Capa do romance As marcas do passado

As marcas do passado

8.2 / 10.0
Em As marcas do passado, Carlos vê sua vida mudar quando uma nova secretária desperta sentimentos que ele julgava mortos. Neste romance modern, ele enfrenta as feridas de um acidente trágico para decidir seu destino. Leia este web novel e descubra se é possível superar traumas.
Resumo de As marcas do passado
Carlos acreditava que sua capacidade de amar havia morrido junto com sua falecida companheira. No entanto, a chegada de uma nova secretária reacende chamas esquecidas, trazendo à tona uma ironia cruel: ela é a mesma pessoa ligada às suas feridas mais profundas. Unidos por um acidente trágico que devastou suas vidas, os dois precisam encarar as cicatrizes que compartilham. O destino agora os confronta, provando que o passado ainda reserva surpresas intensas.
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As marcas do passado Capítulo 1

Dez anos haviam se passado desde o trágico acidente que acabou ceifando a vida da única mulher que Carlos foi capaz de amar.

Não podia negar que durante esses anos outras mulheres não fizeram parte da sua vida, mas a maioria não passava de apenas uma noite.

Carlos ansiava com o dia que ele encontraria aquela que lhe causou tanta dor e que lhe tirou o grande amor da sua vida. Ele a faria pagar por todas as feridas que nem mesmo uma década foi capaz de cicatrizar.

— Carlos, ocupado?

Marcos era um homem alto, forte, de pele negra que chamava atenção por onde passava, entrou na sala com um envelope na mão.

— Alguma coisa?

Carlos afastou sua cadeira um pouco para trás e sentou colocando seu braço sobre a mesa.

— Sua espera terminou...ela finalmente retornou.

Marcos colocou o envelope sobre a mesa e Carlos tirou algumas fotografias de lá.

— Uma espera de dez anos que finalmente chegou ao fim.

Ele olhava atentamente para a mulher que estava naquelas fotografias.

— O que pretende fazer?

Questionou Marcos se sentando logo em seguida.

— O que acha? — ele sorriu.

— Cara, como seu melhor amigo tenho te apoiado em todas as suas decisões, mas não creio que esse seja o melhor caminho, não fará bem para ela e muito menos para você.

Como melhor amigo de Carlos, Marcos não poderia deixar de se preocupar, afinal alimentar ódio por outra pessoa fazia muito mais mal a pessoa que odeia do que a pessoa que o ódio era direcionado.

— E o que ela fez foi certo? Não pagar pelos seus crimes foi certo?

Ele bateu à mesa com as fotos.

— Calma, só quero que você pense um pouco, já se passaram dez anos, Carlos, dez anos.

— Exatamente! Faz dez anos que ela fez da minha um inferno. Dez anos que sofro com a falta da única mulher que fui capaz de amar um dia. Você sabe o quanto eu sofri com tudo isso, então por favor não me peça para não fazer nada porque eu não consigo vê-la ser feliz enquanto a única pessoa a sofrer nessa história seja eu. A única coisa que eu quero é fazer a justiça que a lei não foi capaz de fazer.

Seu tom de voz e seus olhos denunciavam o tamanho do ódio que ele havia alimentado por todos esses anos.

— Tá bom, cara, faça o que você achar que é melhor, mas depois não diga que eu não avisei.

Marcos se retirou da sala o deixando sozinho.

— Por onde devo começar, Ana?— amassou uma das fotos.

Dez anos haviam se passado desde a última vez que Ana esteve em seu país e voltar não estava em seus planos, mas por causa da doença de seu pai se viu obrigada a retornar.

Ana não queria voltar para o lugar que lhe causou tanta dor e que lhe deixou tantas marcas, mas não podia deixar sozinho o único que a amou quando todo o mundo a condenava inclusive a sua própria mãe.

— Oi, amiga!- atendeu o celular.— Sim, já cheguei, só vou pegar um táxi e ir para um hotel.

— Não vai ficar na casa de seus pais?

— Não creio que seja uma boa ideia reencontrar a minha mãe mesmo depois de tanto tempo...um táxi, amiga, depois eu te ligo.

Antes que Clara pudesse dizer alguma coisa, Ana terminou a ligação.

Já no hotel Anna perguntar à recepcionista se não havia algum quarto que não tivesse banheira, mas nem quartos vazios tinha.

— E agora, o que eu faço?-indagou olhando para sua bagagem.

Novamente pegou um táxi e se dirigiu para o hotel mais próximo.

— Boa tarde! poderia me informar se tem algum quarto disponível?

— Sim , respondeu a recepcionista.

— E tem algum que não tenha banheira? diga que sim, por favor.

— Infelizmente não.

— Que pena! - ela se retirou. -- Só me resta apelar.-Ela ligou para o seu pai.— Pai, no hotel do senhor tem algum quarto que não tenha banheira?

— Por que não me disse que já tinha chegado?

— Não queria incomodar, mas infelizmente não encontrei nenhum hotel com um quarto que não tivesse banheira. Então, tem algum?

— Qual a necessidade de procurar um hotel quando o seu pai é dono de vários? Mas tem, Ana.

Sabendo da condição de sua filha, John, mandou que em todos os seus hotéis fossem feitos quartos que somente ela poderia usar e que em nenhum deles deveriam ter banheiras.

— Não precisa ficar bravo, tá! vou pegar um táxi e depois eu ligo.

Ana se dirigiu ao hotel de seu pai e pode perceber que diferente dos demais que estavam bastante movimentados o dele havia pouco movimento.

— Boa tarde! não sei se meu pai já ligou...

— Boa tarde! sim, ele já ligou, senhora Ana.- disse a interrompendo.

