
O Preço da Ingenuidade
Capítulo 2
A vida de Luana desmoronou cinco anos atrás, na véspera do concurso de bolsas para a faculdade de design dos seus sonhos.
Sua meia-irmã, Patrícia, e o namorado dela, Rafael, armaram uma cilada. Eles a acusaram de plágio no projeto final, um trabalho que valia pontos cruciais para o concurso.
Ela foi desqualificada. Sua reputação, destruída. Seu pai, envergonhado com o escândalo, a deserdou.
Rafael, que a cortejava há anos, apareceu como um salvador. Ele a convenceu a morar com ele, prometendo cuidar dela e do bebê que ela esperava.
Luana, grávida, sozinha e sem esperança, aceitou.
Cinco anos se passaram. Cinco anos de uma vida medíocre, esperando por um homem que dizia estar "estudando no exterior".
Quando Rafael finalmente voltou, a verdade veio à tona como um soco no estômago.
Ele e Patrícia sempre foram amantes. Tudo não passou de um plano cruel para tirá-la do caminho. Patrícia queria a bolsa de estudos, a herança da família, a vida que deveria ter sido de Luana.
O choque a paralisou. Ela se lembrava de confrontá-los, de ver o sorriso vitorioso nos lábios de Patrícia e o desprezo no olhar de Rafael.
"Você sempre foi tão ingênua, Luana," Patrícia disse, a voz cheia de veneno. "Achou mesmo que o Rafael te amava? Ele só queria o dinheiro do nosso pai."
Luana tentou fugir, correr para longe daquela mentira que era sua vida. Correu sem rumo pelas ruas, cega pelas lágrimas e pela dor da traição.
O som de pneus cantando no asfalto molhado foi a última coisa que ouviu.
Depois, uma dor aguda e a escuridão.
Ela morreu com o coração cheio de ódio e arrependimento. Arrependimento por ter sido tão cega, por ter confiado nas pessoas erradas.
Então, ela abriu os olhos.
A luz do sol entrava pela janela do seu antigo quarto, iluminando a poeira que dançava no ar. O cheiro familiar de livros e tinta a óleo preenchia seus pulmões.
Ela estava sentada em sua escrivaninha, o projeto de design quase finalizado à sua frente.
Sua mão tremia ao tocar o papel. Era real. Tudo era real.
"Luana, você está bem?"
A voz de Patrícia, falsamente doce, a fez estremecer. Ela se virou e viu a meia-irmã parada na porta, segurando um copo de suco.
"Você parece cansada. Fiz um suco energético pra te dar uma força. Você precisa estar no seu melhor para entregar o projeto."
Era o mesmo suco. O suco que a deixou sonolenta na vida passada, permitindo que Patrícia e Rafael trocassem seu projeto pelo plagiado.
O estômago de Luana se revirou. A raiva subiu por sua garganta, quente como lava.
Ela olhou para o rosto de Patrícia, para o sorriso falso e os olhos que escondiam uma maldade profunda.
Desta vez, seria diferente.
Luana se levantou, a cadeira arrastando ruidosamente no chão de madeira. Ela caminhou lentamente até Patrícia, seus olhos fixos nos dela.
"Não, obrigada," ela disse, a voz firme e fria. "Eu não quero o seu suco."
Ela pegou o copo da mão de Patrícia e, sem desviar o olhar, caminhou até o banheiro e despejou o líquido na pia. O som do suco escorrendo pelo ralo foi como música para seus ouvidos.
Quando voltou, o sorriso de Patrícia havia desaparecido. Em seu lugar, havia uma expressão de choque e incredulidade.
"O que você está fazendo, Luana? Eu só queria ajudar."
"Ajudar?" Luana riu, um som seco e sem alegria. "Você chama isso de ajuda? Tentar me drogar para roubar meu futuro?"
A cor sumiu do rosto de Patrícia. Ela gaguejou, tentando encontrar uma desculpa.
"Eu... eu não sei do que você está falando."
"Sabe sim," Luana continuou, cada palavra cortando o ar como uma faca. "Você e o Rafael. Eu sei de tudo. Do plano de vocês para me destruir, para roubar a bolsa, para ficar com a herança do papai."
O rosto de Patrícia se contorceu em uma máscara de ódio. A farsa havia acabado.
"Como... como você descobriu?"
"Isso não importa," Luana respondeu, sentindo uma calma gelada tomar conta de si. "O que importa é que acabou. O jogo de vocês acabou."
Ela se virou e voltou para sua mesa, pegando seu projeto original.
"Agora saia do meu quarto. Eu tenho um futuro para garantir."
Patrícia ficou parada por um momento, o rosto pálido de raiva e pânico. Depois, ela se virou e saiu batendo a porta.
Luana respirou fundo, o coração batendo forte no peito. Não era um sonho. Ela estava de volta. E desta vez, ela não seria a vítima.
Ela seria a caçadora. E sua vingança estava apenas começando.
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