Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Conde E Eu

O Conde E Eu

Na Inglaterra vitoriana, a audaciosa escritora Eleanor Ashford desafia normas sociais ao cruzar o caminho do enigmático Conde de Ravenshire. Assombrado pelo passado, o nobre firma um contrato formal com Eleanor que logo evolui para um jogo perigoso de paixão e segredos. Entre bailes luxuosos e cartas proibidas, ela oscila entre dever e desejo, enquanto ele perde o controle sobre os próprios sentimentos. É uma trama intensa de redenção, erotismo e vingança.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

O saguão de Ravenshire encheu-se de movimento conforme os dias passavam. Costureiras, floristas, mordomos e chefes de cerimônia entravam e saíam como peças de um tabuleiro cuidadosamente manipulado por mãos invisíveis. Tudo precisava estar perfeito - e tudo seria observado.

Eleanor observava tudo do alto da sacada central, com o diário fechado sobre o colo e a mente ainda agitada pela carta de Alistair Thorne. Ele era perigoso, mas havia um charme na maneira como ameaçava sem erguer a voz. Ainda assim, aceitar sua oferta seria o mesmo que incendiar o castelo antes de entrar. E ela não podia - ainda não.

- Lady Ashford - anunciou o mordomo, interrompendo seus pensamentos. - Um convite chegou de Lady Mortimer. Um baile exclusivo para os noivos da temporada. Espera-se vossa presença... e a de Lorde Ravenshire, naturalmente.

Eleanor ergueu os olhos, o coração pesando. Baile. Público. Olhares. Dança.

- Diga que aceitaremos - respondeu, com calma ensaiada. - Será o primeiro de muitos.

Naquela noite, Eleanor foi até a ala oeste da mansão. O lado onde Edward ficava. O convite exigia planejamento, trajes, aparência. Mas também exigia uma encenação: a de um casal que se suportava, que sorria, que conhecia as rotinas e preferências um do outro.

Bateu duas vezes na porta. Nada.

Abriu mesmo assim.

Edward estava à meia luz, a camisa aberta no peito, os cabelos úmidos, recém-saído do banho. Ele olhou por cima do ombro, sem surpresa.

- Achei que já não batias antes de invadir.

- Achei que já não te importavas.

Ele riu, baixo.

- Toque justo. A que devo a honra?

Ela aproximou-se e estendeu o convite.

- Lady Mortimer. Baile. Esta sexta. Teremos que dançar.

- A velha Mortimer ainda insiste em ver jovens sofrendo sob seus lustres. - Ele pegou o papel com desdém. - Supõe-se que fingiremos gostar um do outro?

- Não. Suponho que faremos parecer que podemos coexistir sem nos matar.

Ele sorriu com ironia. Deixou o papel sobre a mesa e foi até a garrafa de uísque.

- E o que espera que eu vista? - perguntou, virando o líquido âmbar no copo.

- Algo que pareça nobre. Discreto. E caro. - Ela hesitou antes de acrescentar: - Teremos os olhos de Londres sobre nós.

- Eles nunca deixaram de nos observar, Ellie.

Ela odiava aquele apelido nos lábios dele. Porque o fazia lembrar.

Antes que pudesse retrucar, ele se aproximou com o copo em mãos.

- Acredita que enganarão todos com um simples baile?

- Não quero enganar. Quero controlar a narrativa.

- Então controla a mim - murmurou ele, tão perto que ela podia sentir o calor de seu corpo, o leve cheiro de especiarias e tabaco. - Consegue?

Ela o encarou com firmeza. Uma batalha muda, de vontades, orgulhos e feridas antigas.

- Ainda não. Mas vou conseguir.

O baile de Lady Mortimer era o evento da temporada. Na sexta-feira, carruagens bordadas se alinhavam diante do portão da propriedade Mortimer, enquanto os convidados atravessavam os salões dourados com taças de champanhe, plumas e expectativas.

Eleanor surgiu como uma deusa entre os mortais.

Vestia-se de prata líquida, um cetim que escorria pelo corpo, moldando-lhe as curvas e expondo mais do que a aristocracia costumava aceitar. Mas não era vulgar. Era o tipo de provocação elegante que obrigava qualquer um a parar e notar. O decote era preciso, o bordado, letal. E os olhos? Dois cacos de gelo em brasa.

- Parece que preferes guerra em vez de paz - disse Edward ao vê-la.

Ele usava um terno preto de corte impecável, a gravata prata refletindo a luz das velas. Lindo demais para um homem tão perigoso.

- Guerra atrai mais aliados do que submissão - respondeu ela, aceitando o braço dele sem hesitação.

Eles entraram juntos no salão, uma pintura viva daquilo que a sociedade mais desejava ver: escândalo, poder, beleza e mistério.

Lady Mortimer veio recebê-los com entusiasmo artificial.

- Conde! Lady Ashford! Que prazer finalmente vê-los lado a lado. Londres anseia por vosso enlace.

- Então lhes daremos o espetáculo que merecem - disse Eleanor, sorrindo como se não escondesse uma lâmina na manga.

