Capa do romance O Destino de Ayla

O Destino de Ayla

9.0 / 10.0
Determinada a trabalhar, a jovem Ayla confronta a resistência dos pais e finalmente obtém a permissão para buscar seu primeiro emprego. No entanto, o que deveria ser um marco de independência transforma-se em um pesadelo inesperado que mudará sua trajetória para sempre. Presa em uma situação sombria e angustiante, ela enfrenta um desafio cruel. Conseguirá Ayla superar esse trauma sozinha ou encontrará o apoio necessário nos braços de um grande amor?

O Destino de Ayla Capítulo 1

Ayla era conhecida como coração de gelo, de uma beleza exuberante, com cabelos encaracolados, longos, onde ela passava encantava os rapazes assim que a viam, entretanto, todos acabavam de coração partido.

Ainda estudante e de família respeitada, que residia em um bairro humilde de uma cidade que se encontrava em desenvolvimento. Para contrariar, isso no pensamento de seus pais, decidira que iria trabalhar, ela não precisava, contudo, queria ter sua independência financeira.

Sentada no sofá que ficava na sala, em frente a uma televisão que passava uma novela qualquer, Ayla perdida em seus pensamentos não prestava atenção no que acontecia na novela, ela matutava como faria para convencer seus pais a deixarem que trabalhasse. Isso é o que mais queria em sua vida.

De supetão, se vira para sua mãe que estava ao seu lado, contudo, diferente de Ayla, D. Sofia se encontrava vidrada no que acontecia na novela.

— Mãe, vou trabalhar! — Afirmou de uma vez, o mais rápido que podia, com medo da reação de sua mãe fechou os olhos se encolhendo no canto do sofá.

O medo tomava conta do ser de Ayla, medo de apanhar, mesmo sabendo que sua mãe não era esse tipo de pessoa, ela num primeiro momento, escutava o que tinham a dizer para depois tomar uma decisão mais drástica. O que a categorizava como uma pessoa mais da conversa primeiro.

Sofia lhe lança um olhar atravessado e que ao mesmo tempo transmitia confusão. Sua mãe já esperava que algo do tipo viesse a acontecer, só não esperava que fosse tão cedo, infelizmente o dia em que seu bebê abriria as asas e voaria chegara, com uma dor no coração teve de aceitar, mesmo contrariada.

— Minha filha, vem cá. —  D. Sofia disse se ajeitando no sofá, abrira os braços para que sua filha se aninhasse em seu colo uma última vez. Ayla, meio acanhada, se aconchega no colo de sua mãe que automaticamente começara a fazer um cafuné na filha — Meu bebê nunca precisou trabalhar, por que agora viu a necessidade de procurar um emprego?

— Sei lá, mãe, é que eu quero ter a minha independência — Ayla disse se aconchegando mais no colo de sua mãe.

— Minha filha, pode ser tanto uma boa experiencia quanto uma má experiencia, você pode se machucar, ou não aguentar calada os abusos que pode vir a ocor...

— Mas mãe, eu sei muito bem me cuidar, e sei me defender desse tipo de pessoa, eu sei lidar com elas. E a senhora sabe melhor que todos que quando eu quero uma coisa eu a consigo. — Irmã disse interrompendo a mãe se levantando do sofá em um pulo.

Dona Sofia se levantou do lugar em que estava, segurou o rosto da filha com as duas mãos acariciando suas bochechas com os dois polegares, abrindo um sorriso, disse:

— Sim, eu sei que sabe se cuidar minha filha, mas como você sabe é a preocupação de mãe que fala mais alto. — Sofia disse fazendo uma pausa, pega o controle da tv a desligando. — Você nunca nos deu uma decepção, e ficaríamos muito decepcionados e tristes, não sei se conseguiríamos aguentar caso nos decepcione, Ayla.

Ela olha para sua mãe séria, como nunca antes tinha ficado.

— Caso algo aconteça espero que tenha a ajuda e o apoio de vocês que são o meu porto seguro — Ayla disse se encaminhando para a cozinha, depois de tanta conversa sua garganta seca necessitava de água urgente.

Enquanto bebia água em um copo de vidro, sua mente não parava, pensava em n possibilidades de poder convencer seus pais a deixarem ela trabalhar, de forma alguma queria esperar seus vinte e um anos, Ayla já se considerava velha demais, apesar de seus dezessete anos serem considerados jovem demais, ela se sentia mais velha do que realmente era, já vendo a necessidade de sair para trabalhar e finalmente ter sua independência financeira.

**

Vestida com uma blusa azul de alça fina, uma calça jeans surrada de tanto que Ayla a usava, e um tênis All star preto de cano alto, que ganhou de aniversário a uns anos atrás. Agora estava pronta, iria na casa de sua amiga.

— Mãe — Ayla gritou não esperando por uma resposta logo continuou — Estou indo na casa da Sara — Disse já saindo portão afora.

Ela andava apressada pela rua, a ansiedade palpitava em seu peito, um sorriso estampava sua face, para todos naquela tarde era perceptível que Ayla se encontrava feliz.

Andava cada vez mais rápido, precisava ver Sara o mais rápido possível, sentia uma urgência em contar tudo para a amiga, necessitava de uma opinião que não fosse a sua. Ela nunca se sentia tão feliz como se encontrava naquele momento.

“Todos devem estar estranhando o comportamento da ‘coração de gelo’.” Pensou rindo por ter pensado de si própria em ter pensado em terceira pessoa, ao mesmo tempo que era estranho acabava sendo engraçado, o que causou uma crise de risos.

Sara morava a dois quarteirões da casa em que Ayla morava, o que levava cerca de 17 minutos para ela percorrer a pé, já na metade do caminho, cansada, e esbaforida fez uma pausa, se escorando em uma árvore que ficava em frente a uma casa.

Ali, pingando suor, o dia estava extremamente quente, quase se arrependia de ter saído de casa quando veio a sua mente o motivo de ter saído. Com as energias renovadas continuou seu caminho, precisava ver sua amiga.

Finalmente tinha chegado ao portão da casa de Sara, tocou a campainha duas vezes, não demorou muito para escutar a voz de sua amiga com um “Já vai”.

Quando Sara abriu o portão, abrira um sorriso, logo começando a fazer mil e uma perguntas que acabara por deixar Ayla zonza, contudo, se não perguntasse não era sua amiga.

— E que sorriso bobo no rosto é esse? — Sara perguntou logo que entraram na casa — E não finja de egípcia pois seus olhos te entregam, estão com um brilho diferente.

Sara disse sugestiva segurando no pulso de Ayla a conduzindo para seu quarto.

— Não tenho nada demais para cont...

Ayla foi interrompida por Sara.

— O que disse mesmo? — Perguntou.

— Para não fingir de egípcia? — Ayla perguntou fingindo insegurança, Sara simplesmente concordou com um aceno de cabeça.

— Agora desembucha que não tenho o dia todo. — Brincou, ambas sabiam que Sara não iria a lugar algum.

— Calma! — Ayla pediu — Vou te contar tudo, mas já te adianto que não é nada demais. — Conclui na tentativa de acalmar a ansiedade da amiga.

— Mesmo assim eu quero saber... — Sara disse implorando para que Ayla contasse logo e parasse de enrolação.

Assim que entraram no quarto de Sara, Ayla foi logo se sentando na cama da amiga, que também se sentou.

—  Agora conta vai. — Sarah disse segurando no braço direito de Ayla o balançando em súplica.

Com um revirar de olhos, Ayla se soltou do agarre da amiga.

— Tá bom, então. — Ela disse sendo vencida pela insistência de Sara. — Eu vou trabalhar!

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