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Capa do romance O Destino de Ayla

O Destino de Ayla

Determinada a trabalhar, a jovem Ayla confronta a resistência dos pais e finalmente obtém a permissão para buscar seu primeiro emprego. No entanto, o que deveria ser um marco de independência transforma-se em um pesadelo inesperado que mudará sua trajetória para sempre. Presa em uma situação sombria e angustiante, ela enfrenta um desafio cruel. Conseguirá Ayla superar esse trauma sozinha ou encontrará o apoio necessário nos braços de um grande amor?
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Capítulo 2

— Tá bom, então. — Ela disse sendo vencida pela insistência de Sara. — Eu vou trabalhar!

Sara a olhou diferente, Ayla não sabia dizer o que se passava na mente de sua amiga, o receio e a curiosidade, ambas tomam conta do ser de Ayla, que infelizmente não fazia a menor ideia do que esperar de Sara, com certeza viria algum questionamento.

— O que seus pais falaram? — Perguntou demonstrando uma curiosidade genuína logo emendou — Deixaram você trabalhar?

Foi nesse instante que o sorriso de Ayla cresceu, realmente não esperava por essa pergunta, nem pensou muito já respondendo:

— É claro que deixaram. — Ayla disse alegremente, já não se aguentando de tanta felicidade.

— Mas você sabe que é bem complicado o que você quer, não sabe? — Sara perguntou se ajeitando no lugar onde estava sentada.

— Sara, você sabe muito bem que o que eu quero eu consigo, e não é por ser difícil que abaixarei a cabeça e me darei por vencida, muito menos deixarei que coloquem um cabresto em minha cabeça assim me controlando. — Começou a responder timidamente, na medida em que ia falando seu tom de voz ia ganhando força e convicção.

— Entendi. — Sara disse pensando no que dizer logo em seguida. — Você é bem diferente das outras garotas que conheço. — Disse fazendo uma pausa, umedecendo os lábios ressequidos continuando logo em seguida — Você não se preocupa com o que está vestindo, não dá a mínima com o que falam ou deixam de falar de você, e muito menos se enfeita na tentativa de conquistar os rapazes, em contrapartida sempre tem uns na sua, e que vivem atras de você.

Ao ouvir uma descrição tão precisa de si, Ayla fica desconcertada, logo procurando mudar de assunto.

— Vamos na praça? — Perguntou se sentindo um tanto mal por mudar de assunto tão repentinamente, contudo esperava que Sara a compreendesse. Ayla nunca foi o tipo de pessoa que gostava de falar sobre si, muito menos curtia levar seus problemas para sua amiga, que já tinha tantos em sua vida. Ela acreditava ser desnecessário incomodar os outros com seus problemas bestas.

Sara em um primeiro momento não entendeu a mudança de assunto, mas logo em seguida compreendeu que a amiga não queria falar sobre sua vida, o que se tratando de Ayla era normal, ela nunca contava muito de sua vida, gostava de resolver seus problemas sozinha.

Elas saíram animadas, ambas sorridentes, caminhavam lado a lado, a felicidade transbordava das duas amigas inseparáveis. A casa de Sara ficava relativamente perto da praça, a distância era de um quarteirão.

Ao chegarem no seu destino, Ayla e Sara perceberam que a praça não estava cheia, havia alguns grupos de rapazes e moças que conversavam distraidamente.

O lugar estava muito bonito segundo Ayla que não passeava por ali a bastante tempo, as árvores, bem cuidadas, os bancos que antes eram escalpelados, agora pintados em diversas cores. O clima começara a esfriar, que era indicativo de uma noite fresca e agradável. 

— Vamos nos sentar naquele banco! — Ayla afirmou de repente, o que pegou Sara totalmente de surpresa. — Não sei, mas me sinto tão bem aqui!

Sem saber bem o que dizer, Sara anui em concordância, seguindo Ayla para onde a amiga desejava se sentar.

— Sabe de uma coisa que me veio a mente, — Sara começou tocando no ombro direito de Ayla, ambas já tinham se sentado. — Me lembro de quando nos sentamos aqui, e conversamos horrores… Você sempre fazendo o possível para me entender, a unica coisa que não me recordo é de você me procurar para lhe ajudar a resolver algum pepino que se encontrava, ou até mesmo para desabafar sobre algum fato que estivesse lhe incomodando.

