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Capa do romance Noventa e Nove Compromissos, Uma Traição

Noventa e Nove Compromissos, Uma Traição

Após noventa e nove noivados frustrados, encontrei o amor em Bruno Prestes, um magnata gélido. Contudo, o casamento era uma fachada para ocultar sua obsessão doentia pela irmã adotiva, Evelyn. Ao exigir o divórcio, Bruno usou minha claustrofobia e me confinou em um quarto escuro para me forçar a assumir os crimes dela. Após dias de tortura psicológica, não me rendi. Em uma gala ao vivo, revelei a traição e anunciei nossa separação diante do mundo.
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Capítulo 2

Diana POV:

A verdade foi um tapa frio e duro na cara. Do tipo que deixa uma marca ardente. Bruno, meu Bruno, o homem que eu pensei que aceitava cada palavra minha, cada pensamento meu, minha própria existência, tinha acabado de revelar uma profundidade de emoção por sua irmã que ele nunca, nem uma vez, demonstrou por mim. E doeu. Doeu tanto que me senti fisicamente doente.

Cheguei em casa e imediatamente comecei a cavar. Não literalmente, claro. Minha escavação envolveu buscas noturnas na internet, ligações discretas para amigos de amigos e uma montagem quase obsessiva de sussurros e rumores que eu havia descartado como mera fofoca antes. A imagem que emergiu não era bonita. Era uma obra-prima de manipulação, pintada em tons de engano e amor proibido.

Evelyn Burnett não era apenas a irmã adotiva de Bruno. Ela era sua obsessão, sua responsabilidade, sua falha fatal. O vínculo deles, eles chamavam. Um vínculo forjado no trauma da infância, intensificado por um segredo de família e distorcido em algo perigosamente próximo de um amor incestuoso. O patriarca da família Prestes, um homem severo e tradicional, havia descoberto o "relacionamento inadequado" deles. Para salvar as aparências, para proteger o legado da família, Evelyn foi exilada para a Europa, para "estudar arte". Mas a condição para seu retorno, para sua cura, para sua própria existência na família era o casamento de Bruno. Com outra pessoa. Para criar uma fachada respeitável.

E essa outra pessoa era eu.

Eu. A herdeira excessivamente falante, desesperada por amor, desesperada por um casamento que durasse. Um alvo fácil. Uma solução controlável. Ele fingiu aceitar minha natureza tagarela, não porque achava encantador, mas porque isso me tornava maleável. Isso me fez acreditar.

Meu corpo inteiro tremia. Não de frio, mas de uma traição que chegava até os ossos. Eu tinha sido um peão, um acessório conveniente em sua peça distorcida. Meu sonho acalentado de um casamento real, de um homem que realmente me visse e me amasse, era uma miragem cruel. Ele precisava de uma esposa, e eu, em meu desespero ingênuo, caí direto em sua armadilha.

E a pior parte? A parte verdadeiramente angustiante, esmagadora? Eu o amava. Eu amava a fachada impassível, a paciência silenciosa que agora eu sabia ser uma performance. Eu amava o fantasma de um sorriso, a risada rara, a maneira como seus olhos às vezes se demoravam em mim. Eu havia me apaixonado, desesperada e irrevogavelmente, pelo homem que me usou.

O pensamento me deu náuseas. Senti-me suja, usada, completamente tola. Quando ele ligou, sua voz calma e preocupada, perguntando onde eu estava, não consegui responder. Apenas desliguei.

Vi o carro dele parar na calçada. Vi ele sair, parecendo perplexo. Ele me viu, ainda sentada no banco do lado de fora da delegacia, meu pé latejando da longa caminhada para casa. Ele começou a vir em minha direção.

Levantei-me, minhas pernas bambas. "Não", eu disse com a voz embargada. "Não se atreva a chegar perto de mim."

Ele parou, uma carranca vincando sua testa. "Diana, o que há de errado? Você ainda está chateada com a Evelyn? Eu te disse, ela só se mete em encrenca às vezes. Ela é delicada."

Delicada. Meu sangue gelou. "Vá embora, Bruno", eu disse, minha voz mal um sussurro. "Apenas... vá."

Ele suspirou, um som de sofrimento prolongado. "Diana, não seja infantil. Seu pé parece inchado. Deixe-me te levar para casa."

"Eu vou andando", retruquei.

"Não seja ridícula", disse ele, dando um passo mais perto. "Está tarde. Você está machucada."

"Eu disse, eu vou andando!" gritei, uma explosão repentina de raiva me dando força. Virei-me e manqüei para longe, sem me importar para onde estava indo, apenas precisando estar longe dele.

Ele seguiu, seus passos suaves, mas persistentes. Eu podia ouvi-lo atrás de mim, uma sombra silenciosa. Meu tornozelo torceu, enviando uma pontada de dor pela minha perna, e eu tropecei, caindo em um muro baixo.

Ele estava instantaneamente ao meu lado. "Diana! Eu te avisei. Aqui, deixe-me ver."

Ele se ajoelhou, seu toque surpreendentemente gentil enquanto examinava meu tornozelo latejante. Então, com uma facilidade praticada, ele tirou seu paletó caro e o dobrou, colocando-o cuidadosamente no muro de pedra fria para eu me sentar. "Você realmente precisa ter mais cuidado."

