
O BEBÊ DO PIANISTA
Capítulo 2
- Não é o Heitor, mãe. - Ao ouvir-me dizer seu nome, ele sorriu abertamente - Sou eu, Bianca, sua filha.
- Bianca! Minha linda filha! Como você está? Já chegou no país? O que está fazendo com o telefone de meu... De Heitor?
- Apenas quero saber o motivo de você ter enviado um homem estranho para me buscar no aeroporto e não ter me dito nada! - Ele me encarava com ar engraçado, talvez por eu ter duvidado e estar constatando que sua história era real.
- Ah, querida... Fique tranquila! Heitor é muito chegado a mim. - Sua voz parecia confusa - Pode confiar nele, pois pedi que te trouxesse logo para casa.
- Tudo bem, mãe. E o velhote, já está morando com você? - Olhei para minhas unhas ao dizer, buscando ignorar o olhar atento do tal Heitor.
- Velhote? - Riu baixinho - Querida, estou em reunião, não estou em casa!
- Me refiro ao seu noivo, mãe, o velhote! Você não se ofende que eu o chame assim, não é? Se fui indelicada, me perdoe. É apenas uma brincadeira... Não quero ter atritos com meu segundo pai. - Heitor seguia parado em minha frente com uma expressão confusa, mas engraçada, algo que eu não conseguia desvendar, de fato.
- Está tudo bem, querida. Vejo que hoje teremos muitas surpresas, mas agora preciso desligar. Obedeça ao Heitor, pequena Bianca! - Tirei o celular do ouvido e fitei o estranho conhecido que estava prostrado frente a mim.
- "Obedeça ao Heitor, pequena Bianca". - Heitor repetiu a última frase de minha mãe com a mão estendida e reivindicando seu celular.
- Pequena Bianca é um apelido de infância, se quer saber. - Passamos a caminhar ao lado - Ninguém me chama assim, apenas mamãe.
- Como acabei de te conhecer, acho que mereço um crédito. - Apontou para o bicho de pelúcia que eu carregava em meus braços e não pude evitar corar.
- Nada de pequena Bianca, por favor! - Pedi um tanto envergonhada.
Heitor me ajudou a levar as malas para o carro e sequer precisei perguntar se era dono do bonito modelo estacionado em um lugar privilegiado, pois a luz das travas brilharam quando Heitor apertou o botão no controle da chave que carregava em mãos. Abriu a porta para mim, em seguida, e me apontou - Avante, pequena Bianca.
Entrei com meu animal de pelúcia em mãos e a porta foi fechada. Um aroma deliciosamente másculo invadiu meus sentidos como uma pancada forte e lá estava ele, ao meu lado, acomodando-se no banco da direção.
- Então, grande Heitor... De onde conhece minha mãe? - A pergunta pareceu colocá-lo para pensar.
- Sua mãe é basicamente a melhor amiga de minha tia. Nos conhecemos através dela.
- Cheguei a pensar que você fosse um dos modelos da agência de minha mãe. Sabe, ela costuma escolher os melhores para servirem em sua vida pessoal. - Após o silêncio ensurdecedor por parte dele, passei a observar as estradas e me parecia incrível como tudo estava igual à quando fui morar com meu pai, ainda criança - Você é daqui?
- Sou. Você também é. - Afirmou com os olhos fixos na estrada a sua frente.
- Como sabe disso?
- Daniela me contou... Falamos muito de você, Bianca.
- Daniela falando de mim? - Cruzei os braços - Posso saber o quê?
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