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Capa do romance O aluguel

O aluguel

Aymeé é uma mulher autônoma que sempre priorizou sua sobrevivência, deixando o amor em segundo plano. Enquanto luta para conquistar a casa própria, seu destino se cruza com o de Renato. Ele é um herdeiro que, após decepções amorosas, focou apenas na carreira jurídica na empresa do pai. Apesar das diferenças sociais e de raça, uma conexão inesperada prova que sentimentos verdadeiros superam barreiras. Eles ainda não sabem, mas suas vidas já estão ligadas.
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Capítulo 2

Durante a noite, Aymeé pode escolher qual seria seu quarto e escolheu o do fundo que ficava próximo a cozinha e a lavanderia. A escolha também se deu por ter um closet pequeno e um banheiro com uma banheira antiga. Ela colocou seu colchão ali, estendeu a colcha, arrumou o travesseiro e ficou olhando o celular procurando orçamentos para arrumar a casa. Já era quase meia noite e um misto de sentimentos tomava conta dela naquele instante. Era cansaço com alegria, vontade de chorar com êxtase, sono e incredulidade... Depois de alguns minutos sem decidir o que iria fazer, tomou um banho com água quente e relaxou o corpo. Assim, com seu ritual da noite: um bom banho, passar um hidratante cheiroso, uma colônia suave, escovar os dentes, arrumar o cabelo para facilitar o pentear de manhã e uma camisola bem soltinha, pode desabar no colchão e dormir.

Pela manhã, um raio de sol a acordou. Ela não tinha percebido esse detalhe. Apesar de morar naquela casa entre prédios, havia um prédio menor que permitia o sol na lavanderia e no quarto de Aymeé. Ela levantou devagar e ficou olhando tudo em volta, como se não acreditasse que fosse real. Mas era!!!

Então manifestou ali uma comemoração interna e externa de muita gratidão à Deus por tamanha bênção.

Após o banho, foi a uma padaria que ficava próximo a casa e que oferecia café da manhã. Ela escolheu um pão com queijo e ovo na chapa e uma xícara de café com leite. Escolheu uma mesa, que dava pra observar todo o movimento da rua. Tomou seu café lentamente para aproveitar cada momento e nem se atentou quando a padaria ficou cheia. Apesar de simples, o estabelecimento era local muito bem frequentado por executivos que gostavam das refeições servidas. E no final de semana, havia cardápios mais caseiro possíveis e o local se tornava ponto de encontro de muitos que iam para as baladas. O café dali, era um point e rota de turismo, uma passagem obrigatória.

Sentada em sua mesa, perdida em pensamentos por onde começar, Aymeé foi interrompida por um dos atendentes.

- Senhora?!?

- Hã?!? Me desculpe... pois não?!?

- Estamos com a casa cheia, como a senhora pode ver. E gostaria de saber se posso indicar a sua mesa para aquele rapaz.

Apontou a moça para um homem de seus 26 a 28 anos em média. Era branco, cabelos louros bem cortado, olhos azuis, trajando calça jeans e uma camiseta de algodão. Ele esperava pela resposta, sorrindo e já segurando a sua bandeja.

Aymeé ficou meio sem graça por ele a estar encarando e sorrindo como se a conhecesse, mas ela não lembrava dele. Mesmo assim, consentiu que ele se sentasse à mesa, lhe fazendo um sinal direto.

O rapaz veio a mesa, lhe pediu permissão mais uma vez e Aymeé lhe respondeu: fique à vontade...

Ele era um encanto de homem, tinha um gosto simples em sua refeição: café com leite e pão com manteiga e orégano. Ela o olhou rapidamente e permaneceu em silêncio observando fora do local. De repente uma pergunta:

- Você não lembra de mim, não é?

- Hã?!? Eu? Eu deveria?

- Vejo que não fui uma pessoa marcante em sua vida. Até entendo o porquê.

- Desculpe, eu não tô conseguindo captar...

- Você estudou no cursinho Selletus, não foi?

- Sim... espera... você estudou comigo lá?

- Sim... você me ajudou muito Aymeé.

- Não acredito... Como não reconheci você... Renato?!?

- Sim!!!

