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Capa do romance O Preço De Uma Rainha Da Máfia

O Preço De Uma Rainha Da Máfia

Unida a Marco Ricci por um pacto de sangue entre as máfias de São Paulo, descobri que meu destino era uma farsa. Ao flagrá-lo nos braços de Ângela, a protegida da família, entendi que eu era apenas um trunfo político. Recusando-me a ser a segunda opção, decidi romper o noivado e buscar uma aliança perigosa. Para manter o poder e me vingar, escolhi me casar com Don Dante Valentino, o maior rival de meu pai, transformando o tabuleiro do crime em um campo de guerra.
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Capítulo 1

Meu casamento com Marco Ricci foi um contrato assinado com sangue, uma promessa para unir as duas famílias mais poderosas de São Paulo. Ele era o meu futuro, o rei escolhido para governar ao meu lado. Todos diziam que nossa união era o destino.

Mas ele chegou em casa cheirando a perfume barato e às mentiras de outra mulher. Era o cheiro de Ângela, a órfã frágil que a família dele acolheu, a garota que ele jurava proteger como uma irmã.

Eu o segui até um clube exclusivo. Das sombras, observei-o puxá-la para seus braços e dar-lhe um beijo faminto e desesperado — um beijo que ele nunca me deu. Naquele instante, todo o meu futuro se estilhaçou.

Finalmente entendi os sussurros dos homens dele, de que eu era apenas um prêmio político, enquanto Ângela era a verdadeira rainha deles. Ele queria o meu império, mas o coração dele pertencia a ela.

Eu não seria um prêmio de consolação. Eu não seria a segunda opção de ninguém.

Entrei direto no escritório do meu pai, com a voz fria como o gelo. "Estou cancelando o casamento."

Quando ele protestou, eu dei o golpe final. "Vou manter a necessidade de uma aliança para a nossa família. Vou me casar com Don Dante Valentino."

O copo de uísque do meu pai se espatifou no chão. Dante Valentino era nosso maior rival.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Isabella:

O contrato do meu casamento com Marco Ricci foi assinado com sangue quando éramos crianças, uma promessa de união entre duas das famílias mais poderosas de São Paulo. Mas a mentira que descobri em seus lábios tinha gosto de perfume barato e de outra mulher.

Esta cidade, este reino imenso de vidro e aço, um dia seria meu. Eu era Isabella Moretti, filha de Don Alessandro Moretti. Cada rua de paralelepípedos e beco sombrio era parte da minha herança, um direito de nascença que fui criada para comandar.

Mas nos momentos de silêncio, quando o peso do meu nome parecia mais pesado que a minha coroa, tudo o que eu queria era ele.

Marco Ricci.

Ele era o meu futuro, minha outra metade, o homem escolhido para governar ao meu lado. Ele era o herdeiro da família Ricci, um homem cuja força e mente estratégica eram comentadas em tons baixos e respeitosos de São Paulo ao Rio de Janeiro. Ele era tudo o que um futuro Don deveria ser.

Todos diziam que estávamos destinados. Dos velhos capos tomando cafezinho no Bixiga às esposas que administravam as instituições de caridade que lavavam nosso dinheiro, era um fato conhecido: Isabella Moretti pertencia a Marco Ricci.

Meu coração sempre sabia quando ele estava perto. Era uma batida frenética e selvagem contra minhas costelas, um ritmo familiar que eu sentia desde menina.

Eu estava parada junto à janela do chão ao teto da nossa cobertura, esperando. Antecipava o cheiro que sempre o acompanhava, uma mistura limpa e marcante de sândalo e couro. Era o cheiro do poder, da segurança. Era a única coisa que podia domar a fera inquieta que vivia dentro da minha alma.

As portas do elevador se abriram com um silvo suave. Ele saiu, seus ombros largos preenchendo a entrada.

Mas o ar que o seguia estava errado.

Estava contaminado.

Por baixo do sândalo familiar, um doce enjoativo grudava em suas roupas. Um cheiro floral barato e sintético que fez meu estômago se revirar.

Gardênia.

Eu conhecia aquele cheiro. Pertencia a Ângela Rossi.

Ela era a órfã que a família Ricci acolheu anos atrás, uma garota com olhos grandes e inocentes e uma fragilidade que fazia os homens quererem protegê-la. Marco, especialmente. Ele a tratava como se fosse feita de vidro, uma irmã preciosa que ele tinha que proteger do mundo.

Do nosso mundo.

Virei-me da janela, meu rosto uma máscara cuidadosamente construída de calma.

"Você estava com ela."

Não era uma pergunta.

O sorriso de Marco era tão suave e impecável quanto seu terno feito sob medida. Ele caminhou em minha direção, seus movimentos fluidos e confiantes. "Acabei de deixá-la em casa. Ela teve um dia longo."

Ele se inclinou para me beijar, mas eu recuei. O cheiro estava mais forte agora, uma nuvem sufocante de mentiras.

Respirar de repente parecia uma tarefa difícil. O ar na sala, antes preenchido com o silêncio confortável de nossa vida compartilhada, agora estava denso com a traição.

"Vou para a cama", disse ele, sua voz casual. Ele desabotoou os punhos, seu olhar já distante. "Não me espere."

