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Capa do romance Noventa e Nove Compromissos, Uma Traição

Noventa e Nove Compromissos, Uma Traição

Após noventa e nove noivados frustrados, encontrei o amor em Bruno Prestes, um magnata gélido. Contudo, o casamento era uma fachada para ocultar sua obsessão doentia pela irmã adotiva, Evelyn. Ao exigir o divórcio, Bruno usou minha claustrofobia e me confinou em um quarto escuro para me forçar a assumir os crimes dela. Após dias de tortura psicológica, não me rendi. Em uma gala ao vivo, revelei a traição e anunciei nossa separação diante do mundo.
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Capítulo 1

Depois de noventa e nove noivados fracassados, eu finalmente me casei com Bruno Prestes, um magnata da tecnologia impassível que parecia ser o único homem na Terra a achar minha personalidade tagarela "encantadora".

Mas sua aceitação silenciosa era uma farsa. Eu era apenas um acessório conveniente, uma esposa que ele precisava para esconder seu amor obsessivo e doentio por sua irmã adotiva, Evelyn.

Quando descobri o segredo deles e exigi o divórcio, ele me trancou em um quarto escuro e sem janelas, usando minha claustrofobia de infância como arma para me quebrar. Ele precisava que eu assumisse a culpa pelos crimes de Evelyn, para protegê-la a todo custo.

Ele me observou gritar e arranhar as paredes por três dias, meu terror um espetáculo para seus olhos frios e calculistas. Ele não era apenas indiferente; ele era um monstro.

Eu não quebrei. Em vez disso, esperei. Na noite de uma gala de caridade transmitida ao vivo, olhei para a câmera e sorri. "Evelyn, querida, parabéns. Eu já me divorciei dele. Ele é todo seu."

Capítulo 1

Meu nonagésimo nono noivado terminou como todos os outros: com uma conversa educada, embora constrangedora, sobre nossas "diferenças irreconciliáveis". Na realidade, a diferença era sempre a mesma. Minha boca. Ela se movia rápido demais, com frequência demais, demais. Eu era uma matraca, uma tagarela, um podcast ambulante que ninguém pediu. Era assim que me chamavam, em sussurros, nos círculos da elite de São Paulo.

"Diana, querida, você é tão vibrante", minha mãe suspirava, alisando meu cabelo. "Mas às vezes, menos é mais."

Menos nunca foi mais para mim. Mais palavras, mais histórias, mais risadas, mais vida. Esse era o meu mantra. Mas, aparentemente, isso assustava os homens. Todos os noventa e nove.

Depois que o nonagésimo nono anel foi retirado do meu dedo, eu jurei. Chega. Chega de perseguir um conto de fadas que claramente não era para mim. Casamento era uma armadilha, uma gaiola dourada para minha personalidade vibrante. Eu tinha desistido.

Então eu conheci Bruno Prestes.

Ele era tudo o que a alta sociedade paulistana idolatrava em tons sussurrados e reverentes. Alto, moreno e impossivelmente bonito, com olhos que continham a intensidade silenciosa de uma tempestade de inverno. Um magnata da tecnologia de Florianópolis, de família tradicional, preciso, impassível. Cada palavra que ele proferia era medida, cada movimento controlado. Ele era o meu oposto. E por alguma razão inexplicável, eu fui atraída por ele.

Nosso primeiro encontro foi em um leilão de caridade. Eu era um turbilhão de energia nervosa, minhas palavras saindo como bolinhas de gude rolando escada abaixo. Eu estava dando lances em uma escultura ridiculamente cara que eu nem gostava, apenas pela emoção da interação.

"E dou-lhe uma, dou-lhe duas..." o leiloeiro bradou.

"Cem mil reais!" eu gritei, minha voz falhando um pouco.

Um murmúrio baixo percorreu o salão. Bruno Prestes, sentado a poucos metros de distância, virou a cabeça lentamente. Seu olhar, geralmente tão impassível, continha um brilho de algo que eu não conseguia decifrar.

"Diana", minha amiga sussurrou, puxando minha manga. "Você tem certeza? Você disse que odiava arte moderna."

"Ah, eu odeio", respondi, talvez um pouco alto demais. "Mas é por uma boa causa e, além disso, eu amo o drama de uma guerra de lances!"

Os lábios de Bruno se contraíram. Um fantasma de um sorriso.

"Duzentos mil", uma voz profunda e ressonante cortou o ar. Bruno.

Minha cabeça se virou bruscamente em sua direção. Ele estava olhando para mim, realmente olhando, com aqueles olhos calmos e firmes. Meu coração deu um pulo estranho.

"Trezentos mil!" declarei, com um desafio na voz.

Ele ergueu uma sobrancelha, um gesto minúsculo que dizia muito. "Quatrocentos mil."

Isso continuou por alguns minutos vertiginosos, o preço escalando com um abandono imprudente. Cada vez que eu falava, sentia uma estranha euforia. Cada vez que ele respondia, uma emoção silenciosa. Ele não estava tentando me silenciar. Ele estava entrando no jogo.

"Um milhão!" eu finalmente gritei, minha voz rouca.

