Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Preço da Ingenuidade no Amor

O Preço da Ingenuidade no Amor

Eu tinha tudo: talento na arquitetura e um noivado feliz. Ao salvar a poderosa Dona Regina em um acidente, fui traída. Meus pais e minha irmã, Isabella, roubaram meu mérito e meu noivo, Marcos. Deixada para morrer no hospital por um erro médico planejado, vi a crueldade de quem eu amava. Contudo, recebi uma chance rara: despertei no dia do desastre. Com lembranças da traição, não serei mais vítima. Agora, planejo friamente minha vingança contra todos.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

O som da voz da minha mãe no telefone era estridente, cheio de uma urgência fabricada que agora soava ridícula aos meus ouvidos.

"Sofia, você está me ouvindo? Isabella está esperando! Você vai fazer vocês duas se atrasarem!"

Eu desliguei o telefone sem responder, o silêncio repentino no quarto era delicioso.

Desci as escadas calmamente, saboreando cada passo.

Na vida passada, eu teria descido correndo, tropeçando em minha própria ansiedade para agradar.

Agora, eu me movia com a deliberação de uma rainha em seu próprio castelo.

Na sala de estar, encontrei a cena exatamente como me lembrava, Isabella estava de pé junto à porta, vestida em um terninho caro que era meu, batendo o pé impacientemente.

Meu pai estava lendo o jornal, fingindo indiferença, enquanto minha mãe andava de um lado para o outro.

"Finalmente!", minha mãe exclamou ao me ver. "O que demorou tanto? Vamos, vamos, vamos!"

Eu a ignorei e fui até a cozinha preparar uma xícara de café.

"Sofia!", Isabella disse, sua voz um sibilo agudo. "Não temos tempo para isso! A reunião com Dona Regina é a oportunidade de uma vida!"

"Sua oportunidade, você quer dizer", eu respondi calmamente, sem olhar para ela, enquanto a água quente enchia a xícara.

O silêncio caiu sobre a sala, um silêncio pesado e chocado.

Eu nunca tinha falado com Isabella assim antes.

"O que você quer dizer com isso?", minha mãe perguntou, sua voz vacilando.

Eu me virei, segurando minha xícara de café, e olhei para os três.

Eles eram os arquitetos da minha ruína, os rostos sorridentes da traição.

"Eu não vou a lugar nenhum", eu anunciei. "Estou com uma dor de cabeça terrível, acho que vou ficar em casa hoje."

"Você não pode!", meu pai disse, finalmente baixando o jornal, seu rosto uma máscara de irritação. "Esta reunião é crucial para o futuro da família!"

"É mesmo?", eu disse, tomando um gole do meu café. "Então talvez Isabella deva ir sozinha, ela parece tão ansiosa."

O pânico brilhou nos olhos de Isabella por uma fração de segundo antes que ela o escondesse com uma expressão de preocupação.

"Mas Sofia, o projeto é seu! Eu não poderia... eu só estou indo para te dar apoio."

Mentiras. Tão fáceis, tão naturais para ela.

"Não se preocupe", eu disse com um sorriso doce. "Tenho certeza que você vai se sair bem, afinal, você é tão talentosa."

Eu me virei para sair da sala, mas uma das empregadas, Maria, uma mulher que sempre fora leal aos meus pais, bloqueou meu caminho para as escadas.

"Senhorita Sofia, seus pais insistem que você vá."

"Saia do meu caminho, Maria", eu disse, minha voz baixa e firme.

"Eu não posso, senhorita, tenho ordens."

Eu a encarei, vendo a cumplicidade em seus olhos.

Ela sabia, todos eles sabiam do plano.

Eles eram todos parte disso.

A raiva, fria e precisa, subiu dentro de mim.

"Maria", eu disse, minha voz caindo para um sussurro gelado. "Você sabe há quanto tempo sua família serve a minha? Você sabe que foi a minha avó que tirou seus pais da miséria e lhes deu um lar e um propósito?"

Ela recuou um passo, surpresa com a minha mudança de tom.

"Você come da nossa mesa, vive sob o nosso teto, um teto que foi construído com o dinheiro da minha linhagem, não da deles", eu disse, gesticulando para meus pais. "Sua lealdade está mal colocada."

Antes que ela pudesse responder, eu agi.

Ao lado da escada havia uma antiga bengala de carvalho que pertencera ao meu avô, era pesada e sólida.

Eu a peguei. O peso em minha mão era reconfortante.

Eu não a levantei para ameaçar, apenas a segurei.

A mensagem era clara.

Maria empalideceu e se afastou do meu caminho.

"Sofia, o que você pensa que está fazendo?", meu pai gritou, levantando-se. "Larga isso agora!"

"Por quê? Você tem medo que eu faça o que vocês planejam fazer comigo?", eu retruquei, subindo o primeiro degrau.

"Isso é um absurdo!", minha mãe choramingou. "Estamos apenas preocupados com você!"

Eu parei e me virei para olhá-los de cima.

"Preocupados? Vocês são os que estão me empurrando para um carro em um dia em que haverá a pior tempestade do ano, só para que sua preciosa Isabella possa roubar o que é meu", a verdade saiu, nua e crua.

O choque em seus rostos foi genuíno, não porque se importassem, mas porque foram pegos.

"Como... como você sabe da tempestade?", Isabella gaguejou.

Eu sorri. "Eu tenho meus talentos."

Eu me virei e continuei subindo as escadas.

"Volte aqui, Sofia!", meu pai ordenou, sua voz ecoando pela casa.

Eu o ignorei.

Entrei no meu quarto e tranquei a porta.

Minutos depois, ouvi passos apressados e batidas na minha porta.

