
O Boato Que Não a Quebrou
Capítulo 1
Estava a apresentar o projeto dos meus sonhos na Quinta dos Magalhães.
A minha voz firme falava sobre a paixão e a história dos azulejos do século XVIII.
De repente, Tiago Sá Pereira, o melhor amigo de Duarte de Magalhães, cortou-me com uma pergunta venenosa:
"Técnicas precisas? Ou a sua melhor técnica é encontrar um 'padrinho' rico?"
Um boato malicioso da universidade foi atirado para a reunião mais importante da minha carreira.
A humilhação foi pública e crua.
Fui despida de toda a credibilidade e removida do projeto, substituída pela invejosa Inês.
Depois, o meu chefe, Senhor Bastos, tentou vender-me a um cliente predador num bar, uma armadilha repugnante.
Vomitei num beco, a minha dignidade desfeita.
Porque é que esta mentira antiga me perseguia com tanta força?
Porque é que Duarte de Magalhães, que me humilhou anos antes, assistia a tudo sem mover um músculo?
Eu era uma profissional talentosa, não a oportunista que pintavam.
A injustiça queimava-me a alma.
Sem escolha, e com o predador a aproximar-se, entrei no Bentley escuro de Duarte.
Qual seria o preço para a minha "salvação" desta vez?
E como escaparia eu deste inferno, sem perder a minha alma?
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