Capa do romance Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo

Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo

9.2 / 10.0
Em Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo, Alessandro e Gabriella enfrentam um casamento arranjado na máfia. Neste romance novel, eles encaram tramas sinistras e decisões fatais. Descubra se o amor supera o dever neste intenso mafia romance books repleto de ação e perigos.
Resumo de Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo
Alessandro Montenegro Leone e Gabriella De Lucca são forçados a um casamento de conveniência para selar a paz entre dois clãs mafiosos influentes. Em meio a um cenário de perigo e segredos obscuros, uma atração intensa surge, desafiando as rivalidades históricas de suas famílias. Encurralados em um jogo de traições e conspirações, eles enfrentam um dilema cruel: priorizar a paixão que os conecta ou a lealdade ao sangue que dita suas vidas violentas.
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Entre o amor e o sangue - Na cama com o inimigo Capítulo 1

Seis meses antes.

Janeiro 2020

Alessandro Montenegro Leone

As batidas incessantes na porta estavam começando a me perturbar gravemente. Senti um corpo macio e voluptuoso se aconchegar ao meu, soltando um gemido sensual. Quando abri os olhos, deparei-me com a ruiva de curvas esculturais que havia me acompanhado na noite anterior. Ela estava sorrindo. Em seguida, percebi mãos delicadas percorrendo meu peitoral; ao ver as unhas pintadas de vermelho, recordei que pertenciam à loira alta de lábios irresistíveis.

A ideia de retomar as atividades prazerosas da noite passada me cruzou a mente, mas algum imbecil estava esmurrando a porta com uma urgência insuportável. Nesse instante, me perguntava por que diabos meus seguranças não estavam intervindo para evitar esse incômodo.

Nenhum deles ousaria tal afronta; sabiam quão profundamente eu detestava ser acordado assim. Desvencilhei-me dos toques das mulheres e me levantei da cama, completamente nu. Lancei um olhar pelo painel ao lado da porta para identificar o infeliz que se atrevia a me perturbar.

Era meu pai, acompanhado de seu fiel consigliere e do meu irmão mais novo. "Ma che cazzo!" – praguejei. Sem perder tempo, abri a porta. Enquanto meu pai olhava para mim com um semblante de horror, meu irmão Gael esboçava um sorriso cúmplice.

— Alessandro! Che cavolo fai, figlio mio... A reunião está prestes a começar e você está imerso nesta orgia.

Abri passagem para eles, enquanto meu pai, visivelmente irritado, gesticulava e resmungava em dialeto siciliano.

Rapidamente, apanhei minhas roupas do chão e vesti minha calça. Em seguida, dirigi-me à cozinha, observando meu pai adentrar o quarto e mandar, aos gritos, que as moças se retirassem.

Visivelmente assustadas, elas se vestiram às pressas e saíram de cabeça baixa, sujeitas ao olhar fulminante de meu pai e ao de luxúria de Gael.

— Basta! Não vamos mais procrastinar! Você vai ficar noivo ainda esta semana. Você é o meu sucessor e não pode continuar levando esta vida promíscua. Temos um código de honra para respeitar; um homem sem uma companheira digna ao seu lado jamais será respeitado, seja na família ou na máfia.

— Papa, os tempos são outros, a Itália mudou, a máfia também... — tentei argumentar, mas fui cortado.

— Somos uma das famílias mais veneradas da máfia italiana e assim continuaremos!

— Discordo das suas imposições e vou seguir a vida como bem entender. Já se perguntaram se a pretendida noiva está ao menos interessada?

Sabia que tinha ultrapassado os limites quando o tapa de meu pai aterrissou em meu rosto.

— Você me deve respeito, Alessandro, mesmo sendo um Capo respeitado, nunca esqueça que sou o patriarca desta família.

O ardor em meu rosto era quase simbólico, um lembrete das rígidas regras do mundo em que fui forjado. Negar minha herança seria o mesmo que negar minha própria identidade.

— Peço desculpas, Papa. Não foi minha intenção desrespeitá-lo. No entanto, ainda não concordo com esse casamento arranjado entre os Montenegro Leone e os DeLucca, tampouco com o curso que deseja impor à minha vida. Mas vou acatar sua vontade; assumirei minha posição de autoridade na máfia, mesmo que isso custe minha liberdade e felicidade pessoal.