"Sofia, abra esta porta! Você está de castigo!"

Eu ri. Castigo? Eles não tinham mais poder sobre mim.

Eu fui até meu armário e peguei uma mochila.

Coloquei minha carteira, chaves e alguns itens essenciais.

Então, fui até a janela.

Meu quarto ficava no segundo andar, mas uma grande treliça coberta de hera descia pela parede lateral da casa, algo que eu mesma projetei.

Na vida passada, era apenas um elemento estético.

Nesta vida, era minha rota de fuga.

Enquanto eu amarrava a mochila nas costas, ouvi um barulho de chave na fechadura.

Eles tinham uma chave mestra.

O tempo estava se esgotando.

Sem hesitar, abri a janela e deslizei para a treliça.

Minhas mãos e pés encontraram apoio facilmente.

Comecei a descer, o vento começando a soprar mais forte, anunciando a tempestade.

Quando meus pés tocaram o chão, ouvi um grito de raiva vindo do meu quarto.

Eles tinham entrado.

Tarde demais.

Corri para a garagem nos fundos da propriedade, não a garagem principal onde ficavam os carros da família, mas uma menor, onde eu guardava meu próprio tesouro.

Abri a porta e lá estava ela, minha moto, uma Ducati preta e veloz.

Era o meu símbolo de liberdade, algo que meus pais odiavam.

Eles a consideravam perigosa e imprópria para uma jovem.

Perfeito.

Coloquei o capacete, liguei o motor e o rugido poderoso encheu o pequeno espaço.

Eu saí da garagem e acelerei pela entrada de serviço dos fundos, exatamente quando o carro da família, com Isabella e meus pais dentro, saía pela entrada principal, provavelmente para tentar me encontrar no caminho para a reunião.

Eles estavam indo para o leste, em direção ao escritório de Dona Regina.

Eu virei para o oeste, na direção oposta.

Enquanto eu acelerava na estrada aberta, sentindo o vento e as primeiras gotas de chuva no meu rosto, eu não senti nada além de uma liberdade emocionante.

Eles podiam ter a reunião, podiam ter o acidente.

Eu tinha outros planos.

Planos muito, muito maiores.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Pesquise por “95ZKZ” no moboreader para ler o livro completo.
Copie o código e pesquise no aplicativo Moboreader para continuar lendo.
95ZKZ
Copiar
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance  A Filha do Caçador
8.0
Isabella Thorne foi criada por Gabriel, o maior caçador de Ravenfall, para exterminar os lobos de Ebonwood. Contudo, seu destino muda ao encontrar Damian Veynar, um lobisomem da Alcatéia da Lua de Ferro que desafia seus preconceitos. Entre o dever familiar e uma paixão proibida, ela descobre que o mal real pode estar em sua própria casa. Agora, Isabella deve escolher entre a vingança do pai e um amor capaz de romper ciclos de ódio e segredos milenares.
Capa do romance A Guardiã e o Sacrifício
8.5
Luna, a Guardiã do Elixir, foi traída por sua irmã Lilith, seu noivo e seu próprio filho. Após 300 anos presa injustamente, ela descobre que foi o bode expiatório de uma conspiração cruel. Humilhada publicamente e agredida, Luna usa um espelho mágico para fugir ao mundo humano. Dez anos depois, vivendo em paz, seus traidores retornam implorando perdão. Contudo, a antiga Luna morreu; agora, resta apenas uma mulher fria que vê seus algozes serem condenados ao mesmo destino sombrio.
Capa do romance A Lenda do Mago Inato
9.4
No Clã Nan, Ricky e Nate eram mestres inseparáveis, unidos por um laço de irmandade. Porém, a traição de Nate destruiu essa amizade, transformando o outrora prodígio Ricky em um alvo de desprezo e chacota. Agora, enquanto o traidor assume o posto de sucessor da família, Ricky jura vingar seu pai e recuperar o legado que lhe foi roubado. Ele enfrentará tudo para retomar sua honra e o que é seu por direito, provando que o passado não o define mais o define.
Capa do romance A NOIVA FUGIU PELO ESPELHO
9.6
Fanny Marchand foge de um casamento forçado no século XIX ao atravessar um espelho mágico, despertando na cobertura de François Dubois em pleno século XXI. Ele é um CEO cético e amargurado por traições, mas vê sua rotina virar um caos com a chegada da dama vitoriana. Enquanto Fanny descobre as tecnologias modernas, François se encanta pelo seu jeito clássico. Contudo, o passado e o objeto místico ameaçam separá-los, provando que o amor ignora as barreiras do tempo.
Capa do romance A Noiva Traída: Renascimento
8.6
No dia de seu casamento, Tônia foi humilhada por sua prima Rafaela e rejeitada pelo pai, Carlos, que revelou que ela não era sua filha biológica. Após morrer em desespero enquanto Lucas se casava com sua rival, ela desperta misteriosamente na véspera da traição. Munida de lembranças amargas e um desejo implacável de justiça, Tônia abandona a ingenuidade para destruir aqueles que planejaram sua ruína. Agora, ela busca vingança contra todos que roubaram sua dignidade.
Capa do romance CONTOS: GUERRA ENTRE DEUSES - TERAPIA DELICIOSA
9.1
Esta obra reúne dois contos intensos. Em Guerra Entre Deuses, uma divindade da sedução enfrenta um Deus prepotente focado no prazer, travando um duelo de poderes místicos e desejos. Já em Terapia Deliciosa, um terapeuta extremamente controlado, que acredita dominar suas emoções através da mente, vê suas convicções ruírem diante de uma paciente audaciosa. Ela provará que o controle é ilusório e que ninguém é capaz de governar o próprio prazer.