Capa do romance SEGUNDA CHANCE PARA O BILIONÁRIO - SÉRIE AMORES DOS BILIONÁRIOS - PARTE 1

SEGUNDA CHANCE PARA O BILIONÁRIO - SÉRIE AMORES DOS BILIONÁRIOS - PARTE 1

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Lunna vive assombrada por traumas de infância e teme se entregar ao amor. Sua vida estremece ao conhecer Adam, um homem avesso a compromissos que desperta nela uma atração perigosa. No entanto, o surgimento de Romolo, o parceiro ideal, cria um dilema emocional. Entre segredos do passado e provações cruéis, ela precisará decidir se Adam merece redenção. Em meio ao caos e descobertas dolorosas, Lunna busca forças para enfrentar o destino e encontrar a felicidade.

SEGUNDA CHANCE PARA O BILIONÁRIO - SÉRIE AMORES DOS BILIONÁRIOS - PARTE 1 Capítulo 1

Abro os olhos e vejo um teto branco. Movo a cabeça lentamente para o lado e observo várias máquinas, percebendo que estou em um quarto de hospital. Mas o que aconteceu? Tento me sentar, mas não consigo. Meu corpo está pesado, como se algo estivesse me segurando na cama, e essa sensação é horrível. Minha garganta está seca, e não consigo engolir. Sinto uma vontade imensa de chorar. O que houve? Onde está minha filha? Meu marido? Uma lágrima escorre pelo meu rosto.

Mexo a cabeça lentamente e olho para frente, onde vejo a porta do quarto. Quero gritar, levantar, quero entender o que está acontecendo. Então olho para minha barriga e o desespero me atinge. Não vejo minha barriga de grávida. Tento me levantar de novo, mas é inútil. Meu corpo é como chumbo. Começo a chorar, desesperada.

Não sei por quanto tempo fico ali sozinha, chorando em silêncio, sem ninguém ao meu lado.

— Olha quem acordou! — A voz surge de repente, e percebo uma enfermeira bem na minha frente. Eu estava tão distraída que nem a vi entrar. — Você sente alguma coisa? Por que está chorando? - ela pergunta enquanto verifica meus sinais vitais.

Mas nenhuma palavra sai da minha boca. Eu nem consigo me mexer.

— Quero que você tente se acalmar, ok? Sei que está confusa e quer saber o que aconteceu, mas sua pressão está muito alta. Por favor, tente ficar calma, ou terei que lhe dar um tranquilizante. Não queremos que isso piore, não é? — A maneira como ela fala comigo não me conforta. Sei que algo grave aconteceu, mas apesar de tudo, tento conter a agonia. Minha vontade é gritar.

Algum tempo depois, a Sr.ᵃ Haile entra no quarto. Assim que percebe que estou acordada, começa a chorar.

— Gracias a Dios, mi hija... (Graças a Deus, minha filha) — Ela se aproxima com cuidado, me abraça e continua chorando. Meu próprio choro recomeça.

Ficamos muito tempo assim, abraçadas e chorando. Parecia que ela precisava disso, como se estivesse segurando tudo por um longo tempo. Quero perguntar o que aconteceu, mas minha voz não sai. Algo parece bloqueá-la.

— Senhora Martinez. — A enfermeira chama sua atenção. Minha sogra me solta e se senta em uma cadeira ao lado da cama. A enfermeira olha para mim com gentileza. — Quero que fique tranquila, não queremos mais um episódio de hipertensão, certo? Ela diz com um sorriso acolhedor e troca um olhar com minha sogra, que acena com a cabeça.

Ela segura minha mão e dá um leve aperto.

— Como está se sentindo, minha filha? — Seus olhos estão cheios de tristeza, e isso me apavora. Quero responder, mas nenhum som sai dos meus lábios.

— É normal ela não falar nada, senhora, considerando o que passou — responde à enfermeira. — Não se preocupe, essa guerreira vai falar logo. Ela me oferece um sorriso reconfortante antes de completar: — Vou chamar o médico.

Quando a enfermeira sai, o silêncio entre nós é sufocante. Tento chamar a atenção da minha sogra, mas ela apenas me devolve um sorriso triste e não diz nada. Para ser sincera, estou com medo de saber o que aconteceu.

Não sei quanto tempo se passou depois disso, mas um médico chamado Henrique Vales — vi o nome escrito em seu jaleco assim que entrou — começou a fazer exames em mim. Ele não fala muito enquanto trabalha, mas, quando chega às minhas pernas, não sinto suas mãos nelas.

— Senhora Rivera, sei que é difícil sair um som dos seus lábios, mas percebo que consegue mexer bem a cabeça. Farei alguns testes nas suas pernas, ok? Não quero que fique agitada, só preciso confirmar o que os exames já mostraram. Depois disso, explicarei o que aconteceu com a senhora. Tudo bem?

Aceno com a cabeça, incapaz de responder de outra forma.

Ele pega uma espécie de caneta, mas não descobre totalmente minhas pernas. Do jeito que estou na cama, não consigo ver direito o que ele faz.

— Vamos lá, consegue sentir isso? — balanço a cabeça em negação.

— E agora? — Nego novamente.

— A senhora pode sentir alguma coisa?

Mais uma vez, faço um gesto negativo. Lágrimas grossas começam a escorrer pelo meu rosto, molhando ainda mais minha pele.

