
Nosso Filho, Minha Guerra
Capítulo 2
"Ana, o Lucas está com febre alta. A pediatra disse que é uma infeção viral, talvez precise de ser hospitalizado."
A voz do meu marido, Pedro, soava ansiosa e cansada ao telefone.
"Estou a caminho do hospital agora. Podes vir?"
Olhei para a minha mãe, deitada na cama do hospital, pálida e fraca após a cirurgia cardíaca. A enfermeira estava a ajustar o seu gotejamento intravenoso.
"Não posso, Pedro. A cirurgia da minha mãe acabou de terminar. Ela precisa de mim aqui."
Houve um silêncio pesado do outro lado.
"A tua mãe não tem o teu pai para cuidar dela? O Lucas é nosso filho. Ele está doente, a chamar por ti."
A sua voz tinha um tom de acusação.
Respirei fundo, tentando manter a calma.
"O meu pai está a resolver a papelada do internamento. A minha mãe está sozinha agora. Eu não a posso deixar."
"Então o que queres que eu faça? Eu não posso fazer isto sozinho, Ana!"
A sua frustração era palpável.
Antes que eu pudesse responder, ouvi outra voz ao fundo, uma voz feminina, suave e preocupada.
"Pedro, não te preocupes. Eu estou aqui. Vou ajudar-te a cuidar do Lucas. A tia Ana está ocupada, nós compreendemos."
Era a Sofia, a minha prima. A filha da irmã do meu pai.
"Vês? A Sofia está aqui para ajudar. Ela é muito melhor do que tu. Pelo menos ela preocupa-se com o Lucas."
Pedro desligou.
Fiquei a olhar para o telemóvel, as suas palavras a ecoarem na minha cabeça.
O meu filho estava doente. A minha mãe estava doente. E o meu marido acreditava que a minha prima era uma mãe melhor para o meu filho do que eu.
Senti um aperto no peito, uma sensação fria que se espalhou por todo o meu corpo.
Eu e o Pedro estávamos casados há cinco anos. O Lucas era a nossa alegria. Mas desde que a Sofia se mudou para a nossa cidade há seis meses, tudo mudou.
Ela estava sempre por perto. Sempre a "ajudar". Ajudar com o Lucas, ajudar com as tarefas domésticas, ajudar o Pedro com o seu trabalho.
No início, eu fiquei grata. Mas lentamente, comecei a sentir-me como uma estranha na minha própria casa.
Agora, no momento em que a minha família mais precisava de união, o Pedro escolheu a Sofia em vez de mim.
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