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Capa do romance O CEO Safado

O CEO Safado

Conhecida como o cupido da Parker'In, Belinda Gwen decide ajudar seu chefe e amigo, Ryan Parker, a conquistar a mulher que assombra seus desejos mais profundos. O que ela ignora é que a própria Belinda é o objeto dessa obsessão erótica. Após um erro no passado, Ryan lida com o choque de ver sua confidente incentivando, com conselhos carregados de duplo sentido, que ele use todo o seu vigor para possuir a mulher dos seus sonhos. Agora, ele deve agir.
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Capítulo 2

— Por que você teve que pular em cima dela?! — Fala quase chorando. — Ela foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida!

— Se gostava dela, tinha que ter falado antes...

— Não é nesse sentido! — Exclama batendo na mesa. — Você nunca contratou uma assistente que realmente fizesse o seu trabalho, quando encontra uma assim, você parte pra cima, Ryan?!

— Me passa o whisky dentro do armário... por favor. Peço e ele o pega.

Fecho os olhos ouvindo as choradeiras do Kalel, segurando a bolsa de gelo no meu saco me lembrando de tudo o que eu gostaria de esquecer.

— Calma — olha pra garrafa. — Você pediu por favor?

O líquido desce queimando minha garganta, mas eu não respondo nada.

— Você está bem? Quer que eu te leve ao médico?

— Ela... ela me chamou de lixo...

— Oh — me olha surpreso.

Kalel respira fundo e começa a pegar os papéis do chão, um pouco sem jeito.

— Você também acha isso, né?

— Só porque ela disse isso... — arruma os papéis na minha mesa. — Não significa que o senhor seja igual a ele.

— Kalel, como meu amigo, eu quero que seja sincero comigo

— o olho sério. — Você também pensa o mesmo, não é? — Pergunto já sabendo a resposta.

— Olha Ryan — se senta na cadeira em frente a minha, extremamente nervoso mexendo na armação dos seus óculos. — Não me leve a mal, mas eu não acho que seja correto o modo como você trata as mulheres... Sei que pra você não parece ser nada demais, contratar as moças por aparência, usá-las e três dias depois demiti-las. Mas isso não é atitude de homem.

Balanço a cabeça compreendendo.

— Depois que a senhorita Gwen passou esses três dias e não houve nada. Pensei que tinha mudado de ideia e resolveu me ajudar.

— Te ajudar? — Levanto a sobrancelha.

— Ryan, se suas assistentes não fazem o trabalho delas, então sobra pra alguém fazer — aponta para si. — A senhorita Gwen é maravilhosa no que faz, é viciada em trabalho e muito inteligente! — Acena com a mão mostrando os papéis em cima da mesa. — Eu tive que orientá-la no início, mas não tive que fazer o trabalho dela nenhuma vez. Isso me ajudou porque não estava mais sendo sobrecarregado... O nosso desempenho no ano passado foi baixo por causa das suas escolhas para assistentes. Estou

querendo dizer, que o modo que você está lhe dando com as coisas não é nada produtivo.

— Entendo e sinto muito por isso. Agora eu vejo o quanto estava prejudicando a Parker’ In — olho para as pilhas de pastas em cima da mesa. — Mas você fugiu da pergunta, então dessa vez seja direto, Kalel. Você me acha ou não um lixo?

— Eu não te acho um lixo — como se fosse um tique nervoso, ele mexe novamente nos seus óculos. — Mas o que você faz...

— Me responde, Kalel! — Interrompo o seu discurso.

— Tá! — Se exalta. — Você é um lixo! Era isso que queria ouvir?! Estou sempre sobrecarregado porque você só contrata as mulheres pra comer. Eu nem sei o que é dormir direito porque tenho que lidar com o trabalho delas e o meu! — Desabafa falando rapidamente. — Eu não tenho vida social por sua causa. Quando enfim, penso que contrataria alguém que preste, estava enganado, porque você voou em cima dela. Ainda bem que ela te acertou em cheio! — Aponta para as minhas partes. — A Linda é uma mulher de caráter e nunca se sujeitaria a isso! E agora que ela foi embora quem vai sofrer sou eu! — Quase chora. — Por que você tinha que dar em cima da Linda?! Por quê?! Não consegue manter o seu zíper fechado? Tem que entrar em todo rabo de saia que passa na sua frente?!

Linda?

— Você pode se acalmar agora? — O olho sério. — Acho que entendi muito bem o que quis dizer.

Ele faz um bico de quem não gostou.

— Mas não significa que é igual a ele — ajeita os seus óculos nervoso. — Você não é o seu pai, Ryan.

— Richard — trinco o meu maxilar com raiva. — Ele não é o meu pai!

— Não significa que você seja igual ao Richard, só porque faz essas coisas.

