
O Pacote Rosa Revelador
Capítulo 2
O bilionário do setor imobiliário, Pedro Alvares, era a personificação do marido perfeito aos olhos de toda a cidade. Sua devoção à esposa, Sofia Lima, era lendária.
Para celebrar o aniversário dela, ele não media esforços.
A cidade inteira se iluminou com fogos de artifício, e as ruas se encheram do perfume de milhares de rosas que ele havia comprado.
Enquanto os fogos explodiam no céu em cores vibrantes, Pedro se inclinou e a beijou com uma ternura que parecia genuína.
"Meu amor, eu nunca vou deixar você invejar nenhuma mulher neste mundo."
Rosas vermelhas, as favoritas dela, formavam um castelo de flores na praça principal. Do topo do prédio de 33 andares da empresa dele, uma declaração em luzes de neon era visível por quilômetros.
"Sofia, eu te amo."
Quando Sofia pegou um resfriado e teve uma febre leve, Pedro agiu como se o mundo estivesse acabando. Ele parecia pronto para mobilizar todos os médicos particulares da cidade para cuidar dela em casa.
Até mesmo um enorme outdoor no coração do centro da cidade não exibia uma propaganda de seus empreendimentos, mas sim a foto do casamento deles, uma celebração constante do que todos chamavam de "amor de conto de fadas".
Mas essa imagem perfeita estava prestes a se quebrar.
Há poucos instantes, enquanto Sofia se preparava para guardar o casaco que Pedro havia deixado jogado sobre uma cadeira, algo caiu do bolso.
Um pequeno pacote rosa caiu silenciosamente no tapete felpudo.
Uma camisinha.
E não era uma marca que eles usavam. Era do sabor que ela mais detestava em toda a sua vida: morango.
Sofia ficou paralisada, o choque percorrendo seu corpo como um arrepio gelado. Sua mão tremeu quando ela se abaixou para pegar o pequeno invólucro.
A embalagem rosa-choque, o cheiro enjoativo e artificial de morango que emanava dela, tudo era terrivelmente familiar.
Uma memória recente e desconfortável veio à sua mente.
Ela se lembrou de ter visto a secretária de Pedro, Camila, com uma embalagem idêntica. Alguns dias atrás, no corredor da empresa, Camila esbarrou nela e deixou sua bolsa cair, espalhando o conteúdo pelo chão.
"Tudo bem?", Sofia perguntou, agachando-se instintivamente para ajudar a recolher os itens.
Camila corou violentamente enquanto pegava apressadamente uma caixa daquelas mesmas camisinhas de morango.
"São para o meu namorado", ela disse, com a voz um pouco apressada. "A gente usa muito."
A lembrança congelou Sofia por dentro, arrancando o ar de seus pulmões.
"Amor, no que você está pensando?"
A voz de Pedro a tirou de seu transe. Ele saiu do banheiro, secando o cabelo com uma toalha, e a envolveu em um abraço por trás, como sempre fazia.
Vendo o rosto pálido de Sofia refletido no espelho, ele franziu a testa, preocupado.
"O que houve? Alguém te chateou? Me diga quem foi, e eu o demito na mesma hora!"
Sofia se virou lentamente e o encarou. Seis anos de casamento. Seis anos em que ele sempre foi o marido mais gentil e atencioso que se poderia imaginar.
Se ela ficava um pouco chateada, ele comprava todas as rosas da cidade. Se ela queria ver um filme que não estava mais em cartaz, ele construía um cinema particular para ela em casa.
Todos diziam que ele era o homem dos sonhos, rico e completamente dedicado a ela.
Ela costumava brincar com ele, dizendo que com tanto poder e devoção, ele se tornaria um "rei tirano" e ela, a "concubina fatal" que o levaria à ruína.
Mas Pedro apenas a abraçava mais forte e dizia, com a voz cheia de paixão: "Se você for a concubina fatal, então eu serei o rei tirano. Ele gastou tudo por ela, e eu gastarei tudo por você."
As palavras ainda ecoavam em sua mente como se tivessem sido ditas ontem. Mas a pessoa que as disse... parecia ter mudado.
Sofia deu um sorriso amargo, um sorriso que não alcançou seus olhos. Ela levantou a mão e mostrou a embalagem rosa.
"O que é isso?"
O rosto de Pedro ficou pálido por uma fração de segundo, mas ele se recompôs quase instantaneamente, sua expressão mudando para uma de confusão.
"Amor, onde você achou isso? Eu nunca vi esse negócio."
Sofia apontou para o casaco dele sobre a cadeira.
"Caiu do seu bolso."
Pedro bateu na própria testa, como se tivesse se lembrado de algo tolo.
"Ah, minha culpa, amor. Devo ter pegado errado na confraternização da empresa. Tinha um balde de frango frito, e eu peguei isso pensando que era uma daquelas luvas descartáveis para não sujar as mãos."
Sofia o encarou em silêncio, seus olhos buscando qualquer sinal de mentira.
Pedro, vendo que ela não estava convencida, ficou com os olhos vermelhos, cheios de uma falsa mágoa. Ele a abraçou com força.
"Sofia, você não está pensando que isso é meu, está? Você odeia morango, nós nunca teríamos isso em casa. Não pode ser meu."
Ele a beijou na testa, na bochecha, na boca.
"Você é a minha vida. Se você não acredita em mim, eu vou agora mesmo descobrir quem trouxe essa porcaria para a empresa e vou demitir essa pessoa."
Pedro se levantou, pronto para sair e encenar sua farsa.
Sofia o segurou pelo braço. Ela forçou um sorriso.
"Não precisa. Eu confio em você."
Pedro sorriu de volta, aliviado. Ele bagunçou o cabelo dela carinhosamente e foi para a cozinha. "Vou preparar seu almoço para amanhã, meu amor."
Apoiada no corrimão da escada, Sofia observou a figura ocupada dele na cozinha. Por seis longos anos, não importava o quão ocupado ele estivesse com seus negócios bilionários, Pedro insistia em cozinhar para ela.
As colegas de trabalho dela sempre perguntavam por que ele não contratava um chef particular.
Ele sempre respondia com um sorriso orgulhoso: "A Sofia gosta da minha comida."
Ele sempre se lembrava do que ela gostava. Mas ele parecia ter esquecido de uma coisa crucial.
No dia do casamento deles, ela lhe disse claramente, olhando em seus olhos.
"Se um dia você me enganar, eu vou desaparecer da sua vida para sempre."
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