
O Arrependimento Dele, Nosso Adeus Irrevogável
Capítulo 3
Alana POV:
A dor na minha cabeça e no meu cotovelo era uma pontada surda comparada à fúria escaldante no meu peito. As ameaças de Caio, seu descarte descarado do sofrimento de Léo, sua devoção cega a Geórgia — tudo se solidificou em uma certeza ardente e absoluta.
Ele tinha acabado de sair, carregando Geórgia como um artefato precioso, deixando-me sozinha no corredor estéril do hospital, sangrando e quebrada.
"Caio!", eu gritei, um som cru e gutural arrancado da minha garganta.
Ele parou, a alguns metros de distância, ainda parcialmente de costas. Geórgia espiou por cima do ombro dele, um sorriso zombeteiro brincando em seus lábios.
"Acabou!", gritei, mais alto desta vez, minha voz ecoando no corredor silencioso. "Você e eu terminamos! Vou levar o Léo, e você nunca mais vai nos ver!"
Ele ainda não se virou completamente, mas seus ombros enrijeceram. "Alana, não seja dramática. Sei que você está chateada, mas não quer dizer isso. Podemos consertar isso."
Consertar isso? A audácia de suas palavras acendeu uma nova onda de fúria. Minha mão encontrou uma bandeja médica descartada em um carrinho próximo. Eu a agarrei, o metal frio um conforto em minha mão trêmula. Eu a arremessei. Ela se chocou contra a parede logo depois da cabeça de Caio, o barulho ensurdecedor. Ele se encolheu, finalmente se virando, Geórgia ofegando em seus braços.
"Não me diga o que eu quero dizer!", gritei, minha voz rachando. "Eu quero dizer cada palavra, Caio! Você a escolheu! Em vez do seu filho! Em vez de mim! Você o machucou! Você o abandonou quando ele mais precisava de você!"
Seus olhos se arregalaram, finalmente registrando a profundidade da minha fúria. "Alana, acalme-se. Isso é irracional. Estou cuidando da Geórgia. Ela não está bem. E o Léo... Léo vai ficar bem. Um pequeno hematoma, só isso. Meninos precisam ser fortes."
"Um pequeno hematoma?", ri, um som amargo e quebrado. "Você torceu o braço dele, Caio! Você o fez gritar! E ficou lá, confortando-a, enquanto nosso filho jazia no chão em agonia! Como ousa! Como ousa se chamar de pai!"
Minha cabeça latejava. Senti-me tonta, mas a raiva me mantinha de pé.
Ele deu um passo em minha direção, sua expressão mudando de raiva para uma espécie de preocupação distorcida. "Alana, você está ferida. Deixe-me chamar um médico para te examinar." Ele fez menção de colocar Geórgia no chão.
Mas Geórgia, sempre a mestra manipuladora, soltou um grito agudo. "Não! Não me deixe, Caio! Ela é louca! Ela vai me machucar!" Ela se agarrou a ele com mais força, suas unhas cravando em seu terno caro.
Caio, dividido, olhou de mim para Geórgia. Aquele momento de hesitação. Era tudo que eu precisava.
Meus olhos se estreitaram. "Você quer saber o que é loucura, Caio? O que é realmente loucura? É você. É sua devoção cega a essa mulher que abandonou seu filho moribundo, que então voltou para nossas vidas, fingindo amnésia, para destruir tudo o que construímos!"
Os olhos de Geórgia, arregalados de pânico, encontraram os meus. Ela sabia. Ela sabia que eu sabia.
Ela se lançou. Uma explosão súbita e inesperada de força, um grito selvagem rasgando sua garganta. Ela arranhou meu rosto, suas unhas rasgando minha bochecha.
A dor foi aguda, imediata. Mas apenas alimentou minha fúria. Eu a empurrei para trás, com força. Ela tropeçou, caindo contra Caio, que mal conseguiu segurá-la.
"Você é uma vadia doente e perversa, Geórgia!", rosnei, limpando o sangue da minha bochecha. "Você não esqueceu o Arthur! Você o abandonou! Você o deixou para morrer, e então voltou aqui para terminar o serviço, para destruir qualquer coisa boa que Caio ainda tinha!"
