Capa do romance Entre a traição e a verdade: A filha que o destino escondeu.

Entre a traição e a verdade: A filha que o destino escondeu.

8.6 / 10.0
Beatriz vê sua vida mudar ao trabalhar para Rafael Antonelli, um bilionário sedutor que a envolve em uma obsessão perigosa. No entanto, o passado ressurge com Felipe Vassalo, seu primeiro amor, que a deixou após uma armação cruel de seu pai mafioso, Cesare. Beatriz escondeu uma gravidez e agora, anos depois, o reencontro revela a verdade sobre sua filha. Dividida entre dois homens implacáveis, ela enfrenta uma guerra de segredos e desejos onde o amor corre risco.

Entre a traição e a verdade: A filha que o destino escondeu. Capítulo 1

Beatriz abre a porta do quarto, e o que vê a despedaça de forma brutal. A cena à sua frente congela o tempo e arranca o chão sob os seus pés. Felipe está ali, deitado em sua cama, nu, com o corpo entrelaçado ao de outra mulher, a Lívia. A visão é clara, cruel, aterrorizante. O lençol cobre apenas o essencial, deixando à mostra o toque íntimo de suas peles suadas, coladas como se tivessem sido moldadas para caberem uma na outra. O peito dela repousa sobre o dele, como se aquele espaço sempre tivesse sido seu. Como se Beatriz nunca tivesse existido. E ali, parada na porta, o coração acelerado como um animal encurralado, sem conseguir respirar, sem conseguir piscar, sem conseguir sequer gritar, ela sente a dor. Uma dor que não é só emocional, é física, violenta, esmagadora. Algo entre a náusea e o colapso. Um rasgo seco, cortante, que começa na garganta e se espalha pelo peito como uma explosão silenciosa.

O estômago dela se contrai como se tivesse sido perfurado por dentro. O ar se nega a entrar. Os olhos ardem, mas ela não pisca. Está congelada. Estática. É como se estivesse assistindo à própria morte em câmera lenta. O coração, antes cheio de planos e promessas, agora lateja como um tambor descompassado. O corpo inteiro treme, mas não há reação visível. Por fora, ela parece uma estátua de sal. Por dentro, tudo ruge, tudo queima, tudo grita.

O mundo dela, que até poucas horas atrás era feito de planos para o casamento, de uma vida a dois, de um futuro sonhado, agora jaz ali, desmoronado entre lençóis sujos de prazer e mentira. Aquela era a cama onde dormiam juntos. O quarto onde riram, choraram, fizeram planos. Agora, palco de uma traição devastadora.

Ela sente o próprio sangue zunindo nos ouvidos. Uma pressão insuportável na cabeça. A visão embaça por segundos. O rosto de Felipe está relaxado, sereno, um retrato de satisfação pós amor. Lívia, tão à vontade, repousa nele com a intimidade de quem já pertence a ele e aquele lugar. Beatriz sente o estômago revirar. Um gosto amargo invade a boca. Ela fecha a mão em punho, tentando não desabar ali mesmo.

Ela quer gritar. Chamar o nome dele. Arrancar aquele lençol. Fazer o mundo explodir. Mas sua voz não sai. A garganta está selada por dor e incredulidade. A mente dela repete a mesma palavra: por quê?

Eles não a veem. Não ouvem. Dormem. Dormem como se o mundo estivesse em paz.

Beatriz dá dois passos para trás. Depois mais dois. O coração implora por uma fuga, mas os pés parecem colados ao chão. Um tremor sobe por suas pernas, alcança os braços, toma conta da pele. As lágrimas finalmente escapam, quentes, silenciosas, escorrendo pelo rosto pálido. Ela respira fundo, um som quebrado sai dos lábios.

- Por que justo hoje...? - ela sussurra, como se falasse para a parede, para Deus, para qualquer entidade que pudesse lhe dar sentido. 

- Exatamente no dia da minha formatura...

O mesmo dia em que Felipe prometeu estar ao lado dela. O dia em que jurou que a vida deles começaria de verdade.

O dia que deveria ser o início... agora se torna o fim.

Ela fecha a porta do quarto devagar. O clique suave é como um ponto final seco em tudo o que viveu com ele. Depois se vira, atravessa o corredor, com as pernas fracas e os olhos vazios. Cada passo é um esforço descomunal. Cada batida do coração é uma lâmina nova.

