
O Arrependimento Dele, Nosso Adeus Irrevogável
Capítulo 2
Alana POV:
O mundo voltou a ter foco, uma luz fluorescente forte me cegando. Minha cabeça latejava. Eu estava em uma maca, um paramédico de rosto gentil checando minhas pupilas.
"Léo", eu grasnei, minha voz rouca. "Onde está o Léo?"
"Seu filho está com o pai", disse o paramédico suavemente. "Eles estão no fim do corredor. Ele está fazendo um raio-X."
Meu sangue gelou. O pai dele. O homem que torceu o braço do meu filho.
Caio apareceu na porta, seu rosto pálido e tenso. Ele olhou para mim, depois para o paramédico. "Ela chamou a polícia." Sua voz era seca, acusadora.
"Sim, chamei", eu disse, me erguendo. Uma onda de tontura me atingiu. "E faria de novo."
Ele ignorou minhas palavras, aproximando-se. "Você vai mesmo fazer uma cena, Alana? Arrastar nossa família para essa bagunça pública?"
"Nossa família?", zombei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "Não existe mais 'nossa família', Caio. Não depois do que você fez com o Léo."
Seus olhos endureceram. "Foi um acidente. E você está exagerando. Geórgia é delicada. Você a abalou."
Eu recuei, me afastando quando ele tentou pegar minha mão. "Não me toque." Minha voz era um rosnado. "Acabou, Caio. Eu quero o divórcio."
Ele congelou, a mão ainda suspensa no ar. Sua mandíbula caiu ligeiramente. "Divórcio? Alana, você está falando sério?"
"Mortalmente sério. Cansei. Vou pegar o Léo e vou embora."
Nesse momento, Geórgia, ainda parecendo frágil, mas com um brilho perturbador nos olhos, flutuou para dentro do quarto, apoiando-se pesadamente em uma enfermeira. "Oh, Caio, querido, a Alana está bem? E o pobre Léo? Eu me sinto tão mal com tudo isso. Minha cabeça... ela dói tanto." Ela pressionou a mão na testa, um retrato de sofrimento delicado.
Eu quase engasguei. A atuação dela era impecável.
Ela ainda está te manipulando, Caio. Você não consegue ver?
"Você se sente mal?", cuspi, minha voz carregada de veneno. "Você quase quebrou o braço do meu filho. Você o colocou no hospital. E ainda está se fazendo de vítima?"
Geórgia ofegou, seus olhos se arregalando com uma dor fingida. "Alana, como pode dizer uma coisa dessas? Eu mal me lembro do que aconteceu. O médico disse que minha amnésia piora quando estou estressada. Você só está... piorando as coisas para todo mundo." Ela começou a tremer, o lábio inferior tremendo.
"Não se preocupe, querida", Caio murmurou, envolvendo-a com um braço. Ele me fuzilou com o olhar. "Alana, pare com isso. Você está a perturbando."
Meu olhar encontrou o de Geórgia por cima do ombro de Caio. Seus olhos, geralmente tão suaves e perdidos, estavam penetrantes e frios. Uma mensagem silenciosa passou entre nós: Eu venci.
"Ah, entendi", eu disse, minha voz perigosamente calma. "Então agora eu sou o problema. Não a mulher que atormentou sistematicamente meu filho e a mim desde que voltou para nossas vidas. Não a mulher que usa a memória de Arthur como uma arma. Não a mulher que acabou de colocar a vida de Léo em perigo."
Geórgia choramingou, seu corpo tremendo. "Você é tão cruel, Alana. Comparando Léo com Arthur... Arthur era um campeão. Um talento nato. Um menino tão forte e corajoso. Léo... bem, ele é tão sensível, não é? Se assusta com tanta facilidade." Suas palavras, suaves e pingando falsa preocupação, eram um punhal apontado diretamente para o coração de Léo.
"E você", ela continuou, voltando seu olhar para mim, sua voz agora um sussurro afiado, "é uma péssima mãe, deixando-o ser tão fraco. Você o mima demais."