- Meu Deus, você mudou muito. Já não lembra nem de longe aquele rapaz franzino.

- Ah, por favor... Não me lembre dessa época. Foi triste em muita coisa pra mim...

- Mas você passou em Direito, como queria. Não se formou?

- Me formei sim, hoje sou sócio da Carvalhos S.A

- Uau! Que bacana. Coisa boa saber que você prosperou.

- Sim, sim..., mas o que você faz aqui? Eu sempre venho aqui e nunca tinha te visto.

- Eu comprei uma casa aqui próximo. Me mudei ontem.

- Nossa!!! Que bacana... você já deve estar casada...

- Casada? Não, não... os problemas que enfrento já são suficientes pra mim. Não quero por enquanto dor de cabeça.

- Você está com o quê? 24 ou 26 anos? Sei que idade de mulher não se pergunta. Disse rindo.

- Ah, eu sou desencanada com isso... estou com 26 anos.

- Não sofre pressão dos grupos em sempre perguntar: Vai casar quando? Vai ficar pra titia se escolher muito...

- Eu já não ligo mais...

- Cara, toda vez que tem reunião familiar, as tias, avó ficam me questionando.

- Eu as entendo. Como pode um cara inteligente (quando ela queria dizer lindo), bem-sucedido como você não ter casado?

- Acho que foquei tanto na carreira, que esqueci dessa parte. Mas não me abala ser solteiro. Pelo menos ainda não. Quando for a hora e a pessoa, vai ser muito natural.

- Eu também acredito nisso. Tudo o que é forçado, não nos serve. Causa problemas depois...

- Renato, foi um prazer te rever. Espero um dia, nos encontrarmos de novo. Tenho que resolver algumas coisas da nova casa.

- Me passa teu contato. Quem sabe não rola um convite para um lanche na sua casa.

- Certamente! Falou com um desespero por dentro. Sua casa não tinha a menor condição de receber um cara rico como Renato Carvalho.

- Anota meu contato, por favor...

Renato salvou o contato e ligou imediatamente para ela.

- Salva aí... se precisar de qualquer coisa no que diz respeito a advocacia, terei o prazer em ajudar.

Saindo dali Aymeé ficou lembrando do tempo do cursinho. Com certeza, Fábio e Clara devem se lembrar dele.

- O que ele quis dizer com não fui uma pessoa marcante em minha vida? Ah, deixa isso pra lá. Preciso buscar minhas poucas coisas. Quero sair o quanto antes daquele quartinho.

Aymeé saiu da padaria e seguiu para o quartinho onde residia para buscar o que ainda restava. Chamou um vizinho que fazia frete, para que levasse seu frigobar o roupeiro de duas portas, a mesa da cozinha, a cama e o armário com as poucas louças. Se despediu de quem tinha proximidade e seguiu para a sua casa.

O vizinho a ajudou a montar as coisas e desejou boa sorte a moça.

Com tudo dentro da casa, aquele lugar ainda precisava de móveis. Mas como comprar, com pouco dinheiro?

Voltou a pesquisar na Internet e achou um local de venda de móveis usados. Não era o que ela queria naquele momento, mas iria suprir a necessidade.

Seguiu para lá e pode ver muita coisa de excelente qualidade. Comprou um sofá, uma poltrona retrátil, um fogão, um rack para a TV, uma TV. Tudo lhe saiu por uma pechincha e ela adorou a experiência. Saiu com os móveis sorrindo de orelha a orelha e por ser um sábado, pode arrumar a casa mais um pouco. Depois tratou de fazer umas compridas para deixar alimento na casa. Comprou mais frutas e coisas de consumo rápido, mas saudável.

Todo aquele dia havia sido cheio e por um instante voltou a lembrar-se de Renato. Da sua beleza e aquele sorriso lindo e olhos azuis. Pensou consigo mesma que não o veria mais. Fora um encontro casual, daquele de um em um milhão.

Retornou ao seu quarto e foi tomar banho. Olhava a banheira, mas sentia uma certa repulsa em usá-la. Mesmo tendo sido lavada por sra. Paulina, sentia que não devia usá-la ainda. Só depois de ver se havia a possibilidade de substituir algo lá.

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