A sala parece um cenário estranho. As taças de vinho vazias. A luz baixa. A bolsa de Lívia jogada displicentemente sobre o sofá. Tudo ali testemunha o crime. Tudo ali grita que ela foi enganada. Que viveu uma mentira.

Beatriz abre a porta do apartamento com fúria. Um estouro. Uma ruptura. Como se fosse arrebentar as últimas correntes que ainda a prendem àquele pesadelo.

Desce as escadas sem parar, sem respirar direito, quase tropeçando nas próprias pernas. O vestido longo ainda está molhado da chuva. A maquiagem desfeita. Os pés descalços tocam os degraus frios, indiferentes à dor física. Nada importa além da dor dentro dela.

Na rua, a noite continua a mesma, mas Beatriz não é mais a mesma.

A chuva volta a cair com força. As gotas batem em sua pele como facas geladas, mas ela não se importa. Caminha sem rumo, sem direção, como se o seu corpo estivesse em piloto automático, guiado apenas pela tentativa de escapar da imagem gravada na sua mente.

Lívia...

A mulher que sempre estava por perto. Que sorria demais. Que tocava o braço de Felipe tempo demais. Que ela sempre desconfiou... porque Felipe dizia que era só uma amiga. Uma colega de trabalho. Inofensiva, apenas uma pessoa carente.

A raiva começa a crescer. Não explode, mas se acumula como lava, fervendo silenciosa por dentro.

E então, ela se lembra.

Cesare.

A voz dele surge como um eco no fundo da mente:

- Ele não é quem você pensa, Beatriz. Abra os olhos antes que seja tarde demais.

Na época, ela achou que ele estava com ciúmes. Achou que era exagero. Mas agora...

Agora as palavras dele soam como uma profecia.

As promessas dele ecoam na mente dela como zombarias. Os planos. A vida a dois. O apartamento. A rotina compartilhada. A promessa de casar após a formatura.

Mentiras.

Corre. Como quem foge de um incêndio. Como quem tenta escapar de um pesadelo que se recusa a acabar. O choro forte misturado com soluços. A chuva lá fora é um castigo divino, uma punição final. Mas também é libertação.

Por que ele fez isso comigo, será que não fui o suficiente para ele? 

Por que logo com a Lívia?

Por que justo hoje?

Por que tanta frieza?

Beatriz atravessa a rua. Os faróis dos carros refletem nas poças. A cidade está nublada, borrada, girando ao redor dela. Cada passo a leva mais longe do que foi. Do que acreditava ser. Do que ainda queria.

Um som. Um motor. Rápido demais.

Um clarão de luz.

Um freio tardio.

E então, o impacto.

O corpo de Beatriz é lançado no ar. Por um momento, ela voa. Um segundo de suspensão entre a dor e o nada.

Depois, tudo desaparece.

Mas antes que a escuridão a engula por completo, um pensamento final perfura o nevoeiro da sua mente:

E se não foi  apenas um acidente?