Seu rosto se contorceu. "Eu não sei do que você está falando! Minha cabeça! Dói!" Ela começou a se bater, uma exibição frenética e teatral. "Eu quero morrer! Não quero me lembrar! Faça parar!"
Caio, assustado, imediatamente caiu de joelhos, tentando conter suas mãos agitadas. "Geórgia! Pare com isso! Não faça isso!" Ele estava em pânico total. "Alguém! Chame um médico! Ela está tendo um colapso!"
Ele nem olhou para mim. Nenhuma vez. Seu mundo inteiro girava em torno da crise fabricada dela.
"Alana, por favor", ele implorou, olhando para mim, seus olhos arregalados de desespero. "Apenas... nos dê um pouco de espaço. Deixe-me lidar com isso. Eu prometo, vou falar com ela. Vou fazê-la ir embora. Apenas... não agora."
Eu me encostei na parede, a adrenalina se esvaindo, deixando-me fraca e trêmula. Minha cabeça girava. O sangue do meu couro cabeludo escorria pelo meu pescoço, misturando-se com os arranhões frescos na minha bochecha. Senti o gosto de cobre.
Enquanto Caio chamava as enfermeiras, frenético, Geórgia, ainda "soluçando" e agarrando a cabeça, me lançou um olhar de ódio puro e absoluto. Uma promessa silenciosa de mais dor, mais destruição.
Eu soube então, com clareza absoluta, que este ciclo nunca terminaria enquanto eu permanecesse. Enquanto Caio permanecesse cego.
Minha mente repassou cada palavra cruel, cada desprezo calculado, cada ato manipulador de Geórgia. A maneira como ela "acidentalmente" apagava os jogos salvos de Léo. A maneira como ela "esquecia" de buscá-lo na escola, deixando-o esperando sozinho. A maneira como ela sussurrava coisas sobre a superioridade de Arthur ao alcance dos ouvidos de Léo.
E Caio. Suas desculpas intermináveis. Sua crença inabalável na fragilidade dela. Sua disposição para sacrificar o bem-estar do meu filho pelo conforto emocional dela. Sua culpa pela morte de Arthur havia criado um monstro, e ele o estava alimentando com nossas vidas.
"Vá, Caio", eu disse, minha voz mal um sussurro. "Vá cuidar da sua preciosa Geórgia. Mas quando você voltar, eu terei ido embora. E Léo também."
Ele olhou para cima, o rosto manchado de suor e lágrimas. "Alana, não. Não seja precipitada. Eu... eu vou consertar isso. Eu juro. Vou mandá-la embora. Vou garantir que ela receba ajuda. Apenas... não me deixe." Ele estendeu a mão em minha direção, mas seus olhos ainda estavam em Geórgia, que agora estava sendo gentilmente levada por duas enfermeiras.
"É tarde demais", afirmei, as palavras frias e finais. "Você sempre esteve atrasado."
Ele observou Geórgia desaparecer pelo corredor, depois voltou seu olhar para mim, a mão ainda estendida. Seu rosto era uma máscara de súplica. "Alana..."
Eu balancei a cabeça, me afastando da parede, minhas pernas instáveis. "Cansei. Não venha nos procurar."
Ele me encarou, de coração partido, enquanto eu dava um passo para trás, depois outro. Ele parecia querer dizer mais, prometer mais, mas as palavras morreram em seus lábios. Ele deixou a mão cair, derrotado.
Eu o deixei lá, emoldurado pelas luzes duras do hospital, um homem quebrado agarrando-se à memória de uma mulher que nunca o amou de verdade, sacrificando a mulher que o amava. E sacrificou nosso filho no processo.
Minha garganta estava em carne viva. Meu corpo doía. Mas meu coração sentia um vazio estranho e arrepiante. A dor não havia desaparecido, mas era diferente. Era a dor da separação, de cortar laços, de finalmente escolher a mim mesma e ao meu filho.
A escolha tinha sido brutal. Mas estava feita. E eu nunca mais olharia para trás.
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