
O Pacote Rosa Revelador
Capítulo 3
Naquela mesma noite, a tempestade que se formava do lado de fora parecia um reflexo da turbulência no coração de Sofia.
Pedro, pensando que ela já dormia profundamente, levantou-se da cama com o máximo de cuidado. O som do celular dele vibrando era quase inaudível, mas Sofia estava mais alerta do que nunca.
Ela o ouviu atender a ligação, a voz dele era um sussurro abafado vindo do andar de baixo.
"Eu não te disse para não me ligar depois do trabalho?"
"Discuta isso na empresa amanhã. Não perturbe a minha esposa..."
Houve uma pausa. A voz de Pedro mudou, tornando-se tensa.
"O quê? Você veio até a minha casa?"
Ele desligou o telefone abruptamente. Sofia ouviu os passos apressados dele em direção à porta da frente.
Com o coração batendo descontroladamente, ela se levantou e foi até a janela do quarto, escondendo-se atrás da cortina pesada. A chuva caía forte, impiedosa.
Lá embaixo, sob a luz fraca do poste da rua, ela viu a silhueta de uma garota.
Camila.
Ela estava completamente encharcada, o cabelo grudado no rosto, parecendo frágil e desamparada.
Pedro abriu a porta, já segurando um grande guarda-chuva preto. Ele parecia irritado.
"Por que você veio? Eu não disse para você nunca aparecer perto da minha casa ou da minha esposa?"
A voz de Camila chegou fraca até a janela, embargada pelo choro e pela chuva.
"Pedro, eu tenho medo de trovões... Eu senti sua falta."
E então, diante dos olhos de Sofia, Camila se jogou nos braços dele e o beijou.
Um beijo longo, desesperado.
Pedro ficou rígido por um momento, o guarda-chuva protegendo os dois da chuva, uma mão ainda segurando a cintura dela.
"Bobagem", ele disse quando o beijo terminou, mas ele não a empurrou. Em vez disso, ele usou a mão livre para limpar a chuva do rosto dela.
"Como você vivia antes de me conhecer? Está toda molhada, vou te levar para tomar um banho, senão vai pegar um resfriado."
As roupas de Camila, finas e coladas ao corpo pela chuva, realçavam todas as suas curvas. Sofia viu Pedro desviar o olhar, a garganta dele se movendo enquanto engolia em seco.
"Pedro, posso tomar banho na sua casa?", Camila perguntou, com uma voz manhosa.
O rosto de Pedro ficou sério de repente.
"Não! Se minha esposa te visse aqui, seria um problema enorme. Vou te levar para um hotel."
Ele tirou o paletó que vestia sobre o pijama, jogou sobre os ombros trêmulos de Camila e tirou as chaves do carro do bolso.
"Espere no carro."
Pedro voltou para dentro, fechando a porta com cuidado. Sofia correu de volta para a cama, enfiando-se debaixo das cobertas, o corpo tremendo.
Ela ouviu os passos dele subindo a escada e entrando no quarto. Ele começou a trocar de roupa no escuro, tentando não fazer barulho. Ele estava prestes a sair e apagar a luz do quarto quando a voz dela o parou.
"...Não apague a luz."
O som da voz dela o fez congelar no lugar.
Ele se virou lentamente, um sorriso rígido e forçado no rosto.
"Esposa, quando você acordou?"
Sofia o encarou, fingindo ter acabado de despertar, o rosto sonolento.
"Marido, por que você está aí parado? Não vai deitar?"
Seu olhar desceu para as roupas que ele vestia agora, uma calça jeans e uma camisa.
"Você não estava de pijama? Vai sair?"
"Não, não", ele disse rapidamente, a voz um pouco tensa. "Só estava experimentando uma roupa para amanhã. Vou dormir agora, esposa."
Pedro pediu que ela dormisse primeiro, que ele iria ao banheiro. Mas Sofia insistiu, estendendo a mão para ele.
"Deita comigo."
Pedro, com o rosto tentando manter a calma a todo custo, não teve escolha. Ele tirou a roupa de rua, vestiu o pijama novamente e deitou-se ao lado dela, abraçando-a com força.
"Meu amor, seu marido vai te abraçar para dormir."
Sofia fechou os olhos, mas as imagens de Pedro e Camila se beijando na chuva a atormentavam, queimando em sua mente.
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