— Significa sim — suspiro irritado. — Não é porque não sou casado, que não faça as mesmas coisas que ele faz — olho pro líquido âmbar do meu copo e bebo de uma vez. — Eu sempre o

abominei, sempre falei que quando crescesse jamais me tornaria alguém como ele... Agora, eu sou igual aquele lixo.

Richard Parker, era um homem casado, mulherengo, que não tinha um pingo de vergonha na cara. Quando era criança sempre o via entrando no quarto com várias mulheres. O mesmo quarto que dividia com a sua esposa, minha mãe. Como se isso não bastasse, ele falava que a culpa era dela, pois ela não o satisfazia direito. Cresci vendo os meus pais brigando, não eram agressões físicas, mas suas palavras eram piores do que um tapa. Sempre via minha mãe, Emily, chorando pelos cantos com as traições e as palavras duras dele.

Em todas as brigas ela sempre o chamava de lixo. E sempre me falava para ser um homem bom e jamais seguir o exemplo dele. Prometi a mim mesmo que seria um homem decente e não me tornaria igual o meu pai. Eles morreram num acidente de carro, estavam brigando tanto dentro do veículo que não viram o caminhão chegar.

Richard não sabia tratar uma mulher. As usava e depois as jogava fora, como se fosse um pedaço inútil de papel. Eu pensei que já que não era casado, então não fazia as mesmas coisas. Elas concordavam comigo, eu dava uma quantia generosa pelo seu silêncio e as mesmas não se importavam ou pelo menos fingiam que não. Mas ouvir a senhorita Gwen falar aquelas coisas. Só trouxe o meu maior pesadelo átona. Que era me tornar um lixo, exatamente como Richard Parker.

— O que eu tenho que fazer... — olho para o copo. — Para mudar isso? — Sinto o meu rosto esquentar. — Eu não quero ser igual a ele, Kalel... — desabafo com o meu amigo. — A senhorita Gwen olhou pra mim, assim como minha mãe olhava pro Richard...

— Você... — ele cria coragem pra falar. — Pode começar pedindo desculpas a ela e convencê-la a ficar.

Dou uma risada fria, achando graça da sua solução.

— Se não quer ser igual ao Richard, tem que agir diferente dele — me olha sério. — Ele era um homem orgulhoso, que nunca reconhecia o seu erro. Se pedir desculpas sinceras a senhorita Gwen. Será um passo na direção certa.

Engulo seco percebendo que ele tem razão.

— Eu posso tentar ser sincero — falo com dificuldade.

— Você não pode tentar — me interrompe olhando nos meus olhos. — Você tem que ser. Olhar nos olhos dela e dizer que sente muito e que não fará isso de novo. Pedir perdão por ter debochado da sua capacidade e dizer que ela é uma excelente profissional e que eu... quer dizer, você, adoraria tê-la de volta.

— Você tem certeza que não gosta amorosamente dela? — Levanto a sobrancelha desconfiado.

— Sim, eu tenho — fala firme. — Nesse mês que trabalhei ao lado da Linda e nos meses que a vi trabalhando no departamento de design. Aprendi a respeitá-la ainda mais como profissional. Ela sempre foi uma das primeiras a chegar e uma das últimas a sair... Não porque não termina o seu trabalho no horário, mas por se esforçar mais do que os outros naquilo que faz. Se você der uma olhada nesses projetos, vai entender o que eu estou falando.

Solto um suspiro olhando pra mesa.

— Eu posso até pedir perdão — falo calmamente. — Mas acho que tê-la de volta seria demais até pra ela.

— Não seria — nega com a cabeça. — Fica só entre nós, mas a Linda realmente precisa desse emprego. Sua condição financeira não são nada boa e esse salário a faria ter uma vida mais tranquila.

— Você realmente está apegado a essa mulher — me espanto.

— Um viciado em trabalho conhece o outro... — ele dá um sorrisinho sem graça. — Mas isso não seria só por ela, seria por você também — o olho sem entender e ele continua. — Já que a senhorita Gwen ajudou a abrir seus olhos. Quem melhor do que ela para mudar de opinião a seu respeito?

Abro a boca para contestar, mas acabo pensando sobre o assunto.

— Eu não sei, Kalel...

— Linda é uma pessoa maravilhosa, sempre dá uma segunda chance quando ver, de verdade, que alguém quer mudar.

— Agora está explicado o “Espero que o senhor vire uma pessoa melhor algum dia”.

— Ela aprendeu isso com os pais — sorri. — Sei que as coisas ficariam estranhas entre vocês e não estou falando para investir amorosamente. Mas se a pessoa que te chamou de lixo, visse sua mudança e trocasse a opinião a seu respeito...

— Comprovaria que não sou igual ao Richard — falo com a mão no queixo.

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