Bruno fez uma pausa, então, lenta e deliberadamente, abaixou sua placa. Um suspiro coletivo encheu o salão. Ele me deixou vencer.

"Parabéns, senhorita", o leiloeiro sorriu.

Caminhei até ele, com um sorriso triunfante no rosto. "Você desistiu fácil."

Ele ofereceu um sorriso pequeno e educado. "Algumas batalhas não valem a pena serem vencidas, especialmente quando a outra parte é tão... entusiasmada."

"Entusiasmada?" Eu ri, uma cascata de som. "É assim que estão chamando hoje em dia? Geralmente é 'irritantemente barulhenta' ou 'incapaz de calar a boca'."

Ele inclinou a cabeça. "Eu achei bastante encantador."

Encantador. Ninguém nunca havia chamado minha tagarelice de encantadora. Meu sorriso vacilou, um calor novo e desconhecido se espalhando pelo meu peito.

"Sabe", comecei, minha voz mais suave agora, "uma vez eu comprei uma pintura de uma galeria em Roma. Deveria ser uma obra-prima perdida, um trabalho inicial de um mestre renascentista. Pechinchei por horas, me senti uma verdadeira conhecedora de arte. Consegui por uma pechincha, ou assim pensei. Trouxe para casa, mostrei para todos os meus amigos. Acontece que foi pintada por um estudante de artes, no ano passado. A 'obra-prima' ainda estava secando." Eu ri baixinho, um som genuíno e não forçado. "Meus amigos ainda me zoam por isso."

Um leve sorriso brincou em seus lábios. Ele não estava rindo de mim. Ele estava ouvindo.

Sua assistente, uma mulher de aparência severa em um terno preto elegante, pigarreou. "Sr. Prestes, seu próximo compromisso é em dez minutos."

Bruno levantou a mão, silenciando-a sem uma palavra. Seus olhos ainda estavam em mim. "Por favor, continue. Acho suas anedotas... esclarecedoras."

Meu coração palpitou. Esclarecedoras. Não irritantes. Não demais. Este homem, este impassível e silencioso Bruno Prestes, na verdade me achava esclarecedora.

"Bem", continuei, encorajada, "também teve a vez que comprei um carro antigo em Paris. O vendedor jurou que era um clássico, que pertenceu a algum duque francês obscuro. Eu me imaginei dirigindo-o pelo interior da França, com um lenço esvoaçando ao vento. Acontece que era um adereço de um filme B, unido com fita silver tape e boas intenções. Quebrou na Champs-Élysées. Tive que chamar um guincho que parecia mais velho que o próprio carro." Eu ri de novo, um pouco mais alto desta vez.

Ele deu uma risada. Um som profundo e vibrante que me deu arrepios. Foi uma risada genuína, não uma tosse educada.

Naquele momento, eu soube. Era isso. O nonagésimo nono noivado foi apenas um prelúdio. Bruno Prestes era o cara. Ele era o homem que me via, realmente me via, e não tentava apagar meu brilho. Ele aceitava minhas histórias intermináveis, meus pensamentos divagantes, minha própria essência.

Minha família, acostumada com minha porta giratória de noivos, estava cautelosamente otimista. Meus amigos, mais pragmáticos, me avisaram para ir com calma. Mas eu estava em um turbilhão. Eu havia encontrado minha pessoa. O homem que realmente me entendia.

Em poucos meses, estávamos casados. Um romance relâmpago, um casamento deslumbrante que silenciou até os mais cínicos da sociedade paulistana. Eu havia quebrado a maldição dos noventa e nove. Eu era a Sra. Bruno Prestes. E por um breve e glorioso período, acreditei ter encontrado meu felizes para sempre.

Mas então, o silêncio começou a parecer menos com aceitação e mais com um vazio. Sua impassibilidade, que antes eu achava calmante, agora parecia uma muralha. Eu falava e falava, preenchendo o silêncio, esperando que ele se juntasse, compartilhasse, se conectasse. Mas ele raramente o fazia. Suas respostas eram sempre mínimas, educadas, vagas.

Eu tentei de tudo. Eu contava meu dia em detalhes excruciantes, na esperança de iniciar uma conversa. Eu perguntava sobre seu trabalho, sua infância, seus sonhos. Ele ouvia, assentia e oferecia um silencioso: "Isso é interessante, Diana."

"Interessante?", eu pensava. "É tudo o que você tem a dizer? Acabei de te contar sobre o escândalo do meu chefe e minha tentativa desastrosa de fazer um suflê!"

Comecei a me sentir desesperada. Deixava longas mensagens de voz para ele, sabendo que ele não interromperia. Tentava provocar uma reação. Aumentava a música muito alto, deixava minhas roupas espalhadas pelo chão, derramava café "sem querer" em suas camisas brancas impecáveis. Qualquer coisa para arrancar uma emoção mais forte do que sua calma habitual.

Ele apenas sorria, um sorriso gentil e indulgente. "Diana, querida, você sabe que prefiro a casa arrumada." Nenhuma discussão. Nunca uma discussão. Apenas um redirecionamento gentil.

