
Nosso Filho, Minha Guerra
Capítulo 3
O meu pai voltou ao quarto, o seu rosto carregado de preocupação.
"Como está a tua mãe?"
"Ainda a dormir. O que disse o médico?"
"A cirurgia correu bem, mas a recuperação será longa. Ela precisa de descansar."
Ele sentou-se na cadeira ao lado da cama, parecendo de repente muito mais velho.
"O Pedro ligou?"
Assenti, sem conseguir dizer nada.
"Ele devia estar aqui. A tua mãe é a sogra dele."
O meu pai nunca gostou muito do Pedro. Ele achava-o fraco, facilmente influenciável. Talvez ele tivesse razão.
O meu telemóvel vibrou. Era uma mensagem da Sofia.
Uma fotografia.
O Lucas estava deitado numa cama de hospital, com um termómetro na boca. A Sofia estava sentada ao lado dele, a segurar-lhe a mão. Ela sorria para a câmara, um sorriso triste e compassivo.
A legenda dizia: "Não te preocupes, Ana. O nosso menino vai ficar bem. Eu estou a cuidar dele."
Nosso menino.
Aquelas duas palavras atingiram-me com força.
Ela estava a demarcar o seu território. Ela não estava apenas a ajudar. Ela estava a tentar tomar o meu lugar.
Mostrei a mensagem ao meu pai.
Ele olhou para a fotografia, o seu rosto endureceu.
"Aquela rapariga..." ele começou, mas não terminou a frase.
Não precisava. Eu sabia o que ele estava a pensar.
A minha tia, a mãe da Sofia, sempre teve inveja da minha mãe. Inveja da sua vida, do seu casamento, de mim. Parece que a filha herdou os mesmos sentimentos.
"Vou ligar ao Pedro," disse o meu pai, levantando-se.
"Não," eu disse, a minha voz surpreendentemente firme. "Deixa estar. Eu resolvo isto."
Naquele momento, uma decisão formou-se na minha mente. Clara e inabalável.
Isto tinha de acabar.
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