Capa do romance Luna - Até que a vida nos separe

Luna - Até que a vida nos separe

8.1 / 10.0
Em Luna - Até que a vida nos separe, Caroline planeja abandonar a Tribo Argentis após a traição de Xavier. Este romance de werewolf explora o desafio de pedir o divórcio a um Alpha. Leia este fantasy novel e descubra se ela sobreviverá às leis da alcateia nesta web novel envolvente.
Resumo de Luna - Até que a vida nos separe
Na Tribo Argentis, Caroline vive como a submissa esposa do Alpha Xavier Ravenn, escondendo a dor de uma traição descoberta há meses. Sob o lema de que a lua nunca erra, ela planejou sua fuga em silêncio absoluto. Agora, Caroline desafia as tradições da alcateia ao buscar o divórcio, um ato sem precedentes que ameaça a estrutura do poder local. Entre lealdades rompidas e segredos, ela decide abandonar tudo para recuperar sua própria liberdade.
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Luna - Até que a vida nos separe Capítulo 1

Caroline

–

Descobri a traição de Xavier Ravenn há meses, não que meu casamento estivesse muito bom, desde que casamos ainda jovens, acreditávamos que seria questão de tempo até eu me transformar, mas a transformação não veio, ainda assim acreditava que Xavier tinha caráter, e que se manteria leal e fiel devido a nossa posição na tribo, eu sei que cumpri meu papel de Luna, de esposa perfeitamente. 

O que levou tempo foi aceitar que o casamento não acabaria por causa dela - mas por tudo o que precisei me tornar para continuar.

Ser Luna nunca foi sobre amor. Foi sobre aprender a observar em silêncio, a sorrir no momento certo e a fingir que certas ausências não doem. Durante anos, cumpri cada ritual, cada dever e cada noite solitária como se nada tivesse mudado. 

Enquanto ele acreditava que seus segredos estavam protegidos, eu me preparava para sair.

Dobro o vestido amarelo com cuidado excessivo e o coloco no fundo da gaveta. O som da madeira se fechando é baixo, controlado. Tudo em mim aprendeu a ser assim. Se alguém me observasse agora, veria apenas a Luna organizando pertences antes de uma cerimônia comum. Ninguém veria o que estou realmente guardando.

O tempo.

Meses de atenção seletiva. Meses ouvindo mais do que falando. Meses aprendendo quando Xavier mentia não pelas palavras, mas pela forma como evitava usá-las. Ele sempre foi cuidadoso. O erro não foi a amante. Foi subestimar o quanto eu conhecia o homem com quem me casei.

Visto o manto vinho, sinto o peso dele e deixo o quarto. 

O corredor da casa do Alpha é longo demais, feito para ecoar passos e decisões. Às vezes penso que foi projetado assim de propósito - para lembrar que tudo o que acontece aqui pertence à tribo antes de pertencer a qualquer pessoa.

Xavier está à minha espera na entrada.

Bonito como sempre. Controlado como nunca. Ele sorri quando me vê, um gesto automático, treinado para quem observa. Para mim, o sorriso não chega aos olhos.

- Está pronta? - ele pergunta.

Estou pronta há meses.

Mas apenas concordo com a cabeça.

Caminhamos lado a lado até a clareira. Não nos tocamos. Isso também não é novo. O que mudou é que agora sei o motivo. Ela deve estar lá. Não preciso procurar. Aprendi que certas presenças se denunciam sozinhas.

O círculo de pedra já está formado quando chegamos. A lua cheia se impõe no céu, grande demais para ser ignorada. O símbolo da Tribo Argentis reflete a luz prateada, e o lema ecoa antes mesmo de ser dito.

- A lua não erra.

As vozes se unem. Homens, mulheres, crianças. Repito as palavras em silêncio. Não por fé. Por hábito.

“A lua não erra.”

Fico ereta ao lado de Xavier. Sinto o peso do título sobre meus ombros. Luna. Esposa. Símbolo. Tudo o que aprendi a ser para sobreviver aqui.

É então que vejo.

Ela não está no centro. Não ousaria. Está à margem do círculo, próxima demais das sombras. Jovem. Segura. Uma loba que carrega no corpo a certeza de quem sempre pertenceu. O olhar dela encontra o de Xavier por um segundo - rápido demais para chamar atenção, longo demais para ser inocente.

Ele não olha para mim nesse instante.

O juramento continua. O conselho fala sobre ordem, lealdade, continuidade, tradição. Palavras que já conheço de cor, hipócritas. Palavras que justificam tudo. Inclusive o silêncio dele. Inclusive a existência dela.

Enquanto todos escutam a lua, eu conto.

Quantos olhares ele evita.

Quantas vezes ela se insinua.

Quantos detalhes confirmam o que já sei.

Quando a cerimônia termina, Xavier se afasta para falar com os anciãos. Não me chama. Não se despede. Não percebe, que este é o último ritual que cumpro como Luna.

Dou alguns passos para fora do círculo. O ar parece diferente longe da luz direta da lua. Mais leve. Mais meu.

Não sinto vontade de chorar.

Sinto algo muito mais perigoso.

Clareza.

Porque agora sei exatamente quando vou falar.

Sei exatamente como.

E sei que, quando pedir o divórcio, será porque aprendi que permanecer também é uma escolha.

E eu já fiz a minha.

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