— Quero que me ouça com atenção. Por mais difícil que seja, tente manter a calma. Sei que será complicado, mas é importante. Caso contrário, terei que administrar um tranquilizante, e acredito que a senhora também não queira isso.

Respiro fundo, fecho os olhos e confirmo com a cabeça.

— Quando chegou ao hospital, a senhora estava inconsciente. De acordo com o que nos foi relatado, caiu da escada. Consegue se lembrar de algo?

Balanço a cabeça em negação, incapaz de recordar qualquer coisa.

— É normal não lembrar agora, mas acredito que, com o tempo, as memórias possam voltar. Voltando ao início: a senhora chegou aqui inconsciente devido a uma queda, que causou um traumatismo craniano. Isso levou a um coma de três semanas. Uma das vértebras rompeu, resultando na perda de sensibilidade e movimentos abaixo do quadril.

Enquanto ele falava, sinto uma dor incomum no peito.

— Houve também um deslocamento da placenta, o que causou a morte do bebê que a senhora esperava. Ele ficou muito tempo sem oxigênio. Sinto muito pela sua perda.

Olho para ele, incrédula, e me viro para encarar minha sogra, que está tão devastada quanto eu. As lágrimas escorrem pelo rosto dela. Volto a atenção para o médico.

— A dor de perder um filho é, sem dúvida, uma das mais avassaladoras e terríveis. Um sofrimento inimaginável, porque, na perda de um filho, perde-se um pedaço de si mesmo — diz ele, com compaixão. — Sinto muito e gostaria de poder ter feito mais. Infelizmente, nada pôde ser feito. Quero que saiba que sua filha, ainda pequena, é mais uma estrelinha que agora brilha no céu.

As palavras dele me deixam com apenas um desejo: gritar e arrancar a dor do meu peito. Mas tudo o que consigo fazer é chorar. Tento me acalmar o suficiente para falar, lutando contra as lágrimas que ameaçam me sufocar.

— Meu... meu... — respiro fundo, buscando força. - Ma... rido — consigo dizer, embora a dor torne cada sílaba um desafio.

O médico troca um olhar significativo com minha sogra antes de suspirar. Ela pega minha mão, apertando-a com força. Seus olhos, cheios de lágrimas, encontram os meus.

— Houve um acidente, minha filha — diz ela, com a voz embargada. — No mesmo dia em que tudo aconteceu, meu filho perdeu o controle em uma curva, bateu o carro e... não resistiu.

Um soluço escapa dos meus lábios. Não consigo respirar. Meu peito dói... Tudo dói! Minha cabeça fica pesada e logo tudo escurece.

•••••♥•••••

Foi difícil ouvir que perdi minha bebê, que meu marido estava morto e que minha linda filhinha estava sofrendo.

Fico me perguntando por que toda essa dor? Ah, meu caro Ariano! Como posso dizer ao meu coração que você se foi? Eu não posso acreditar que você partiu. Eu me sinto triste e sozinha. Todo mundo me diz que preciso ser forte. Preciso libertá-lo para que você possa encontrar a paz. Sei que meu sofrimento não é bom para mim, mas ninguém entende o que estou sentindo. Recentemente, eu estava feliz e, de repente, meu mundo se partiu ao meio. Preciso conviver com essa dor e devo fazer do meu jeito!

Necessito ficar sozinha, chorar e pensar em você. Agora, posso sentir o seu amor apenas estando sozinha e em silêncio, ouvindo as batidas do meu coração. Quando penso em você, sei que sofrerei por não te ter aqui e que haverá dias difíceis, que sofrerei por muito tempo, e sempre que me lembrar de você, sentirei novamente meu coração chorar e sangrar por sua perda.

Mas sei que um dia essa dor passará, e não quero me agarrar a essa dor para sempre. Quando eu sentir que é hora de viver de novo, deixarei a dor e a tristeza irem embora, ficando apenas a saudade. Essa é minha forma de viver meu luto e reaprender a viver sem você aqui. E não importa o que os outros veem por fora; o que importa é o que sinto em meu peito... o meu amor por você.

A pior dor que alguém pode sentir é ver um ente querido partir. A impotência diante da morte é o que nos faz lembrar que somos humanos e perceber como a vida é frágil.

Apesar do sofrimento, é preciso enfrentar a morte com força e coragem. Devemos saber que, mesmo que aquela pessoa querida não esteja mais conosco, o amor nunca vai embora. Ele fica lá para sempre, em nossas lembranças felizes, que trazem às vezes um gosto amargo pela certeza da despedida.

Amor e boas lembranças sempre ficam após a morte.

Viver a dor, chorar e sofrer, mas saber que nunca estarei sozinha em minha dor, é um tanto reconfortante. Olho para o céu e tenho certeza de que tem uma estrela lá em cima brilhando e iluminando cada um dos meus passos. Quando essa dor passar e só ficar a saudade... ela sempre fará meu peito apertar, mas as lembranças ficarão vivas em meu coração e vão me dar forças para sorrir de novo.

Seguir em frente e viver a vida em paz, a felicidade pode ser difícil e dolorosa. Todos temos uma missão na vida e precisamos seguir nosso próprio caminho para nos tornarmos uma estrela também na grandeza do céu e no infinito da eternidade.

Pelo menos, a justiça foi feita para a minha menina. Depois de todos os infortúnios que aconteceram em nossas vidas, uma boa notícia surgiu para nos trazer um pouco de alento.

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