Sua calma inabalável, antes um conforto, tornou-se um tormento. Eu sentia como se estivesse gritando em um abismo, e o abismo sorria de volta, pacientemente. Algo estava errado. Eu não conseguia identificar o quê, mas o mal-estar crescia, um nó frio no meu estômago.

Então, Evelyn voltou. Sua irmã adotiva.

Eu a conheci brevemente em um jantar de família. Ela era frágil, etérea, com olhos grandes e inocentes. Bruno foi instantaneamente solícito, sua atenção silenciosa amplificada na presença dela. Senti uma pontada de algo que descartei como ciúme de cunhada.

Algumas semanas depois, meu telefone tocou. Era tarde, passava da meia-noite.

"Diana? O Bruno não está atendendo o telefone. Você pode vir me buscar? Estou na delegacia." Sua voz era um sussurro trêmulo.

Meu coração imediatamente se compadeceu dela. "Oh, Evelyn! O que aconteceu? Você está bem?"

"É... é uma longa história. Me meti numa pequena encrenca. Uma briga de bar, na verdade. Bobagem, sério. Mas a polícia está sendo bem irracional."

Uma briga de bar? A delicada e frágil Evelyn? Essa era certamente uma história que eu queria ouvir.

"Estou a caminho", eu disse, já pegando minhas chaves. "Me conte tudo. Com quem você brigou? Foi um homem? Ele te machucou? Não se preocupe, eu vou convencê-los a te liberar. Sou muito boa em conversar, sabe. Uma vez, consegui me livrar de uma multa de trânsito com um policial muito mal-humorado. Ele ficou tão surpreso com meu monólogo sobre a energia cinética de um veículo em movimento que simplesmente me deixou ir." Eu ri, o fluxo familiar de palavras fluindo livremente.

Evelyn ouviu pacientemente, seu fungado ocasional sendo a única interrupção. Senti uma onda de calor. Finalmente, alguém que ouvia!

Eu a encontrei encolhida em um canto da delegacia, parecendo completamente arrasada. Quando liguei para Bruno, ele estava em uma reunião da diretoria, mas ouviu, com a voz calma, enquanto eu contava a história dramática de Evelyn defendendo um estranho de um bêbado agressivo. Eu embelezei um pouco, retratando Evelyn como uma defensora da justiça heroica, embora desajeitada.

"Me desculpe por interromper sua reunião, querido", eu disse efusivamente. "Mas a Evelyn, ela é tão corajosa! E a polícia, eles simplesmente não entendem. Eu já contei tudo a eles, claro, sobre a agressão não provocada e a legítima defesa, e como a Evelyn tem uma bússola moral tão forte que não conseguiu ficar parada vendo a injustiça acontecer. Quer dizer, quem poderia culpá-la, realmente? E a coitadinha, ela tem mãos tão delicadas, quero dizer, você deveria vê-las, Bruno, estão praticamente machucadas, e oh, a injustiça de tudo isso, sério!"

Ele ouviu, seu silêncio um conforto familiar. Ele disse que estaria lá o mais rápido possível. Eu esperei, e esperei, e esperei.

Então, a porta dos fundos da delegacia se abriu com um estrondo. Não era Bruno. Era um advogado, já pagando a fiança de Evelyn. Poucos minutos depois, ela estava sendo escoltada para fora, parecendo aliviada, mas ainda frágil. Ela olhou para mim, um sorriso rápido, quase imperceptível, antes de ser levada embora.

Eu ainda estava sentada lá quando Bruno finalmente chegou, uma hora depois. Ele nem me notou no início. Ele entrou, seu rosto uma máscara de fúria, seus olhos em chamas. Ele não estava calmo. Ele não era impassível. Ele era uma tempestade.

"Evelyn!" ele trovejou, sua voz ecoando pela delegacia silenciosa. "O que você fez agora?"

Suas palavras eram afiadas, cada uma carregada de emoção crua e indomada. Ele não estava apenas falando. Ele estava sentindo. E era tudo por ela.

Minha respiração ficou presa na garganta. Este não era o Bruno que eu conhecia. Este era um homem liberado.

Ele estava falando. Muito. E com tanta paixão. Uma torrente de palavras, afiadas e cortantes. Ele não estava apenas expressando preocupação. Ele estava expressando uma raiva profunda e profunda. E era tudo direcionado à sua irmã, mas misturado com uma proteção inegável e feroz.

Então ele se virou, seus olhos finalmente pousando em mim. Sua expressão furiosa suavizou instantaneamente, substituída por um lampejo de surpresa. "Diana? O que você ainda está fazendo aqui?"

A mudança foi chocante. A tempestade se acalmou instantaneamente. O silêncio retornou. Mas era tarde demais. Eu tinha visto. O verdadeiro Bruno. Aquele que podia liberar uma torrente de palavras, uma tempestade de emoção. Mas apenas por ela.

Minha voz, geralmente uma cachoeira, secou. Minha garganta estava apertada, meu peito doía. Eu não conseguia falar. Apenas me levantei, minhas pernas parecendo chumbo, e saí. A verdade, feia e crua, tinha acabado de me dar um tapa na cara.

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