— Você se acostumará. Foi para isso que te criei. Eu nasci para isso, e seus filhos também nascerão com esse destino. — Finalizou ele.

Ele me queria casado, não se passava em minha cabeça me render as regras impostas, meus planos eram outros e eu chegaria no topo como desejava era questão de tempo.

Meia hora depois ...

Ajustei o corte impecável do meu terno Armani, consciente dos olhares ávidos e inquiridores que convergiam sobre mim e Cesare. Éramos os herdeiros predestinados, os atores principais em um drama meticulosamente coreografado para unir inimigos de longa data.

O debate que permeava a sala tinha a tensão do pavio de uma bomba, esperando apenas a faísca certa para explodir. Em pauta estava o casamento arranjado de Cesare com Gabrielle DeLucca. A união pretendia acalmar as águas turbulentas de uma rivalidade que se arrastava por décadas, manchando o solo italiano com o sangue derramado em lutas fraticidas.

Em meio a esse emaranhado de interesses e tradições, um antigo rito deveria ser cumprido: a virgem de uma família entregue como oferenda, selando a paz ao perder sua inocência nas mãos do inimigo, acabando assim com a Faida, briga entre as famílias. Cesare era o escolhido, destinado a casar-se com Gabrielle. Mas a perspectiva me corroía; Gabrielle era mais que uma mera peça neste tabuleiro de poder e violência.

A repulsa me preencheu ao imaginá-la submetida a Cesare, e foi então que, movido por um impulso irracional, interrompi o debate com uma declaração audaciosa.

— Com todo o respeito, não posso concordar com o que está sendo feito aqui. — Falei, desafiando as sobrancelhas arqueadas e os olhares hostis, incluindo o de meu próprio pai. Don Raffaele, a autoridade incontestável da nossa família, silenciou a sala com sua voz dominante.

— Alessandro, você ousa questionar uma tradição que tem sido o pilar da nossa família e da nossa máfia por gerações? — Ele disparou, seus olhos como punhais apontados em minha direção.

Enfrentei seu olhar, sem recuar.

— Don Raffaele, as tradições têm o seu valor, sem dúvida. Contudo, permita-me lembrar que, conforme as próprias regras, deveria ser o primogênito solteiro da família inimiga a casar-se com a mulher da casa rival. Eu, por uma diferença de dois anos, detenho esse título, não Cesare. Gabrielle DeLucca, portanto, está irrevogavelmente destinada a ser minha esposa — retruquei com confiança, ignorando o olhar venenoso de Cesare e o alvoroço de vozes que se formou.

— Ela é minha, Alessandro! — Cesare exclamou, erguendo-se furioso, mas foi contido por meu tio.

O pai de Gabrielle, silente até então, parecia agora mais alarmado do que jamais estivera.

Don Raffaele levantou sua mão, silenciando a todos. Após ponderar a situação, proferiu sua decisão final.

— Alessandro, sua argumentação prevalece. Cesare, você irá acatar. E quanto a você, Alessandro, agora está oficialmente noivo de Gabrielle DeLucca. Você acaba de entrar no restrito círculo de homens que moldam o destino da máfia. — Declarou, sua voz soando definitiva.

Cesare, enfurecido, avançou em minha direção, mas Gael, meu irmão, interveio, impedindo qualquer eclosão de violência.

— Cesare, a palavra do Don é lei. — Afirmou meu pai, resolvendo a questão.

Don Raffaele instruiu que retirassem Cesare da sala, e a atmosfera carregada começou, enfim, a se dispersar.

Gael veio até mim, claramente preocupado.

— Você não ponderou todas as consequências, Alessandro. Sua decisão pode ter efeitos imprevisíveis. — Sussurrou ele, um véu de apreensão cobrindo seu rosto.

Mantive minha postura, percebendo que agora todos os olhares estavam focados em mim, especialmente o do patriarca dos DeLucca.

Não tinha certeza completa das razões que me levaram a agir daquela forma, tentava me convencer que seria uma vingança perfeita. Mas algo em meu íntimo sabia: na verdade, não poderia, não queria, ver Gabrielle nos braços de outro homem. Mesmo que ela fosse uma DeLucca, mesmo que a odiasse por isso, seu destino agora estava irrevogavelmente entrelaçado ao meu.

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