 Ayla não sabia o que dizer ou até mesmo o que fazer para que sua amiga se sentisse melhor, realmente ela estava magoada. Sara acreditava que Ayla não confiava nela, o que não era verdade. Ayla, em um silêncio incômodo que já durava séculos, pensava em uma forma de responder sua amiga que esperava ansiosa por sua resposta.

— Sara — Começou se virando para sua amiga, nesse momento olhava dentro dos olhos de Sara, torcia para que estivesse passando confiança — Nunca te procurei para pedir ajuda ou um conselho, porque nunca algo de importante tinha acontecido em minha vida, ou melhor, nunca tive pepinos a serem resolvidos.

Ambas riram com a última frase que Ayla acabara por dizer.

Já mais aliviada por ver que a amiga não estava mais magoada, e feliz por ter encontrado as palavras certas para dizer.

— Quando tiver um problema você será a primeira a saber. — Ayla disse completando o que disse anteriormente.

Sara anui em concordância, exibindo um sorriso exuberante de felicidade.

— Já que confia em mim, quero lhe fazer duas perguntas. — Sara disse só a pura animação. Já Ayla viu sua felicidade ir por água abaixo, o que ela menos gostava era das perguntas de sua amiga, na maioria das vezes elas eram intrusivas demais para o seu gosto. Sem muito saber o que fazer, concordou em um sussurro praticamente inaudível.

— Porque você não fala nos seus irmãos?

Ayla não gostava de falar de seus irmãos, mas teria que dizer algo, mesmo não gostando, assim tentou dizer de uma forma sucinta.

— É que meus irmãos não gostam de mim. O meu irmão me detestava, sempre que podia plantava picuinhas entre os meus pais e eu. A minha irmã sempre que se chateava com algum acontecimento do seu dia, descontava tudo em mim. — Ayla fez uma pausa, tentando colocar os pensamentos em ordem para assim poder continuar — E também porque meu pai vivia me enchendo de responsabilidades, acho que eles queriam, a todo custo, estar no meu lugar. Eu tinha a reputação de ser sempre a certinha.

Ayla terminou na expectativa de a amiga ter se sentido satisfeita com sua resposta. Olhou para Sara que instantaneamente percebera que sua amiga tinha perdido todo o brilho que antes seus olhos transmitiam. No mesmo instante Sara se arrependeu de ter tocado no assunto, realmente não deveria ter feito isso com Ayla, é verdade que tinha suspeitas de ela não se dar bem com sua família, mas o que contou a surpreendeu, não esperava por isso.

— Desculpa! Eu não deveria ter te perguntado. — Sara se repreendeu se sentindo culpada por ter tocado no assunto. — Droga! Eu e essa minha curiosidade!

— Não precisa se desculpar. Só vamos trocar de assunto, ok? 

Sara nem pensou direito, logo anuindo em concordância, o que não era do seu feitio.

Nesse instante Sara olhou para um trailer que ficava ao norte da praça, algumas pessoas estavam sentadas em cadeiras comendo e conversando, e no meio dessas pessoas o primo de Ayla acabava de se sentar em uma mesa que se encontrava vazia, o mesmo acompanhado de um de seus amigos.

— Ayla, vamos tomar um refrigerante? — Sara perguntou se virando para a amiga, alegria exalava de Sara, foi naquele momento que Ayla percebera que tinha caroço nesse angu.

Como previu, o anoitecer era fresco, o que tornava muito agradável o ambiente em que se encontravam, entretanto, ela estava com calor sufocante. Ayla, prestes a aceitar o convite de Sara quando olhou para a direção do trailer e viu Jonas, ali teve a certeza de que realmente tinha caroço no angu.

“Então esse é o motivo de tanta felicidade?” Ayla se perguntou em pensamentos, incrédula com a banalidade que Sara se tratava, onde é que Ayla ficaria tão feliz com um rapaz. Só mesmo sua amiga para ficar assim.

— Acho que não, Sara. — Pensando rápido usou uma desculpa que a amiga não refutaria em hipótese alguma, pois mexer no bolso da onça era a mesma coisa que estar morto. — Sabe… é que não trouxe dinheiro.

— Isso não é problema. Eu pago a conta. — Sara continuou muito zombeteira — Amigos são para essas coisas.

Ayla sentiu vontade de sair correndo e não olhar para trás, mas mesmo relutante e se controlando para não voar no pescoço de Sara, seguindo a amiga.

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