Meu sangue ferveu. "Como ousa! Você não tem o direito de falar sobre meu filho, ou sobre como eu o crio!"
De repente, Geórgia agarrou a cabeça, soltando um grito agudo. "A dor! É tão intensa!" Ela balançou, desabando dramaticamente contra Caio.
Caio imediatamente entrou em modo de proteção total. Ele me empurrou para longe, com força, quase me fazendo cair. "Geórgia! Você está bem?" Ele a segurou com força, de costas para mim. "Alana, olhe o que você fez! Você a desencadeou! Não vê que ela não está bem?"
Meu cotovelo bateu na parede sólida, uma nova dor aguda se acendendo. Minha cabeça pulsava. "Ela não está bem?", repeti, minha voz rouca de incredulidade. "Ela é uma monstra manipuladora, Caio! E você está cego demais, consumido demais pela sua própria culpa, para ver isso!"
Ele se virou, seus olhos em chamas. "Não ouse falar da Geórgia assim! Ela está sofrendo! Ao contrário de você, que parece prosperar no drama. Você está causando tudo isso! Você está a piorando!" Sua voz se elevou, atraindo a atenção das enfermeiras.
"E o Léo?", exigi, minha voz quebrando. "E o Léo? Ele é um menino sensível, sim! Mas ele é gentil. Ele é amoroso. Ele é nosso filho, Caio! Não um substituto para o Arthur! Não um saco de pancadas para a doença da Geórgia!"
Seu rosto se contorceu. "Léo é mole demais. Ele precisa endurecer. Precisa aprender a ser resiliente. Como Arthur era." Ele balançou a cabeça, seu olhar varrendo-me com desdém. "Você está o estragando. Deixando-o fraco. E se você acha que vai tirá-lo de mim, está muito enganada. Vou lutar com você a cada passo. Vou garantir que você não receba nada. Nem um centavo. Nem mesmo o direito de visita."
Uma dor lancinante atravessou minha cabeça, juntamente com a pulsação no meu cotovelo. Senti-me fraca. Mas em meio à dor, uma determinação fria e dura se solidificou.
Geórgia, vendo a raiva de Caio, soltou outro gemido suave, pressionando as têmporas. "Oh, minha cabeça, Caio. Parece que vai rachar."
Sem outra palavra, Caio a pegou nos braços, ignorando-me completamente. "Vamos voltar para o seu quarto, querida. Você precisa de descanso. De paz." Enquanto ele a carregava para passar por mim, os olhos de Geórgia, arregalados e triunfantes, encontraram os meus. Um lampejo de satisfação cruel passou por eles antes que ela enterrasse o rosto no ombro de Caio.
Eu os observei ir, uma estranha calma me invadindo apesar da dor. Ele acha que pode me ameaçar. Ele acha que tem todo o poder. Ele acha que ainda sou a mulher ingênua que se casou com ele por pena e um desejo desesperado por uma família.
Ele está errado. Tão terrivelmente errado.
Um sorriso sombrio tocou meus lábios. Caio, com toda a sua inteligência e sucesso, estava prestes a aprender uma lição muito dura sobre subestimar uma mulher que não tem mais nada a perder, mas tudo a proteger.
O acordo pré-nupcial. Aquele em que ele insistiu, pensando que era apenas uma formalidade para proteger seu vasto império. Ele nunca imaginou que me protegeria. Estava tudo lá, cuidadosamente negociado pelo meu advogado astuto, mas discreto, com cláusulas garantindo a guarda total de quaisquer filhos nascidos de nós, juntamente com uma substancial independência financeira, caso o casamento se dissolvesse sob circunstâncias específicas. Circunstâncias que acabavam de ser atendidas, e com sobras.
Ele queria lutar? Ótimo. Eu tinha tudo o que precisava. E eu lutaria por Léo com cada fibra do meu ser.
Eu o deixaria. E ele nem veria o que o atingiu.
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