
Noiva Abandonada, Mulher Libertada
Capítulo 2
O salão de festas estava perfeito.
Flores brancas por toda parte, o cheiro doce enchendo o ar. Todos os rostos importantes da cidade estavam ali, sorrindo, sussurrando sobre a união de duas das famílias mais ricas.
Eu usava um vestido que custou mais do que um carro, meu cabelo preso em um penteado elegante que levou horas para ser feito.
Tudo estava como nos sonhos.
Ou melhor, como nos sonhos da minha mãe.
O padre sorriu, sua voz ecoando pelo silêncio.
"Pedro, você aceita Maria como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da sua vida?"
Pedro ficou em silêncio.
Um segundo.
Dois segundos.
O silêncio se tornou pesado, desconfortável.
Eu olhei para ele. Seu rosto estava pálido. Ele não olhava para mim. Ele olhava para a minha madrinha de honra.
Minha melhor amiga desde a infância, Sofia.
Então, na frente de centenas de convidados, na frente da minha família e da dele, Pedro se virou. Ele deu um passo em direção a Sofia e a beijou.
Um beijo longo, profundo.
A música parou. Os sussurros se transformaram em exclamações de choque.
Meu mundo inteiro desmoronou naquele instante. O buquê de rosas brancas caiu da minha mão, espalhando pétalas pelo chão de mármore.
Pedro finalmente se afastou de Sofia, parecendo confuso, como se tivesse acabado de acordar de um transe. Ele olhou para a multidão chocada e depois para mim.
"Maria... eu... eu me confundi."
Essa foi a desculpa dele.
"Eu te confundi com a Sofia."
A humilhação queimou meu rosto como fogo. Mas por baixo da dor, uma frieza estranha começou a tomar conta. A frieza da clareza.
Eu me abaixei lentamente, peguei uma única rosa branca do chão e caminhei até eles.
Pedro e Sofia ainda estavam próximos, ela com os olhos cheios de lágrimas falsas, ele com uma expressão de pânico.
Estendi a rosa para Sofia. Minha voz saiu calma, assustadoramente calma.
"Se você o queria tanto, poderia ter me dito. Não precisava esperar o dia do meu casamento para roubá-lo."
Sofia agarrou o braço de Pedro, o rosto escondido em seu ombro, o corpo tremendo em soluços teatrais.
"Maria, me desculpe! Eu não sei o que aconteceu! Foi um acidente, eu juro! Pedro e eu somos amigos há tanto tempo, foi só... um momento de fraqueza."
Seus olhos, no entanto, brilhavam com triunfo por cima do ombro dele. Ela estava adorando cada segundo.
Pedro, em vez de se virar para mim, sua noiva, abraçou Sofia com força. Ele a protegeu como se ela fosse a vítima.
"Maria, já chega! Não vê que ela está mal? Não faça uma cena."
Ele me acusou. Ele a defendeu.
Naquele momento, todo o amor que eu sentia por ele se transformou em cinzas. Todos os anos de dedicação, de sempre ser a segunda opção, de engolir o fato de que ele sempre preferia a companhia de Sofia à minha, tudo veio à tona.
Eu olhei para minha mãe na primeira fila. Ela não olhava para mim com compaixão, mas com raiva. Raiva por eu estar estragando a festa, o negócio.
Olhei para os pais de Pedro. Eles cochichavam entre si, os rostos fechados, calculando os prejuízos.
Ninguém se importava comigo. Ninguém nunca se importou.
Com as mãos firmes, arranquei o véu da minha cabeça. O tecido caro rasgou levemente.
"Você tem razão, Pedro. Não vou fazer uma cena."
Eu me virei e comecei a caminhar para fora da igreja, descendo o mesmo corredor que eu tinha subido minutos antes, radiante de felicidade.
"Acabou."
Ele correu atrás de mim, sua voz um sussurro furioso no meu ouvido.
"Maria, volte aqui agora! Pense na reputação das nossas famílias! No nosso acordo!"
Acordo.
Essa palavra selou o destino.
Eu parei e olhei para ele, um sorriso vazio nos lábios.
"Você deveria ter pensado nisso antes de beijá-la."
Puxei meu braço de sua mão com força e continuei andando, deixando para trás o casamento dos sonhos que se tornou meu pesadelo público.
O coração que batia por ele com tanto amor, agora, estava completamente morto.
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