Capa do romance O arrependimento do meu ex-marido, meu recomeço

O arrependimento do meu ex-marido, meu recomeço

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Durante uma década, financiei a ascensão de Caio na arquitetura, sendo o pilar de sua glória. Contudo, ele me traiu com Kallie, humilhando-me em público e permitindo que ela invadisse minha casa e usasse minhas roupas. Após ser acusada injustamente e descobrir a gravidez da amante, decidi colocar um fim no casamento. Sem hesitar, assinei o divórcio e parti para a Europa, determinada a recuperar a identidade e a fortuna que sacrifiquei por um homem ingrato.

O arrependimento do meu ex-marido, meu recomeço Capítulo 1

Por dez anos, eu investi a fortuna da minha família e a minha vida inteira para transformar meu marido, Caio, em um astro da arquitetura. Fui a esposa perfeita, a sócia silenciosa por trás do seu sucesso.

Então, no nosso aniversário, ele trouxe sua "musa", Kallie, e me humilhou publicamente por causa dela.

Ele a deixou manchar meu Porsche e depois a levou para nossa casa. Eu a encontrei no meu quarto, vestindo minhas roupas, depois de quebrar nossa foto de casamento. Ele gritou comigo, exigindo que eu pedisse desculpas a ela.

Ele me chamou de materialista e cruel, o mesmo homem cuja vida de luxo eu, e somente eu, financiei. Mas a gota d'água nem foi encontrá-los na cama juntos.

Foi quando a amante dele me encurralou, dizendo que estava grávida para me forçar a deixá-lo ir.

Eu apenas sorri, assinei os papéis do divórcio e comprei uma passagem só de ida para a Europa. Era hora de reconquistar a vida que ele me roubou.

Capítulo 1

Meu marido, Caio, tinha uma nova mulher. Não apenas uma nova mulher, mas *a* nova mulher. Aquela que ele chamava de sua musa, sua igual artística, aquela que entendia sua "essência de artista sofrido". E lá estava ela, ao lado dele, com a mão casualmente pousada em seu braço, como se pertencesse àquele lugar.

"Helena", disse Caio, sua voz sem vida, desprovida do calor habitual com que se dirigia a mim. "Esta é Kallie. Kallie Vasques."

Ele enfatizou o sobrenome dela. Ele sempre fazia isso com artistas que admirava. Ele queria que eu a chamasse de Kallie. Como se fôssemos amigas.

Meus olhos a percorreram. Eu sabia quem era Kallie Vasques. A artista conceitual "pura" da Vila Madalena. A que era financiada pelo fundo que eu havia criado, aquela cujo trabalho Caio idolatrava. Aquela que havia se tornado a terceira pessoa em nosso casamento sem nunca ter pisado em nossa casa, até agora.

Ela era pequena, com um visual deliberadamente desgrenhado. Seus cabelos escuros estavam presos frouxamente, emoldurando um rosto que era quase agressivamente natural. Sem maquiagem pesada, sem roupas de grife óbvias. Ela usava um macacão largo manchado de tinta, um contraste gritante com meu vestido de seda feito sob medida. Ela era a imagem de uma artista intocada pelo mundo, uma tela de autenticidade.

"É um prazer finalmente conhecê-la, Helena", disse Kallie, sua voz suave, quase um sussurro. Ela ofereceu um sorriso pequeno e hesitante. Foi perfeitamente encenado, uma mistura de reverência e timidez.

"Kallie", respondi, minha voz firme. Não retribuí seu sorriso, apenas um leve aceno de cabeça. Minha compostura parecia um escudo frágil.

Estávamos saindo da abertura da galeria, uma das muitas que eu financiei para a firma de Caio. Nosso Porsche, o que eu comprei para ele, estava esperando. O motorista segurava a porta aberta.

Eu me movi em direção ao lado do passageiro, meu lugar de sempre. Era o meu carro. Meu lugar.

Kallie deu um passo à frente, um segundo rápido demais, e alcançou a porta do passageiro. Seus dedos roçaram a maçaneta.

"Ah, me desculpe", ela murmurou, puxando a mão para trás como se estivesse queimada. Seus olhos correram para Caio, depois de volta para mim, arregalados e inocentes. "Eu só... eu sempre sento aqui."

Minha mão congelou na moldura da porta. "Não no meu carro", eu disse, minha voz baixa. "Não no meu lugar."

Seu lábio inferior tremeu e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela parecia um cervo encurralado. Ou uma atriz muito boa.

"Caio", ela sussurrou, sua voz falhando. Ela olhou para ele, seu apelo claro. Ele era seu protetor.

A mandíbula de Caio se contraiu. Ele se virou para mim, seu olhar frio. "Helena, não seja ridícula. Deixe-a sentar aí."

"Ridícula?", repeti. Uma risada aguda e amarga me escapou. "Eu sou ridícula? Este é o meu carro, Caio. E esse é o meu lugar."

"Ela teve uma noite longa, Helena", ele argumentou, sua voz assumindo aquele tom paciente e condescendente que ele reservava para mim quando achava que eu estava sendo "emocional". "Ela está cansada. Só por hoje."

Eu o observei, a respiração presa no peito. Ele estava dando desculpas para ela, contra mim, na frente do nosso motorista.

"Então ela pode dirigir", sugeri, com um toque sarcástico na voz. "Se ela está tão confortável no banco do motorista, deixe-a assumir. A menos que você prefira meu calor ao seu lado, Caio?"

Seu rosto ficou vermelho escuro. "Helena, o que há de errado com você?", ele rosnou, sua voz mal contida.

Eu o ignorei. Meu olhar estava fixo em Kallie. Sua fachada frágil estava rachando. Seus olhos, ainda marejados, agora continham um brilho de outra coisa. Algo calculista.

