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Capa do romance O desejo da porta ao lado

O desejo da porta ao lado

Carla Rodrigues enfrenta uma maré de azar constante em sua vida pessoal e amorosa. No meio desse caos, ela reencontra Elias Pinheiro, seu melhor amigo de juventude, e passa a lutar contra um forte sentimento de culpa ao desejar o antigo companheiro. Elias, que vive uma fase monótona após crises profissionais, vê seu mundo mudar ao rever Carla, seu primeiro amor. Ele tenta resistir à atração e negar que os sentimentos do passado ainda estão vivos.
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Capítulo 2

Elias

Era sábado a noite e eu não tinha lugar algum pra ir ou ninguém pra encontrar, estava em um tedio fudido por ficar em casa desde que eu não tinha que ir trabalhar, então pensei que seria bom passear um pouco, talvez beber em um outro lugar, quem sabe ir dança? Valeria qualquer coisa que me tirasse do tédio e da monotonia que a minha vida se encontrava atualmente.

É, eu me sentia meio perdido e sem objetivos claros, estagnados e por mais que tentasse me animar com algo, tudo parecia chato é desinteressante. Viver assim era uma tortura constante como ser a porra de um morto vivo e tem sido assim desde que tive um probleminha no meu emprego.

Vesti uma camisa branca e um uma jaqueta de couro por cima, e uma calça jeans, meu estilo era clássico. Eu realmente pensei que teria mais uma noite chata e entediante, mas nunca em mil anos preveria que assim eu desse quinze passos da porta do meu apartamento minha noite seria mais que agitada.

Como explicar a sucessão de fatos que aconteceu em menos de 30 minutos depois que eu decidir sair? O elevador parou no meu andar e as portas se abriram normalmente, mas dentro dele estava uma mulher descabelada chutando uma mala com toda a sua força enquanto falava sozinha, o que a mala tinha feito de tão grave?

-— Ah...Você tá bem? Precisa de ajuda? -— eu so tentei ser legal, eu juro, não vou negar que fiquei assustado mas eu so tentei ser legal.

-—  Ta com pena de mim? Pena? Olha aqui seu bonitinho de merda eu não preciso da sua pena, sou uma mulher gostosa, inteligente, evoluída e nossa! Sou muito bom de cama, tenho milhares de qualidades, eu vou ficar bem rapidinho por que ele não foi nada para mim e logo logo eu vou sair por aí desfilando com toda a minha gostosura, então você pega a sua pena e enfia bem naquele lugar.  -— eu so perguntei se ela estava bem, nesse momento me arrependi de ter saído de casa e ter que interagir com uma doida, tanta gente para isso acontecer e tinha que ser logo comigo.

Não bastando ela ficou me olhando por muito tempo, acho que cerca de dois minutos, não me movi e não desviei o olhar com medo que ela entendesse mal, mesmo olhando ela com os olhos inchados e vermelhos e o rosto molhado de lágrimas eu podia dizer que sim, ela aparentava ser bonita um pouco familiar, estando apenas em uma noite ruim, mas eu não desejava nem um pouco ser o alvo das suas frustações, pensei em passar correndo para o elevador evitando qualquer contato, mas as portas lentamente se fecharam levando suas malas ainda la dentro.

—  Moça, a suas malas se foram. —  Tentei alertar, me afastando um pouco para trás prevendo um possível surto de raiva, mas não, ela permaneceu ali parada olhando o elevador que parecia descer até o primeiro andar.

Toquei em seu ombro ainda temendo sua reação a chamei com delicadeza e foi ali que ela começou a chorar, chorar alto e dolorosamente como se estivesse sendo machucada por alguém, algo que possivelmente os vizinhos ouviriam e eu não queria atrair problemas.

Seu corpo despencou no chão então foi ai que eu fiquei mal, ela parecia esta passando com muita coisa e nem precisava ouvir isso dela, o seu estado completamente passava isso e pelo jeito que falou poderia ter perdido alguém ou algo ainda pior, não levaria nada daquilo para o pessoal, também não podia deixa la ali no chão chorando.

Me agachei na sua frente e tente falar com ela para acalma la, mas a moça estava em um estado total de desespero que partiu meu coração. Segurei seu rosto entre minhas mãos e sequei suas lágrimas tendo a atenção daqueles olhos azuis.

—  Eu vou pegar suas malas, fique aqui tá certo? —   Ela assentiu, parando um pouco de chorar e prestando atenção em mim.

Sem pensar desci pela escada de incêndio e so na metade me lembrei que morava no décimo oitavo andar, uma imensidão de lances de escadas se estendia a minha frente, suspirei e fechei os olhos tentando lembrar que isso era por uma boa ação, para ajudar alguém.

Eu era um homem grande e forte que me mantinha exercitado desde que entrei na vida adulta, mas algumas semanas que havia parado até com isso, ficando meus dias apenas em casa acompanhando séries.

Chegando ao nono andar eu ja sentia meus pulmões gritar por ajuda, mas mesmo assim continuei, quando finalmente tinha chegado ao térreo me sentir um palhaço sem vergonha, o elevador tinha subido.

Sentindo o que a falta de exercícios na minha vida, fui subindo mais devagar, um passo de cada vez, chegando ao meu andar vi a moça de olhos cor de água, parada com suas duas malas, ela me olhou sorriu e logo direcionou o olhar ao chão.

—  minhas malas...bom, o elevador..., mesmo assim obrigada — 

Desci 18 andares para nada, mas tudo bem pelo menos era parecia mais calma, nesse momento nem sabia mais se eu queria sair, era capaz de ser esfaqueado com a sorte que eu estava, talvez fosse pedir uma pizza, a moça de despediu e se encaminhou para o apartamento na frente do meu.

Então ela era a minha vizinha? Não sabia se isso era bom ou não, mas espero que pelo menos a convivência seja boa. Coloquei a chave da porta e então a ouvir gritar. Quando olhei novamente ela estava abaixada no chão e com as duas mãos na cabeça.

—  Tudo bem aí? —  Ah eu não sabia se queria fazer ou não essa perguntava, estava com um pressentimento ruim

— eu...esqueci minha chave...—lentamente ela se virou para mim, com os olhos já cheios de lágrimas, tinha como aquilo ficar pior? Claro que tinha, eu abrir minha boca.

— Quer dormir aqui essa noite? —

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