Capa do romance O Despertar De Uma Nova Mulher

O Despertar De Uma Nova Mulher

8.1 / 10.0
Após morrer na miséria por causa da traição de Pedro, seu irmão adotivo, Maria desperta vinte anos no passado. De volta à juventude e sem as cicatrizes do sofrimento, ela se vê no dia exato em que sua ruína começou. Quando Pedro tenta manipulá-la para segui-lo rumo ao desastre, Maria impõe um limite inesperado. Agora, armada com memórias do futuro, ela desafia os Silva para proteger o pequeno João e reescrever seu destino, garantindo que a história não se repita.

O Despertar De Uma Nova Mulher Capítulo 1

A escuridão era fria e sem fim.

Eu flutuava nela, revivendo meus últimos momentos: o cheiro de mofo da favela, a febre me queimando, meu irmão João chorando enquanto segurava minha mão.

Vinte anos.

Vinte anos de miséria desde aquele dia fatídico.

O dia em que Pedro, meu irmão adotivo, me vendeu por um punhado de comida, condenando-me a uma vida de sofrimento.

Eu vi meus pais adotivos, os Silva, desolados sobre meu corpo sem vida. O arrependimento deles era uma faca, mas a dor já havia me consumido.

Pedro, pálido, talvez por culpa, talvez por medo do escândalo que mancharia seu nome, estava lá.

E Ana, sua irmã mimada, que tomou meu lugar na minha ausência, chorava "lágrimas de crocodilo" agarrada à mãe.

Eles se arrependeram. Mas de que adiantava?

Meu fim já estava escrito. Ou assim eu pensava.

De repente, uma luz forte me cegou. Abri os olhos, o ar invadindo meus pulmões com uma urgência dolorosa.

A primeira coisa que vi foi o teto familiar da casa dos Silva. O mesmo teto de vinte anos atrás.

Então, ouvi a voz irritante de Pedro: "Pai, mãe, eu não aguento mais! Essa casa é um inferno! Eu quero ir embora, tentar a vida na cidade grande!"

Eu estava no meu antigo quarto. Minhas mãos eram as de uma jovem, sem as cicatrizes e a aspereza de anos de trabalho forçado e doença.

Eu voltei do inferno.

Voltei para o dia em que tudo começou.

Pedro insistia: "Eu já tenho dezessete anos, não sou mais criança! E a Maria vai comigo. Ela é minha irmã, tem que cuidar de mim!"

Eu caminhei até a porta, espiando pela fresta.

Ele queria me arrastar para o mesmo destino de desgraça.

Mas desta vez, não.

Pedro tentou pegar minha mão, o sorriso manipulador se formando em seus lábios.

Recuei, as palavras saindo firmes: "Não."

O choque no rosto dele era quase cômico.

Sem remorso, encarei os olhos que me viram ser vendida por comida: "Eu disse não. Eu não vou a lugar nenhum com você, Pedro."

Os Silva e Pedro ficaram surpresos. Eu nunca o havia desafiado antes.

Agora, eu daria o primeiro passo para reescrever meu destino e o de João.

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O Despertar De Uma Nova Mulher de Conteúdos

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