Então, as lágrimas jorraram. Não lágrimas delicadas e silenciosas, mas um soluço completo. "Eu não... eu não consigo fazer isso", ela gaguejou, cobrindo o rosto com as mãos. "Eu não sou... eu não sou assim."

Ela se virou e se afastou do carro, seus soluços ecoando na noite silenciosa. Ela lançou um último olhar para trás, seus olhos encontrando os meus. Naquele breve momento, eu vi: não dor, mas uma faísca feroz, quase triunfante.

Ela parou a alguns metros de distância, virando-se para nós novamente. "Eu só... eu acredito na arte, na beleza", declarou ela, sua voz ainda trêmula, mas ganhando força. "Eu não entendo esse... materialismo. Essa possessividade."

Eu quase ri alto. Essa mulher, que cultivava uma imagem de "artista faminta" enquanto recebia uma generosa bolsa do fundo privado que eu havia criado para a firma de Caio, estava me dando uma lição sobre materialismo. Ela era única, com certeza. Unicamente manipuladora. Eu a vi ascender de uma ninguém para a protegida premiada de Caio, tudo graças ao meu dinheiro. No mês passado, eu tinha visto a papelada de outra transferência para a conta dela.

Hoje era nosso aniversário. Nosso décimo. E ele estava aqui, defendendo-a contra mim.

"Kallie, espere!", Caio chamou, começando a segui-la. Ele nem olhou para mim.

Ele finalmente se virou, sua expressão uma máscara de fúria. "Helena, você precisa se desculpar com ela. Agora."

Meu olhar caiu para a mão esquerda dele. A aliança de casamento, aquela que eu deslizei em seu dedo dez anos atrás, estava faltando. Meu estômago revirou.

Kallie, ouvindo suas palavras, parou. Ela se virou lentamente, enxugando os olhos. "Não, Caio", disse ela, sua voz surpreendentemente firme, "ela não precisa se desculpar. Eu entendo. Algumas pessoas simplesmente... não conseguem compreender uma vida além de rótulos e posses. Está tudo bem." Ela endireitou os ombros, uma imagem de dignidade ferida.

Uma onda de raiva quente me invadiu, ameaçando me consumir. Minhas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo. Eu queria gritar, derrubar a fachada cuidadosa que ela havia construído.

Mas eu não o fiz. Apenas fiquei ali, respirando o ar frio da noite. Olhei para o carro, meu carro, depois de volta para eles.

Forcei-me a descerrar as mãos. "Tudo bem", murmurei, caminhando em direção ao lado do motorista.

Quando alcancei a maçaneta da porta, meu pé escorregou. Olhei para baixo. Havia uma mancha escura e pegajosa no couro branco imaculado do banco do passageiro.

Meus olhos se estreitaram. Não era tinta. Era uma mancha de chocolate escuro e gosmento. E então eu vi, uma mancha correspondente no macacão largo de Kallie, bem no quadril dela.

"Oh, Kallie, seu macacão lindo!", exclamou Caio, correndo até ela. Ele ainda não tinha notado o banco do carro. "O que aconteceu?"

Kallie olhou para baixo, fingindo surpresa. "Ah, eu devo ter... não sei. Um momento de descuido, eu acho." Ela tocou a mancha com o dedo.

Caio, sem hesitar um momento, tirou seu casaco de caxemira feito sob medida. Aquele que eu comprei para ele no Natal passado, uma edição limitada. Ele o envolveu em volta dos ombros dela, cobrindo a mancha em seu macacão. Protegendo-a.

"Apenas espere aqui, Kallie", disse ele, sua voz suave, tranquilizadora. "Eu resolvo isso." Ele olhou para mim, seus olhos agora cheios de um brilho perigoso.

Uma névoa vermelha desceu. Peguei o pesado peso de papel de vidro da mesa de exibição da galeria e o atirei no chão. O estilhaçar ecoou pela rua silenciosa. Não era a primeira vez que eu quebrava algo quando estava furiosa, quando sentia que algo estava sendo roubado de mim.

"Esse. É. O. Meu. Carro", articulei lentamente, cada palavra um golpe de martelo. "E você deixou ela estragá-lo." Minha voz estava perigosamente calma, mas meu interior se revirava.

Caio zombou. "Helena, é uma mancha pequena. Podemos mandar limpar. Você está seriamente sugerindo que ela fez isso de propósito?"

"Limpar?", repeti, minha voz subindo. "Não. Eu quero um carro novo. Ou pelo menos todo o interior substituído. Você pode pagar, não pode? Depois de todo o dinheiro que eu investi na sua 'visão'?"

Kallie ofegou, seus olhos arregalados novamente. "O quê? Isso é ridículo! Foi um acidente! Você está apenas tentando... me humilhar!"

"Humilhar você?", virei-me para ela, meu olhar gelado. "Talvez você devesse se olhar no espelho, Kallie. E depois no banco do passageiro do meu Porsche."

Ela começou a chorar, mais alto desta vez. "Caio, eu não acredito nisso! Ela está sendo tão cruel!"

"Chega, Helena!", Caio rugiu, caminhando em minha direção. "Você está sendo absolutamente maliciosa! Você se ouve? Eu vou pagar por tudo. Cada coisinha. Mas isso? Isso passou de todos os limites."

Suas palavras me atingiram como um golpe físico. Maliciosa. Cruel. Senti um pavor frio se infiltrar em meus ossos. Não era mais sobre o carro. Nunca foi. Era sobre ele, sobre nós, sobre tudo que eu dei e ele tão descuidadamente descartou.

Meu sorriso parecia frágil, colado no meu rosto. O mundo girou ao meu redor, cada som abafado, cada cor esmaecida. Tudo parecia tão... sem sentido.

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