As danças começaram. Primeiro as formais, seguidas pelas mais íntimas. Quando o mestre de cerimônias anunciou a valsa, Edward estendeu a mão a Eleanor sem ironia.

- Uma dança, minha quase condessa?

Ela hesitou apenas um segundo. Depois aceitou.

Os dois deslizaram pelo salão como se sempre tivessem sido amantes - ou rivais. Ele guiava com perfeição. Ela, com altivez. O toque das mãos, firme. O olhar, um duelo.

- Está aproveitando o espetáculo? - sussurrou ele, os lábios quase roçando sua orelha.

- Estou comandando-o.

- E se eu quiser tomar o controle?

- Tarde demais, Edward. Já estás dançando conforme minha música.

Ele riu, e pela primeira vez em anos, foi genuíno.

- A Ellie de antes jamais falaria assim.

- A Ellie de antes morreu quando esperou tua carta por três anos.

Silêncio.

Ele a puxou mais para perto, tão perto que ela sentiu seu coração bater.

- Talvez eu devesse lamentar.

- Talvez devesse mesmo.

A música acabou. Eles pararam. E a sala explodiu em aplausos, não pela música, mas pelo que os dois representavam: um escândalo renascido, um casal que prometia incendiar toda a temporada.

Mais tarde, quando estavam prestes a deixar o baile, um criado entregou a Eleanor um envelope preto. Sem remetente. Sem lacre.

Ela o abriu ali mesmo, sob a luz do saguão, com Edward ao lado.

Dentro havia apenas uma frase escrita com tinta vermelha:

"Você não pode controlá-lo. Mas eu posso destruí-lo."

Edward olhou por cima do ombro dela. A expressão endureceu.

- Quem te mandou isso?

Eleanor dobrava o papel com calma.

- Alguém que não entendeu a mensagem. Ainda estou no comando.

Mas por dentro, ela sabia: o passado estava se movendo. E eles não estavam mais sozinhos nesse jogo.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance Adoração atemporal
8.9
Marcus e Cindy compartilharam um vínculo profundo por dezoito anos, marcado por uma devoção absoluta. Contudo, o anúncio do noivado dele com outra mulher partiu o coração dela. Após a morte suspeita da noiva, Cindy foi acusada e, logo depois, declarada morta em uma explosão. Cinco anos mais tarde, Marcus reencontra o amor, mas o ressurgimento súbito de Cindy abala tudo. Seria ela uma impostora ou um mistério inexplicável? O passado retorna com força total.
Capa do romance As Cicatrizes Que Ela Escondeu do Mundo
7.9
Após três anos no brutal Campo de Correção, Alvorada retorna à mansão da família como uma vergonha oculta. Enquanto a irmã Pluma finge afeição, a verdade sobre a armação que a incriminou permanece latente. No jantar, Alvorada revela cicatrizes de tortura em vez de marcas de vício, chocando a todos, exceto Afonso, que nota a gravidade real. Agora exilada, ela ativa um contato secreto. A jovem frágil morreu; uma caçadora implacável surge para iniciar sua vingança.
Capa do romance Entre Grades e o Coração Partido
8.3
Após dois anos presa por um desvio de verbas que não cometeu, Maria busca justiça. Traída por João, seu ex-namorado que a manipulou para financiar a carreira do sogro deputado, ela perdeu a mãe e a liberdade. Agora, munida de documentos originais deixados por seu pai e com um filho nos braços, Maria ressurge transformada. A mulher ingênua deu lugar a uma estrategista pronta para desmascarar os culpados e retomar o projeto que era seu por direito.
Capa do romance Jogo da Lila
8.3
Lila esconde uma natureza implacável sob sua aparência doce. Movida por uma sede de adoração, ela manipula Aroon, impulsivo e intenso, e Thanom, silencioso e letal. Esse triângulo perigoso transforma flertes em uma obsessão sombria, onde o prazer vira arma e a devoção se torna dependência. Enquanto Lila testa os limites desses dois homens opostos, o jogo de posse ameaça destruir a todos. Até onde chegará essa busca por controle antes do colapso final?
Capa do romance Kaleu, O mafioso da floresta.
9.0
Kaleu transformou uma floresta turística em um cenário de isolamento e pavor. Considerado uma lenda letal, sua rotina de violência é interrompida pela jovem Miliane, que entra em seu domínio para pedir socorro em vez de fugir. Após anos desse encontro breve, o destino os reúne novamente. Agora adulta, ela reencontra o homem por trás da máscara macabra. Resta saber se o temido mafioso cederá ao sentimento inédito despertado pela única pessoa que não o temeu.
Capa do romance Meu Irmão Secreto: Um Presente do Destino
9.5
No funeral do seu pai, Inês vive o abandono cruel de Pedro, o noivo que escolheu consolar a sua madrasta e a enteada, Laura, em vez dela. Humilhada e rotulada como insensível por ser forte, ela rompe o noivado após ser ignorada no momento de maior dor. Sozinha e bloqueada por quem amava, Inês descobre uma caixa de madeira com diários e cartas. O conteúdo revela um segredo impactante sobre o passado do pai, prometendo mudar o seu destino e trazer uma nova família.