Eu assenti, um único movimento brusco. "Boa noite, Marco."

Mas eu não fui para o meu quarto. Esperei até ouvir o chuveiro começar, um fluxo constante de água lavando as evidências de seu engano. Então, saí da cobertura.

Eu não precisava perguntar para onde ele estava indo. Podia sentir a atração de sua traição em minhas entranhas. Segui o cheiro, um rastro de veneno me levando para o coração sombrio da cidade.

Ele foi a um clube exclusivo de sua família, um lugar de sombras e segredos. Fiquei na escuridão do corredor, meu coração martelando um ritmo frenético contra minhas costelas. Ele a encontrou em um nicho isolado, escondido da vista.

Mas não de mim.

Observei enquanto ele a puxava para seus braços. Vi-o baixar a cabeça, seus lábios encontrando os dela na penumbra. Não foi um beijo gentil. Foi faminto, desesperado. Um beijo que ele nunca me deu.

O mundo girou em seu eixo. O futuro que fora traçado para mim desde o nascimento — a vida com Marco, os filhos que teríamos, o império que governaríamos — rachou ao meio, estilhaçando-se em um milhão de pedaços irreconhecíveis.

Meu destino era uma mentira.

Não fiz nenhum som. Apenas recuei, me fundindo às sombras que sempre foram meu lar.

A caminhada de volta para a cobertura pareceu como atravessar água gelada. Cada ponto de referência familiar — a fonte na praça, as estátuas de leão guardando nosso prédio — parecia estranho e hostil.

Fui direto para o escritório do meu pai. As portas eram imponentes, esculpidas em carvalho escuro. Eu as abri sem bater.

Ele estava atrás de sua mesa, um copo de uísque na mão. Ele sorriu quando me viu. "Isabella. Que surpresa agradável." Seu sorriso desapareceu ao ver meu rosto. "O que foi? O que há de errado?"

Caminhei até sua mesa, meus passos firmes, minha voz desprovida de emoção. Parecia que outra pessoa estava falando, uma versão mais fria e dura de mim mesma que eu não conhecia até esta noite.

"Pai."

"Sim, minha querida?"

"Estou cancelando o casamento."

Ele me encarou, a testa franzida. "Isabella, os convites foram enviados. As famílias esperam por esta união. É uma questão de honra."

"Honra?" Soltei uma risada pequena e amarga. "A honra dele está manchada com o cheiro de outra mulher." Olhei diretamente em seus olhos, minha decisão um bloco de gelo em meu peito. "Eu fiz outros arranjos."

"Que outros arranjos?" ele perguntou, sua voz tingida de confusão e um toque de pavor.

"Vou manter a necessidade da família por uma aliança", eu disse, minha voz clara e firme. "Vou me casar com Don Dante Valentino."

O copo do meu pai escorregou de seus dedos, estilhaçando-se no chão de mármore. "Valentino? Bella, você não pode estar falando sério. Ele é nosso rival. Marco... Marco é a sua vida."

"Não, pai", eu disse, as palavras com gosto de cinzas na minha boca. "Marco foi o meu erro."

Não foi uma decisão repentina. O beijo foi apenas a confirmação final de uma verdade que sussurrava em meu ouvido há meses.

Lembrei-me de algumas semanas atrás, escondida no escritório para surpreender Marco, quando ouvi uma conversa pelo link de comunicação seguro que conectava nosso círculo íntimo. Era um canal privado, um lugar para pensamentos sem filtro.

Enzo, um dos soldados mais confiáveis de Marco, estava falando. "Ela é uma princesa, Marco. Uma linda e mimada princesa Moretti. Ela nasceu com uma coroa. Ela não entende a nossa luta."

Minha respiração ficou presa na garganta. Senti um pavor frio subir pela minha espinha.

Então Luca, o *consigliere* de Marco, sua voz suave e calculista. "Ângela, no entanto... Ângela é diferente. Ela é uma de nós. Ela tem fogo. Um homem sabe onde pisa com uma mulher como ela."

Jonas, outro soldado, riu. "Ele está certo. Além disso, Angie me disse que Marco é a única família de verdade que ela tem. Ela faria qualquer coisa por ele."

As palavras foram como um soco no estômago. Eles me viam como um prêmio político, uma boneca frágil a ser administrada. Eles viam Ângela como a rainha deles.

Eu entendi então. Marco e Ângela foram trazidos para a família Ricci do mesmo orfanato anos atrás. Eles foram os únicos dois sobreviventes de um incêndio que matou todos os outros. Ele sentia um dever profundo e inquebrável para com ela.

E toda vez que Ângela chorava, toda vez que ela alegava que outra garota a havia intimidado, Marco ficava do lado dela. Ele olhava para mim, seus olhos suplicando por compreensão. "Ela já passou por tanta coisa, Bella. Ela é frágil."

Agora, vendo-os juntos, os sussurros e o favoritismo se encaixaram. O beijo não foi um momento de fraqueza. Foi uma declaração.

Ele queria poder. Ele queria o nome Moretti e o império que vinha com ele. Mas seu coração, sua lealdade, sua alma... isso pertencia a Ângela.

E eu não seria a segunda opção de ninguém.

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