final.

"Você não entende, Dani?", ela murmurou, o polegar acariciando as costas da minha mão. "Depois disso, ninguém jamais poderia questionar seu lugar nesta família. Nem minha mãe, nem nossos amigos, ninguém."

Ela se inclinou, os lábios perto do meu ouvido.

"Imagine me levar ao altar, sabendo que você é o herói que salvou meu pai. Você seria tudo para mim."

O pavor gelado lutava contra o amor profundo e doloroso que eu sentia por essa mulher. Eu a amava o suficiente para fazer qualquer coisa. Mas isso parecia diferente. Parecia uma transação, o preço final e sangrento de admissão ao mundo dela.

Olhei em seus olhos, procurando por um lampejo de dúvida, de medo por mim. Não encontrei nada. Tudo o que vi foi uma determinação de aço, inabalável.

Minha própria lógica gritava comigo. Isso era loucura. Isso era uma violação. Mas a parte de mim que a amava, a parte que vinha tentando preencher o abismo entre nossos dois mundos por anos, já estava se rendendo. Eu queria ser o herói dela. Eu queria garantir aquele "para sempre".

Um longo silêncio se estendeu. Eu podia ouvir a batida frenética do meu próprio coração.

Finalmente, ouvi uma voz, distante e oca, que mal reconheci como minha.

"Quando é a cirurgia?"

Um sorriso brilhante e deslumbrante se abriu em seu rosto. Era o sorriso que me cativou desde o primeiro dia, mas pela primeira vez, não me aqueceu. Gelou-me até os ossos.

"Eu sabia que você faria isso", ela sussurrou, me beijando com força. "Vou ligar para o hospital agora mesmo."

Ela praticamente saltitou para fora do quarto, o celular já no ouvido, me deixando sentado ali, coberto de graxa, sentindo como se tivesse acabado de entregar voluntariamente uma parte da minha alma.

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