"Por que você foi até ela primeiro?" perguntei, as palavras cruas. "Por que ela era sua prioridade?"

Ele fez uma pausa, seu olhar encontrando o meu. "Ela precisava de mim, Diana. Ela é frágil, você sabe disso. Ela tem... problemas. Eu sempre tenho que me certificar de que ela está bem."

"E eu?" perguntei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "E quanto a mim? Eu não precisei de você?"

Ele suspirou. "Você é forte, Diana. Você consegue lidar com qualquer coisa."

Forte. Essa era a desculpa dele. Minha força era minha maldição.

"Apenas me deixe em paz", implorei, lágrimas finalmente picando meus olhos. "Por favor."

Ele se levantou, seu rosto indecifrável. "Não posso te deixar sozinha aqui fora. Não é seguro."

Nesse momento, o carro dele parou ao nosso lado. A porta do passageiro se abriu e Evelyn saiu. Ela parecia perfeitamente bem, nem um fio de cabelo fora do lugar, seus olhos grandes e inocentes. Ela se aproximou, seu braço deslizando possessivamente pelo de Bruno.

"Bruno, querido, o que você está fazendo? Eu te disse que ela estava apenas fazendo drama. Ela é sempre tão exagerada." Evelyn disse, sua voz em um tom doce e enjoativo. "Vamos, vamos para casa. Você parece exausto."

Bruno tentou gentilmente remover o braço dela. "Evelyn, não. A Diana está machucada."

"Ah, ela está bem", Evelyn descartou com um aceno de mão. "Apenas um joelho ralado, provavelmente. Como quando éramos crianças e você sempre corria para o meu lado. Ela só está tentando te punir por deixá-la sozinha." Seus olhos, inocentes há um momento, brilharam com uma malícia consciente ao encontrar os meus.

Eu olhei para ela, depois de volta para Bruno. Ele parecia dividido, mas sua mão ainda estava no braço de Evelyn, não no meu.

"Meu pé", Evelyn choramingou, com um pequeno fungado. "Está latejando. Aquela mulher horrível no bar pisou nele." Ela exagerou um mancar, fazendo uma careta dramática.

Bruno imediatamente se ajoelhou, examinando seu pé perfeitamente bem. "Dói aqui? Deveríamos te levar a um médico."

"Ah, não é nada, sério", disse ela, piscando os cílios. "Apenas um pequeno hematoma. Mas arde quando eu ando."

Olhei para o meu próprio tornozelo, inchado e roxo, a dor uma pulsação surda. Ele nem tinha olhado direito. Ele não se ofereceu para me levar a um médico. Minha dor era invisível. A dela, um pequeno hematoma, era uma emergência médica.

Ele a pegou no colo com cuidado, seu peso leve mal sendo um esforço. "Vamos te levar para casa."

"Mas Bruno", Evelyn fez beicinho, "meus sapatos estão arruinados. São de grife, sabe. E meu pobre pezinho é tão sensível."

Ele riu baixinho, um som que eu raramente ouvia direcionado a mim. "Não se preocupe, eu te compro um par novo. O que você quer?"

"Ah, você é o melhor!" ela arrulhou, aninhando-se em seu peito. "E estou tão cansada. Podemos simplesmente ir? E você pode me carregar até a cama?"

"Claro", ele murmurou, sua voz gentil.

Enquanto ele a carregava em direção ao carro, Evelyn olhou por cima do ombro dele, seus olhos se fixando nos meus. Ela estava usando os sapatos dele. Meu maxilar se contraiu. Meus sapatos ainda estavam ao meu lado, arruinados, esquecidos. Um gesto simbólico, talvez?

Fiquei ali, observando-os se afastarem, o nó frio familiar em meu estômago se apertando. Então, com uma súbita onda de algo que parecia desafio, manqüei para a ciclovia próxima. Era mais escura, menos visível. Eu precisava desaparecer. Eu precisava ficar verdadeiramente sozinha. Ele não me seguiria aqui. Ele nem pensaria nisso.

Cheguei em casa, de alguma forma, a dor no meu tornozelo agora um rugido surdo. A casa estava silenciosa. Silenciosa demais. Empurrei a porta da frente e o vi. Bruno. Sentado no sofá, Evelyn aninhada ao seu lado, dormindo profundamente.

Ele olhou para cima, sua expressão indecifrável. "Diana. Seu pé. Venha, deixe-me cuidar dele."

Ele não se moveu. Apenas olhou para mim, depois para Evelyn, e de volta para mim.

"Não", eu disse, minha voz plana. "Estou bem."

"Mas você está mancando", ele insistiu, sua voz ainda calma. "E a Evelyn aqui, o tornozelo dela também está latejando. Eu tenho aplicado gelo. Você deveria fazer o mesmo."

Evelyn se mexeu, seus olhos se abrindo. Ela me viu, então se aninhou mais perto de Bruno. "Bruno, querido, meu pé ainda dói. Você pode fazer melhorar?"

Ele suspirou, um som familiar e indulgente. Ele começou a massagear suavemente o pé dela.

Eu não aguentava mais. Minha voz saiu, surpreendentemente firme, considerando o terremoto que assolava dentro de mim. "Eu quero o divórcio."

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