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Capa do romance O fruto proibido

O fruto proibido

Victoria e Matheus eram inseparáveis na infância: vizinhos, primos e melhores amigos. Após onze anos de distância, o destino os reúne em uma fase marcada pela intensidade da juventude e dos hormônios à flor da pele. Enquanto redescobrem a conexão perdida e enfrentam a tentação do proibido, Victoria se vê em um turbilhão emocional ainda maior. Tudo muda quando ela presencia um segredo chocante de sua madrasta, complicando sua nova realidade.
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Capítulo 3

Um olhar trocado e um breve sorriso sem mostrar os dentes.

Se o humor de Victoria já não vinha sendo dos melhores, o reencontro entre ela e o primo o havia deixado ainda pior. Certamente, de todas as possíveis reações durante o seu tão esperado reencontro, aquela estava realmente aquém, mesmo da pior hipótese dentre elas.

Ele a havia cumprimentado como se ela fosse uma completa estranha. Nem mesmo se havia dignado a mostrar os dentes enquanto sorria.

— O que foi, princesa? – Perguntou Bruno, enquanto tomava, da mão de Victoria, a mala pesada. Quando se tratava de consolá-la, sua voz se tornava inexplicavelmente terna e suave para uma voz, normalmente, tão grave e imponente.

Victoria suspirou, levando nos braços a bolsa na qual havia guardado a pelúcia que pretendia devolver para Matheus.

— Não é nada, pai. – Ela sabia que não acabaria com aquele diálogo antes de esclarecer o que a havia entristecido, mas explicar o que estava sentindo era quase impossível, uma vez que, nem mesmo ela, era capaz de entender. – Acho que só estou cansada da viagem.

Ele permaneceu em silêncio enquanto os dois atravessavam a casa em direção ao quartinho que ficava nos fundos, mas, quando ambos haviam entrado no quarto e estavam a sós, se aproximou, de frente para ela, segurando em seu queixo e a fazendo encará-lo. Ele a fitou como se explorasse calmamente os recônditos de seu jovem coração.

Se comparada à escura cor de ébano de seu pai, Victoria podia ser considerada um tanto mais clara, mas a semelhança entre os traços de ambos eram tantas que seria impossível dizer não se tratarem de pai e filha.

Resignada, ela suspirou mais uma vez.

— Ele nem me reconheceu. – Um beicinho ressentido surgiu na boca de Victoria.

Ela remoía o momento em que os olhares, dela e do primo, se haviam cruzado, por um brevíssimo momento enquanto ele passava direto para o interior da casa.

A boca do pai se torceu num sorriso de dentes muito brancos.

— Vem cá. – Ele a puxou em um abraço protetor. – Não ouviu a dona Rute dizendo que ele estava doido para te mostrar o lugar? É claro que ele te reconheceu.

— Mas então, por que ele nem me cumprimentou direito? – A voz de Victoria traía ressentimento.

A manzorra do pai se pousou sobre seus caracóis em um afago de acalento.

— Pelo mesmo motivo que você não o cumprimentou direito. – Ele explicou, paciente. – Deve ter ficado com vergonha. Ele acha que você não é mais a menininha que costumava brincar com ele.

— Mas eu sou. – A garota proferiu, como se precisasse se explicar. – Sou a mesma menininha.

Bruno se afastou de Victoria, voltando em direção à porta para continuar a descarga.

— Vocês vão ter tempo para perceber isso.

*

A tarde se havia passado com Victoria a remoer aquilo que lhe havia dito seu pai. Seu ânimo havia melhorado consideravelmente, mas, o cansaço da viagem parecia, então, ter começado a fazer efeito.

Quando ela e o pai terminaram de ajeitar todas as coisas em seus respectivos quartos, sem a ajuda de Sara, que se havia desembestado a andar pelas terras da fazenda tendo os cachorros a lhe fazerem companhia, duas batidas soaram à porta, que se encontrava aberta.

— Oi gatinha. – Victoria se virou para olhar. – Meu Deus, menina! Olha só como você cresceu.

Antônio era muito parecido com Bruno, tanto na fisionomia, quanto nos trejeitos. O tio, no entanto, talvez por conta do trabalho pesado na fazenda, havia envelhecido de maneira muito mais aparente. O homem que a observava sobre o umbral da porta ostentava uma proeminência na barriga e, os cabelos já se acinzentavam nas têmporas e na barba hirsuta.

— Tio Toni! – Ela correu para abraçá-lo. – Aonde estava?

Ele a envolveu com os dois braços que mais se pareciam toras. Ele exalava um cheiro de suor que se misturava com vários outros aromas estranhos ao olfato da garota e ela percebeu, talvez tarde demais, que suas roupas estavam encardidas por conta do trabalho.

— Oh! Me desculpe. Estou fedendo. – Ele gargalhou enquanto a apertava mais contra si. – Uma vaca decidiu dar à luz no meio do pasto e estive até agora auxiliando o veterinário.

Aquilo tudo soava tão surreal aos ouvidos de Victoria que, por um momento, ela cogitou a possibilidade de ele estar apenas tentando enganá-la, como fazia quando era uma criança.

— Aonde está o seu pai? – Perguntou.

Victoria deu de ombros.

— Deve ter ido atrás da namorada, que saiu por aí fazendo vídeos para postar naquela página idiota dela.

Ele levou a manzorra até o ombro miúdo de Victoria e ela pôde, mesmo por sob a blusa de lã que vestia, sentir os endurecidos calos que ele possuía na palma da mão.

— Dá um desconto para ela. – Ele sorriu, tentando ser conciliador, mas percebendo a própria falha quando os olhos negros de Victoria rolaram nas órbitas. – Bom, eu vou tomar um banho para poder comer alguma coisa. Fique à vontade, pequena.

Quando ele se virou e caminhou pelo corredor, Victoria cheirou sua própria blusa, constatando que o cheiro que o tio carregava, havia-se impregnado ali.

Ela voltou até o guarda-roupas, que ficava na parede oposta à porta e pegou um moletom. Atirou-o sobre a cama e se despiu da blusa de lã. O frio do inverno úmido fez com que sua pele se arrepiasse da barriga até os pequenos seios, contidos pelo sutiã de bojo e ela admirou o próprio corpo em um velho espelho. Seus olhos se arregalaram em um susto quando percebeu através do reflexo que Matheus a observava, boquiaberto estacado à porta.

Ato reflexo, Victoria deixou um gritinho escapar de sua garganta, levando a mão até o moletom e puxando-o contra si, à tento de esconder sua nudez parcial.

— Me desculpa. – O primo conseguiu articular, mas, sem fazer menção de sair de onde estava. – Eu não vi nada.

—Sai daqui! – Gritou.

Victoria correu em direção à porta e a esbarrou com força, fazendo com que as tábuas da casa reverberassem.

Ela sentiu as maçãs do seu rosto se aquecerem violentamente enquanto ouvia os passos do primo soarem sobre o assoalho.

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