— Que bom! tudo que eu preciso agora e tomar um banho e descansar.

Ela pegou a chave e se dirigiu em direção ao quarto.

— Finalmente!

Ana se jogou sobre a cama e sem perceber acabou adormecendo.

Com suas mãos trêmulas e cheias de sangue, Ana tentava manter a sua concentração na estrada enquanto dirigia o carro da família debaixo de uma densa chuva.

Lágrimas escorriam por toda a sua face e por mais que ela tentasse manter as esperanças suas mãos sujas de sangue sobre o volante insistiam em lembrá-la em ir mais rápido.

— Ana!

Uma voz feminina fraca a tirou de seus pensamentos.

— Vai ficar tudo bem. - dizia sem ao menos olhar para trás.

— Ana des-desculpa.

A voz que antes a chamava se silenciou fazendo com que Ana tirasse seus olhos da estrada e por causa de uma fração de segundos sentiu um impacto que a fez perder seus sentidos

Nesse momento sentiu algo a puxar subitamente a tirando daquele terrível pesadelo.

— Estava demorando.

Sua respiração estava ofegante e todo o seu corpo estava suado.

Desde a morte da sua irmã em um terrível acidente Ana passou a ter pesadelos recorrentes daquele dia, mas que com o tempo foi desaparecendo, porém retornar ao seu país trouxe de volta o que ela apenas queria tanto esquecer.

— Um banho seria ótimo.

Na manhã seguinte, Ana se dirigiu ao restaurante do hotel onde marcou de tomar o café da manhã com o seu pai.

— Ana, aqui!- seu pai a chamou.

— Pai! - ela não podia esconder a emoção que era vê-lo novamente e o abraço.

— Bom dia! - uma voz masculina grave, mas calma chamou a sua atenção.

— Desculpa, é que faz tempo que não vejo a minha filha.

— Tudo bem! - ele sorriu.

A sua frente estava um homem alto, forte, de cabelos escuros e olhos claros.

— Uau! Ele é bonito!- pensou.

— Filha, esse é Carlos Hernandes, o meu futuro sócio. Carlos, essa Ana minha filha e também sucessora de tudo aquilo que eu administro.

— Prazer, senhora Ana.

— Senhorita! Ela não é casada. -John o interrompeu.

— Ah, é que ela é tão bonita que pensei que já estivesse casada.- olhou fixamente para ela.

— Como queria que isso fosse verdade...pelo menos teria esperança de ter um neto.

—Pai! Prazer, senhor Carlos. Ah, não ligue para ele.

— Pode me chamar só de Carlos! Não se preocupe, os meus são piores. -ele riu.

— Tá bom, enquanto tomamos café conversamos sobre o que viemos fazer aqui.

John percebeu a forma que Carlos olhava para sua filha e apesar da diferença de idade ele gostaria que algo acontecesse entre os dois. Afinal, Carlos era um ótimo partido.

Depois que todos fizeram seus pedidos Anna perguntou o porquê daquela reunião.

— Como sabe, filha, seu pai já não é mais o mesmo. O médico me recomendou repouso absoluto e isso significa que preciso me abster de todo o meu trabalho, mas como fazer isso se não tenho quem tome a frente dos meus negócios. Então, aceitei ser sócio do Carlos pelo menos nesse hotel por causa da sua experiência no ramo da hotelaria e na esperança de que você possa aprender com ele e um dia tome posse não somente deste hotel, mas dos demais também.

— Se me permite.- disse Carlos o interrompendo.

— Sim, claro.

— Seu pai me disse que trabalhava como secretária em uma grande empresa na França.

— Sim, mas não era nada parecido com um hotel.

— Bom, também administro os negócios do meu pai, mas no momento estou à procura de uma nova secretária já que a minha pediu demissão para se casar.

— E o senhor quer... perdão, e você quer que eu seja sua secretária? E isso?

— Sim! Mas não se sinta ofendida... é só uma troca de favores... enquanto trabalha para mim como secretária aprende como funciona a administração de um hotel.

— Tem certeza que é isso que o senhor quer, pai?

Ana não se sentia capaz de tal coisa.

— Seria uma ótima oportunidade! Carlos administra os negócios de seu pai desde muito novo e tem tido êxito nisso.

Era nítido o interesse de John nessa parceria.

— Não seria mais fácil contratar uma secretária de acordo com as suas exigências?

Ana voltou o seu olhar para Carlos enquanto ele tomava mais um gole de café.

— Para ser sincero, não! Tem todo um processo de entrevistas onde nem todas possuem os critérios que exijo.

— E quais seriam eles?

— Você tem experiência, fala outros idiomas, trabalhou em outro país e também é filha do meu futuro sócio. Então acho que preenche os meus requisitos.

Carlos fazia questão de manter os seus olhos fixos sobre ela.

— Não sei se eu seria a pessoa indicada nesse caso.

Ana já estava desconfortável pela forma que ele a olhava.

— Não quero pressioná-la ou algo do tipo. Só quero dizer que você me ajudaria a poupar o tempo que gastaria entrevistando outras secretarias e eu a ajudo a cuidar dos negócios do seu pai...ou seja, uma mão lava a outra.

Ele sorriu enquanto levava novamente a xícara até sua boca.

— Se é isso que o meu pai quer.

— Ótimo! Então já vou indo. Quando a papelada do acordo estiver pronta envio para sua residência. Ana, foi um prazer conhecê-la. -Carlos os deixou a sós.

— Sei que não é o que deseja, mas não posso deixar que todo o trabalho de uma vida se perca... você entende, não é querida? - John pegou em sua mão.

— Então nesse caso farei o meu melhor.

Não era o que ela queria, mas não poderia deixar seu pai preocupado.

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