Continue Lendo

Entre a traição e a verdade: A filha que o destino escondeu. de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Infiel I
8.1
Lígia está presa em um casamento de conveniência com um magnata, vivendo uma realidade amarga e sem afeto. Em uma tentativa desesperada de escapar dessa dor, ela se entrega a uma noite de paixão com um desconhecido atraente. No entanto, o que parecia ser um encontro fortuito revela-se algo planejado. Agora, as consequências desse momento inesperado prometem transformar sua trajetória e seu destino para sempre, mudando tudo o que ela conhecia.
Capa do romance ATENDIMENTO: SIMPLESMENTE SER EDUCADO
8.0
Esta obra explora como o atendimento humanizado dignifica o indivíduo e transforma o próprio ser na busca por evolução. O texto define o ato de atender através da empatia, priorizando a qualidade ao se colocar no lugar do próximo. Ao planejar o futuro respeitando o presente e as relações interpessoais, o sucesso torna-se consequência natural. Acreditar em si e cultivar uma imagem positiva perante o grupo são os pilares para alcançar a plenitude e o êxito.
Capa do romance Cores do destino
9.8
Dylan, um surfista rico de Los Angeles, vive marcado pelo sumiço misterioso da mãe. Sua vida solitária muda ao conhecer Estela, uma artista traumatizada pelo passado abusivo sofrido pela mãe, Tália. O encontro à beira-mar desperta uma conexão profunda, mas segredos familiares e medos internos ameaçam esse amor nascente. Entre conflitos e descobertas, ambos precisam enfrentar seus demônios pessoais para provar que o sentimento deles pode vencer qualquer tempestade.
Capa do romance Gravida do ceo
8.0
Emília Miller é uma funcionária dedicada que busca seu lugar no império de Marlon Campbell, um magnata tão atraente quanto implacável. Ao participar do evento 'A Noite das Máscaras', ela espera apenas reconhecimento profissional, mas um encontro inesperado com seu chefe resulta em uma gravidez não planejada. Diante da nova realidade, Emília é cruelmente rejeitada por Marlon. Agora, ela precisa reunir forças para enfrentar sozinha os desafios de um futuro incerto e solitário.
Capa do romance NÓS BRAÇOS DA MORTE
8.5
Desesperada para escapar de um casamento forçado pelo avô, a doce Olivia Scannell executa um plano audacioso com o apoio da tia Giulia: ela dopa Morte, o criminoso mais temido da máfia. Ao despertar nu ao lado da jovem, ele luta com memórias confusas até ser flagrado pelo pai e pelo melhor amigo, Maximiliano. Sem lembranças claras, Morte exige explicações. Agora, Olivia enfrenta o perigo iminente caso a verdade sobre sua armação seja revelada.
Capa do romance Pecadora
9.4
Eu ri, deitada ao lado da minha irmã, ambas apertadas na minha cama de solteiro, como costumávamos fazer nas manhãs de domingo. Era engraçado como Rebeca sempre me fazia sentir livre e solta como normalmente eu não era. Eu sempre tinha sido tímida e quieta; ela, extrovertida e espalhafatosa. - Você​ri?​-​Ela​me​empurrou​com​o​ombro, pressionando-me contra a parede. Empurrei-a de volta, e ela quase caiu. Gargalhamos. Então ela envolveu minha cintura com um braço e ergueu o rosto, olhando para mim e dizendo, inesperadamente: - Estou grávida. Gelei, muda. Virei minha cabeça sobre o travesseiro e busquei os olhos dela, pensando ser mais uma brincadeira. Mas ela estava séria. Deixou a cabeça cair no meu travesseiro e ficamos nos encarando. Senti medo por ela. Minha irmã é quase dois anos mais velha do que eu, mas ainda assim tinha só dezoito anos. Ameacei chorar, mas me segurei. Murmurei, angustiada: - Meu Deus... - Deus não tem nada a ver com isso, Isabel. Ou talvez tenha... - Ela deu de ombros. - Você vai ser titia. - Rebeca, você sabe que isso vai ser uma tragédia aqui em casa. - Eu me ergui e me sentei, tensa. - Papai e mamãe... - Vão querer me matar. Ou melhor, me casar - brincou ela, de novo. Ela se sentou também, passando a mão pelo cabelo curto, na altura do pescoço, em cachos desconexos. Era totalmente diferente do meu, que passava da cintura, como fora o dela um dia, antes de se revoltar e cortar tudo, episódio que quase lhe custara uma surra do nosso pai. - Casar com quem? Quem é o pai do bebê? - Como vou saber, Isa? - debochou ela. - Pode ser qualquer um dos dez ou vinte com quem transei nos últimos tempos. - Ah, Rebeca! - Segurei suas mãos, nervosa. Não concordava com muitas das loucuras dela, mas, no fundo, eu a entendia. E me preocupava, por sua causa e por nossos pais. - Você faz isso só para confrontar os dois! - Faço porque quero! Sou livre! Sou maior de idade e trabalho. Vou contar a eles sobre a gravidez, alugar um quarto e sair daqui. Vou me livrar dessa loucura toda! - Não é loucura. - Tentei justificar. - Papai é pastor e... - Loucura! - repetiu, irritada. - Opressão! É isso o que ele faz com essa igreja que ele criou. Isso não é religião, Isabel. Deus não é essa infelicidade toda que somos obrigadas a suportar. Conheço muita, muita gente cristã que está longe de viver oprimida como nós. Uma parte de mim pensava como ela. Mas, criada desde pequena de maneira rígida, eu tinha medo daqueles pensamentos. Temia também pela salvação da minha irmã, que eu amava mais do que tudo. - Escute... - Coloquei a mão em seu rosto, com carinho e preocupação. - Não precisa dessa revolta toda. Você se machuca e magoa nossos pais, Rebeca. Pode falar o que quiser sem... - Falar o que quero? Desde quando? Não me faça rir, Isa! - Ela suspirou, mas não se afastou. - Sabe que eles não aceitam! É aquela religião maldita deles. - Não diga isso - briguei com ela. - É a nossa religião!
Capítulos
Leia agora
Compartilhar